Delcy Rodríguez convida EUA a trabalhar numa “agenda de cooperação” e cria comissão para libertar Maduro
Já o líder norte-americano Donald Trump exigiu da nova líder venezuelana "acesso total ao petróleo e a outras coisas no país que permitirão reconstruí-lo".
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, convidou o Governo dos Estados Unidos a trabalhar em conjunto numa “agenda de cooperação”, um dia após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro.
“Estendemos o convite ao Governo dos EUA para trabalhar em conjunto numa agenda de cooperação, visando o desenvolvimento partilhado, no quadro da legalidade internacional e fortalecer uma convivência comunitária duradoura”, disse Rodriguez no domingo, numa declaração publicada na plataforma de mensagens Telegram.

No mesmo dia, o Presidente dos Estados Unidos exigiu da nova líder venezuelana “acesso total” à Venezuela em termos de recursos naturais e outros. “O que precisamos [de Delcy Rodriguez] é de acesso total. Acesso total ao petróleo e a outras coisas no país que nos permitirão reconstruí-lo”, disse.
Questionado sobre que “outras coisas” precisariam, Trump mencionou as infraestruturas do país. “Nós mandamos”, disse Trump, que no sábado, ao anunciar os detalhes da captura de Maduro, reiterou várias vezes que o país será governado por uma equipa de confiança do Presidente, para garantir um processo de transição.
Trump reiterou no domingo que a operação para capturar Maduro e levá-lo à justiça em Nova Iorque responde a uma nova Doutrina Monroe de intervenção na América Latina, que batizou de “Doutrina Donroe”. “O hemisfério [ocidental] é nosso”, concretizou, a caminho da Casa Branca, vindo de Mar-a-Lago, na Florida.
Em entrevista ao semanário The Atlantic, Trump disse que se Rodríguez, nomeada presidente interina na ausência de Maduro, “não fizer a coisa certa”, um futuro pior que o de Maduro a espera.
O dirigente norte-americano disse que a questão da libertação de presos políticos está em segundo plano: “Ainda não chegámos a esse ponto. Neste momento, o que queremos fazer é tratar do petróleo, reparar o país, trazê-lo de volta e ter eleições”, embora a certa altura se tenha recusado a dizer se a realização de eleições livres na Venezuela é uma questão urgente.
Trump também confirmou que existem canais de comunicação abertos com a nova líder venezuelana, embora tenha dito que, por enquanto, não falou diretamente com Rodríguez.
O Presidente norte-americano disse que estão a considerar a reabertura da embaixada dos EUA em Caracas, tendo em conta este novo capítulo nas relações entre os dois países, após a queda de Maduro, que hoje vai comparecer perante um juiz em Nova Iorque para iniciar o julgamento por tráfico de droga e corrupção.
Criada comissão para libertação de Maduro
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, criou no domingo uma comissão para a libertação do líder deposto, Nicolás Maduro, e da mulher do dirigente, Cilia Flores, capturados e levados para os Estados Unidos.
Acusado de tráfico de drogas e terrorismo, Maduro está detido numa prisão de Nova Iorque e deve comparecer hoje perante um juiz federal num tribunal da cidade.
Uma comissão “de alto nível” foi apresentada pelo ministro da Informação, Freddy Ñáñez, que fará parte da mesma, e que vai ser liderada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Iván Gil.
Rodríguez defendeu no domingo relações “equilibradas e respeitosas” com os Estados Unidos, numa mensagem na plataforma de mensagens Telegram.
Os Estados Unidos lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela” para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Horas depois do ataque, e não sendo ainda claro quem vai dirigir o país após a queda de Maduro, o Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.
Nicolás Maduro e a mulher foram transportados para Nova Iorque e o ex-presidente vai comparecer hoje num tribunal em Manhattan.
A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro e o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a ação militar dos EUA poderá ter “implicações preocupantes” para a região.
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