Riscos climáticos e tecnológicos lideram preocupações das empresas
Empresas prevêm uma década de instabilidade global, com riscos climáticos e tecnológicos a dominarem as preocupações, segundo o Global Risks Report 2026 do Fórum Económico Mundial.
O estudo “Global Risks Report 2026”, do Fórum Económico Mundial, foi divulgado esta quarta-feira e prevê que o aprofundamento das divisões geopolíticas, bem como os crescentes desafios tecnológicos e sociais, continuarão a moldar o panorama empresarial. A corretora Marsh e a seguradora Zurich, ambas parceiras do Fórum Económico Mundial e membros do seu Conselho Consultivo de Riscos Globais, comentam as conclusões deste estudo.
Este estudo mostra que cerca de 50% das empresas que participaram antecipam uma conjuntura global turbulenta nos próximos dois anos. No entanto, quando se olha para os próximos dez anos, essa percentagem aumenta para 57%, sendo essa perspetiva fortemente dominada pelos riscos climáticos e tecnológicos.

O “Global Risks Report 2026” identifica como os cinco grandes riscos imediatos em 2026 o confronto geoeconómico, os conflitos armados interestatais, os eventos climáticos extremos, a polarização social e a desinformação e informação falsa. A polarização social e a desinformação e informação falsa ganharam preponderância nos últimos dois anos, ocupando agora o terceiro e segundo lugar, respetivamente.

Andrew George, presidente da área de Specialty, da Marsh Risk, comenta: “O aprofundamento das divisões está no centro dos riscos sociais que todos enfrentamos atualmente, desde a fragmentação social e a desigualdade até ao declínio da saúde e do bem-estar”, explica. “Apesar da crescente gravidade destes riscos globais, os principais governos estão a afastar-se de muitas estruturas estabelecidas, destinadas a enfrentar os desafios comuns. Como resultado, as sociedades divididas estão a ser empurradas para o limiar da instabilidade social e do aumento dos conflitos”.
Riscos económicos e tecnológicos em ascensão
Também os riscos económicos subiram posições no ranking, apresentando os maiores aumentos na classificação nos próximos dois anos. O receio de uma recessão económica e do aumento da inflação subiram oito posições, para o 11.º e o 21.º lugar, respetivamente.
Os desenvolvimentos e as inovações tecnológicas também preocupam as empresas. Apesar de gerarem novas oportunidades, com benefícios potenciais para áreas como a saúde, a educação, a agricultura e as infraestruturas, levantam igualmente preocupações ao nível dos mercados de trabalho e do desenvolvimento de sistemas de armas autónomas, podendo contribuir para o aumento das disparidades económicas globais e para a instabilidade geopolítica.
As conclusões deste estudo mostram ainda que as preocupações ambientais estão a perder importância, exemplo disso mesmo é a União Europeia que adiou a adoção de algumas medidas para uma economia verde. Nas perspetivas para os próximos dois anos, a maioria dos riscos ambientais registou uma descida, com os fenómenos meteorológicos extremos a passarem do 2.º para o 4.º lugar e a poluição do 6.º para o 9.º lugar.
Peter Giger, diretor de risco do grupo Zurich, diz ainda que “apesar das ameaças crescentes representadas por condições climáticas extremas, ciberataques e conflitos geopolíticos, as perturbações nas infraestruturas críticas ocuparam apenas o 23.º lugar entre os riscos globais para a próxima década”. Para Giger, isto trata-se de “uma negligência perigosa”, sublinhando que “dependemos de sistemas que estão mal preparados e subfinanciados. Quando as infraestruturas falham, tudo o resto fica em risco”.
Concorrência global vai intensificar-se
A longo prazo, as conclusões do relatório sublinham o surgimento de uma nova era de concorrência global, com as nações a priorizarem cada vez mais os interesses nacionais em vez da ação coletiva, num sinal em que o mundo se está a tornar significativamente mais competitivo.
Alison Martin, CEO de Vida, Saúde e Distribuição Bancária da Zurich Insurance Group, destaca também que os líderes empresariais das principais economias estão também “preocupados com as pensões e a saúde pública. Estas lacunas ameaçam tanto o bem-estar da força de trabalho como a estabilidade social”, começa por explicar. “No entanto, é surpreendente que os riscos sociais – como o declínio da saúde, a falta de infraestruturas públicas e de proteções sociais – mal sejam identificados nas perspetivas de risco para os próximos 10 anos, apesar de os seus efeitos já estarem a remodelar o nosso mundo”.
A CEO deixa ainda um aviso: “Se não agirmos com urgência e colaboração, corremos o risco de ignorar as ameaças que podem definir o nosso futuro”.
A Marsh é uma empresa com atuação nas áreas de riscos, resseguros e capital, pessoas e investimentos, bem como em consultoria de gestão, assessorando clientes em 130 países.
Já o Zurich Insurance Group é uma seguradora multi-ramo que conta com mais de 63 000 colaboradores, com sede em Zurique, na Suíça. Opera também em Portugal há cerca de 106 anos.
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