Acordo comercial UE-EUA congelado após ameaça de novas tarifas ligadas à Gronelândia
Decisão surge após presidente dos EUA ter anunciado uma taxa adicional de 10% para um grupo de oito países europeus que se opõe às suas pretensões de anexar a Gronelândia.
O Parlamento Europeu decidiu congelar a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e os EUA, em julho passado, para reduzir as tarifas comerciais para as exportações europeias para 15%. Suspensão é justificada pelas recentes ameaças de Donald Trump a um conjunto de países, por se oporem à anexação da Gronelândia pelos EUA.
Num comunicado divulgado online citado pelo Politico, Manfred Weber, presidente do Partido Popular Europeu (PPE), afirmou que face à escalada das tensões entre os EUA e a Europa o Parlamento não votará a favor do pacto, assinado por Donald Trump e pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em julho do ano passado, na Escócia.
O acordo comercial fixou um teto máximo de 15% nas taxas aduaneiras norte-americanas sobre a maioria dos bens europeus e isenções tarifárias para determinados produtos, afastando a ameaça de tarifas de 30%. Contudo, os desenvolvimentos dos últimos dias trazem nova incerteza sobre o pacto comercial.
Perante a resistência europeia às pretensões de anexar a Gronelândia, Trump ameaçou a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia com novas tarifas alfandegárias até que “um acordo seja alcançado para a venda completa e integral da Groenlândia”. Esta sobretaxa, de 10%, entrará em vigor a partir de 1 de fevereiro e poderá subir para 25% em 1 de junho, disse Trump.
“O PPE é a favor do acordo comercial UE-EUA, mas, tendo em conta as ameaças de Donald Trump relativamente à Gronelândia, a aprovação não é possível nesta fase“, escreveu Weber. “As tarifas de 0% sobre os produtos dos EUA devem ser suspensas”, acrescentou.
Já esta manhã, em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apelou aos EUA que respeitem o acordo comercial entre os dois blocos, mas prometeu resposta “firme, unida e proporcional” à imposição de taxas adicionais pelos Estados Unidos a países europeus devido à Gronelândia.
Na quarta-feira, os eurodeputados adiaram uma decisão sobre se deveriam congelar a ratificação do acordo, num contexto de tensões em torno da exigência de Trump de que a Dinamarca entregue a Gronelândia aos EUA. Era esperado um voto a 26 de janeiro, que definiria a posição do Parlamento Europeu sobre o levantamento das tarifas sobre os bens industriais norte-americanos, um dos pilares centrais do acordo alcançado entre Bruxelas e Washington no verão passado.
(Notícia atualizada às 16h40)
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