BRANDS' ECOSEGUROS Setor segurador em 2026: prioridades estratégicas para um setor em evolução estrutural
Os relatórios EY Global Insurance Outlook 2026 e EY Global Financial Services Regulatory Outlook 2026 revelam um setor chamado a combinar eficiência, inovação e confiança.
O setor segurador entra em 2026 a atravessar uma das maiores transformações das últimas décadas. O relatório EY 2026 Global Insurance Outlook, em articulação com o EY Global Financial Services Regulatory Outlook 2026, mostra um setor a operar num ambiente de volatilidade estrutural, com novos modelos de capital, avanços tecnológicos disruptivos e clientes e reguladores cada vez mais exigentes.

Os líderes do setor reconhecem que é urgente transformar-se: 66% dos CEOs consideram fundamental acelerar o ritmo da mudança, o que se reflete na necessidade de rever modelos de negócio, reforçar a resiliência operacional e procurar novas fontes de valor.
1. Pressões estruturais e novos desafios competitivos
O crescimento orgânico está a abrandar, pressionado por margens mais reduzidas e pela entrada de novos players e capital alternativo. As seguradoras devem apostar em estratégias de crescimento mais seletivas, como M&A direcionado, entrada em mercados complementares, integração vertical e consolidação e desinvestimentos em portfólios não core ou pouco rentáveis para libertar capital. Em tempos de incerteza, tornam-se ainda mais relevantes as estratégias mais ousadas, como adquirir InsurTechs, expandir capacidades e participar em ecossistemas alargados.
A eficiência operacional é essencial, não apenas para cortar custos, mas para reconfigurar o modelo de funcionamento: simplificar processos, rever estruturas de custos, reforçar a disciplina na alocação de capital e adotar abordagens de risco mais sofisticadas. O essencial é libertar recursos financeiros e organizacionais para investir em capacidades digitais, inovação e novas fontes de receita, garantindo que a eficiência se traduz numa transformação sustentável.
Ao mesmo tempo, o Regulatory Outlook da EY destaca um ponto crucial: a crescente fragmentação regulatória (EUA, UE, Reino Unido e Ásia) aumenta a complexidade para grupos multinacionais, exigindo respostas locais mais ágeis. Os supervisores colocam a resiliência operacional e a cibersegurança no topo das suas prioridades, exigindo que as seguradoras demonstrem capacidade para resistir a disrupções, ataques cibernéticos e falhas de terceiros.
2. Tecnologia e IA: da ambição à escala empresarial
As seguradoras estão a investir fortemente em IA, mas, para além de ganhos incrementais de eficiência, o verdadeiro potencial transformador ainda não foi alcançado. Perante este cenário, os conselhos de administração começam a reformular as suas estratégias de IA, conscientes de que a vantagem competitiva virá da capacidade de escalar a IA de forma transversal — desde o pricing ao sinistro, da gestão de risco à experiência do cliente — e de acelerar a tomada de decisões.
A evolução para IA agentiva e, mais tarde, IA neurossimbólica, vai aumentar ainda mais as exigências operacionais, tecnológicas e humanas, carecendo de novas competências, novos fluxos de trabalho e até novos modelos operacionais. No entanto, persistem ainda alguns obstáculos estruturais, sobretudo relacionados com a qualidade, segurança e acessibilidade dos dados, que continuam a limitar a escalabilidade da IA.
As organizações terão de adotar planos de ação flexíveis, capazes de integrar soluções prontas a usar. À medida que a IA evolui, também o conceito de produtividade mudará, redefinindo as métricas de desempenho. Os casos de uso de alto impacto, que reforcem o elemento humano do negócio e a eficácia das equipas, serão os mais propensos a tornar-se verdadeiramente transformadores para o setor.
Este salto tecnológico acontece num contexto de supervisão reforçada, com novos requisitos de explicabilidade, governação algorítmica, ética e transparência, como sublinha o Regulatory Outlook da EY.
3. Clientes no centro: a transformação que permanece
Apesar da complexidade, há um fator constante em ambos os relatórios da EY: a necessidade de aproximar a oferta aos clientes. As lacunas de proteção e poupança continuam a aumentar, enquanto os consumidores exigem experiências mais digitais, simples e personalizadas. O setor terá de inovar no desenho de produtos, explorar modelos como o embedded insurance, apostar numa oferta omnicanal e garantir uma integração fluida entre canais digitais e humanos.
Para além disso, será necessário responder aos crescentes gaps de proteção e poupança, assegurando modelos de distribuição claros, acessíveis e centrados no valor entregue ao consumidor.
Esta ambição está alinhada com as prioridades regulatórias referidas no Regulatory Outlook, onde a proteção do consumidor, a transparência, o tratamento justo e a promoção de “good consumer outcomes” assumem um papel central, refletindo a tendência para requisitos mais rigorosos na adequação das coberturas, clareza das apólices e práticas de mercado responsáveis. À medida que os reguladores aumentam as suas expectativas, o setor é chamado a demonstrar mais do que mera conformidade: deve mostrar evidências de Value for Money real — produtos que sejam compreensíveis, adequados e que proporcionem benefícios tangíveis para os clientes ao longo do ciclo de vida.
O que esperar de 2026
A vantagem competitiva em 2026 pertencerá às seguradoras que conseguirem combinar inovação com disciplina, reforçar a eficiência e a resiliência, e colocar a confiança — de clientes, reguladores e do mercado — no centro da sua proposta de valor. Num setor essencialmente humano, mesmo na era da IA, a confiança mantém-se como o seu maior ativo e o verdadeiro fator diferenciador.
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