Qualidade dos trabalhadores entre fatores mais valorizados para investir em Portugal

  • Lusa
  • 21 Novembro 2019

Os empresários colocam a qualidade dos trabalhadores portugueses entre as maiores vantagens comparativas da economia nacional. Por outro lado, o funcionamento da Justiça é o maior entrave.

Os empresários colocam a qualidade dos trabalhadores portugueses entre as maiores vantagens comparativas da economia nacional e apontam o funcionamento da Justiça, burocracia e instabilidade fiscal como os principais obstáculos ao investimento em Portugal.

Segundo o Observatório da Competitividade Fiscal em 2019, da Deloitte, divulgado esta quinta-feira, 79% dos empresários considera o acesso ao mercado europeu como uma das maiores vantagens comparativas da economia portuguesa, seguindo-se a qualidade dos trabalhadores portugueses (61%) e do ensino superior (51%).

Do lado oposto, e quando questionados sobre os maiores entraves à captação de investimento, o funcionamento da Justiça continua a surgir à frente, sendo apontado por 56% dos empresários, o que revela uma subida de 21 pontos percentuais face aos resultados da edição do ano anterior.

Para Luís Belo, Tax Leader da Deloitte, esta subida da percentagem de empresas que apontam o funcionamento da Justiça como uma das maiores dificuldades na atração de capital estrangeiro poderá ser “parcialmente” justificada “com o aumento dos processos em contencioso e a demora na administração da Justiça”.

No ranking dos maiores obstáculos, seguem-se os custos de contexto e a burocracia em geral (apontados por 55% das empresas) e a instabilidade do sistema fiscal (49%). Em ambos os casos se observa uma subida face aos valores revelados no Observatório Fiscal de 2018, em que estes dois fatores foram identificados como um entrave por, respetivamente, 43% e 37% das empresas.

Na vertente fiscal, Luís Belo destaca o facto de, nas respostas, os empresários terem sublinhado a “ausência de medidas suscetíveis de relançar a economia portuguesa e de apoio à competitividade do tecido empresarial português, designadamente ao nível do IRC”.

Dentro dos custos de contexto, os empresários veem o funcionamento dos tribunais (70%) e o licenciamento e autorizações camarárias (50%) como os fatores mais negativos.

Numa apreciação ao impacto das principais medidas fiscais inseridas no Orçamento do Estado para 2019, 46% dos empresários referem que este irá sobretudo contribuir positivamente para os objetivos de consolidação orçamental, mas uma percentagem semelhante (43%) entende que não terá “repercussões no relançamento da economia”.

O Observatório Fiscal 2019 indica que ainda que o OE em vigor “será irrelevante para a redução do desemprego (74%), promoção da pesquisa e desenvolvimento (70%) e incremento das exportações (70%)”.

O Observatório contempla também uma parte em que os empresários apontam as medidas que consideram que mais podem contribuir para uma melhoria das relações entre os contribuintes e a administração fiscal, com os resultados a indicarem que 57% defendem uma redução dos prazos de resposta ou resolução de dúvidas ou problemas com os contribuintes.

Ainda neste âmbito, 51% defendem uma maior formação dos funcionários e 40% uma redução da carga fiscal.

O inquérito que serviu de base ao estudo foi realizado em abril de 2019. Entre as 130 empresas que participaram no questionário, 94 identificaram-se.

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