“As pessoas adoram interagir pessoalmente, mas os eventos digitais reduzem as emissões de carbono”

Em 2019 a Web Summit emitiu 25.000 toneladas de gases poluentes. "Este ano é totalmente digital, logo a pegada de carbono é muito baixa", avalia Emmanuel Lagarrigue, CIO da Schneider Electric.

Depois de ter possibilitado que a Maratona de Paris se tornasse neutra em carbono no início de 2019, a Schneider Electric repetiu o feito no final do ano passado durante a terceira edição da Web Summit, com o objetivo de reduzir a pegada de carbono de um dos maiores eventos de tecnologia do mundo.

A Web Summit traçou a neutralidade carbónica como uma meta a atingir logo em 2019 e a multinacional de origem francesa trouxe todo o seu know-how até Lisboa, garantindo que a compensação das emissões de carbono da cimeira tecnológica feita pela Schneider Electric fosse equivalente a plantar mais de um milhão de árvores.

Este ano a Web Summit é 100% online e a sua pegada carbónica certamente bem menor, mas Emmanuel Lagarrigue, Chief Innovation Officer da Schneider Electric, está de regresso ao evento em 2020 com um propósito claro: “demonstrar as oportunidades de inovação de um novo mundo eletrificado, marcado pela transição para a energia digitalizada, descarbonizada e descentralizada”.

No ano passado o evento realizou-se presencialmente em Lisboa, e a nossa equipa de Serviços de Energia e Sustentabilidade foi capaz de calcular a eletricidade utilizada no espaço do evento, que foi de 23 MW, e estimar as emissões das viagens dos participantes em 25.000 toneladas de CO2 equivalente. De forma a tornar o evento neutro em carbono adquirimos eletricidade verde e compensações de carbono equivalentes à plantação de um milhão de árvores

Emmanuel Lagarrigue, Chief Innovation Officer da Schneider Electric

“O processo de transição energética será muito mais rápido do que se poderia pensar, devido às fraquezas do nosso sistema atual. As energias renováveis são descarbonizadas, fiáveis e aumentam a nossa independência energética, e em muitos países são até mais acessíveis do que as outras fontes de energia. As empresas já estão a investir neste tipo de energia, que a longo prazo é muito mais rentável; os edifícios já estão a aplicá-las com grande facilidade e resultados rápidos – a eletricidade proveniente de fontes renováveis é virtualmente 100% eficiente e pode ser utilizada e aproveitada localmente de forma flexível,” explica Lagarrigue, em entrevista por escrito ao ECO/Capital Verde.

“Temos já todas as bases delineadas para continuar a construir este novo mundo elétrico, mas é preciso que continuemos a progredir nesse sentido. É preciso que as empresas levem a sério este compromisso e aprendam a preparar a sua transição energética e como a podem acelerar.”

A própria Schneider Electric definiu o objetivo de, até 2030, conseguir que 80% de toda a sua eletricidade provenha de fontes renováveis. Até ao final de setembro, esta meta ia já nos 65%.

Nesta Web Summit, a empresa procura também novas startups para se juntarem ao seu programa Innovation at the Edge – através do qual realiza investimentos, forma parcerias e cria novas empresas que oferecem os serviços e tecnologias mais avançados, sempre com a sustentabilidade como meio e fim. A sua divisão especializada de capital de risco, SE Ventures, já investiu em mais de 20 empresas, e continua a fazê-lo apesar do momento económico incerto que o mundo vive.

Assim sendo, a Schneider Electric define claramente o tipo de startups que procura atualmente: empresas com ideias inovadoras em termos de tecnologia, software e modelos de negócio para diversas vertentes de energia – como veículo elétrico, armazenamento de baterias, gestão da energia doméstica e microgrids, entre outros. Procura também novos parceiros que possam integrar o seu ecossistema global, para proporcionar o melhor serviço e oferta aos clientes e inovar em conjunto.

“Na Schneider Electric acreditamos que as startups desempenham um papel muito importante no desenvolvimento das tecnologias e soluções de que o mundo precisa neste momento, pois têm ideias disruptivas que mantêm o mercado em constante evolução”, explica Emmanuel Lagarrigue. “Para crescer na indústria, estas empresas necessitam de um parceiro estratégico que as possa guiar e apoiar através do investimento e da construção de novos modelos de negócio. A Schneider Electric é o parceiro ideal: para além de lhes proporcionarmos verdadeira inovação, ajudamo-las a criar um ‘roadmap’ para a sustentabilidade, que lhes permitirá construir um novo futuro de energia limpa sustentado pela ‘clean tech’.”

A presença de Emmanuel Lagarrigue na Web Summit 2020 encerra esta sexta-feira com a masterclass “The energy transition will be driven by innovation”.

Uma vez que este ano o Web Summit é totalmente digital, a pegada de carbono é muito baixa. Embora as pessoas adorem interagir pessoalmente, uma das vantagens dos eventos digitais é mesmo esta: reduzem-se as emissões de carbono. Estima-se que a pandemia levou a uma redução de 8% das emissões globais de carbono em 2020

Emmanuel Lagarrigue, Chief Innovation Officer da Schneider Electric

Como foi a experiência de em 2019 fazer da Web Summit um evento neutro em carbono?

No ano passado o evento realizou-se presencialmente em Lisboa, e a nossa equipa de Serviços de Energia e Sustentabilidade foi capaz de calcular a eletricidade utilizada no espaço do evento, que foi de 23 MW, e estimar as emissões das viagens dos participantes em 25.000 toneladas de CO2 equivalente. De forma a tornar o evento neutro em carbono adquirimos eletricidade verde e compensações de carbono equivalentes à plantação de um milhão de árvores. A nossa equipa de especialistas aplicou o mesmo processo que utiliza nas empresas clientes para cumprirem os seus objetivos de sustentabilidade – ajuda-as a tornarem-se neutras em carbono ao implementar energia renovável no local, acordos de compra de energia (PPAs) e compensações de carbono, entre outras estratégias de sustentabilidade.

Este ano foi bem diferente. Qual foi o foco principal da Schneider Electric na edição de 2020 da Web Summit?

Uma vez que este ano o Web Summit é totalmente digital, a pegada de carbono é muito baixa. Embora as pessoas adorem interagir pessoalmente, uma das vantagens dos eventos digitais é mesmo esta: reduzem-se as emissões de carbono. Estima-se que a pandemia levou a uma redução de 8% das emissões globais de carbono em 2020, e embora isto pareça ser uma boa notícia, para se alcançar implicou a redução drástica dos voos e que as pessoas não pudessem sair de casa. Isto torna claro que precisamos de tirar partido das tecnologias digitais para oferecer eficiência e sustentabilidade e reduzir as emissões. O nosso objetivo no Web Summit é inspirar as empresas a progredirem ainda mais nos seus planos de sustentabilidade – preparando-se para um futuro de energia limpa que a pandemia acelerou, aumentando a eficiência, adicionando energia renovável no local, microgrids e carregamento de veículos elétricos.

Vieram em busca de starups para estabelecer parcerias e investir? Que perfil privilegiam?

Sim. Sabemos que não temos todas as soluções necessárias para o futuro e procuramos startups com ideias ousadas nas quais possamos investir e fazer parcerias. Trabalhamos com startups (em fases iniciais ou avançadas) com tecnologias ou modelos de negócio inovadores e que estejam a mudar o panorama das energias renováveis e microgrids, dos veículos elétricos, da gestão de energia doméstica e da automação industrial. Como parceiro estratégico, procuramos empresas e empreendedores a que possamos acrescentar valor e ajudar a crescer.

A Schneider Electric precisa da agilidade das startups e da sua capacidade para inovar?

Todas as grandes empresas são pensadas para gerir o seu negócio “core” e continuar a oferecer cada vez mais inovação e resultados lucrativos. Quando grandes empresas como a Schneider Electric procuram ideias disruptivas, precisam de estabelecer parcerias externas com empreendedores que possam olhar para os problemas dos clientes sob uma nova perspetiva. Pela nossa parte, podemos oferecer-lhes o nosso conhecimento, recursos e acesso a clientes, fazendo “matches” entre estes e startups com grandes ideias – é assim que parcerias mutuamente benéficas podem escalar ideias ousadas.

As empresas que estão a implementar iniciativas de eficiência energética veem o potencial que representa a redução de custos. Mas ainda há tanto mais a explorar, e de facto a International Energy Agency (IEA) prevê que as políticas de eficiência poderiam, por si só, reduzir em 40% as emissões, o que é necessário para cumprir os objetivos climáticos sem implementar novas tecnologias.

Emmanuel Lagarrigue, Chief Innovation Officer da Schneider Electric

Que ideias vai transmitir na masterclass “The energy transition will be driven by innovation”?

Nesta masterclass vamos partilhar as tendências que estão a acelerar a transição energética – a necessidade de energia resiliente, as alterações na procura e a eletrificação dos meios de transporte. Vamos partilhar o impacto que estas têm nas empresas, e como as empresas que se prepararem para um mundo cada vez mais eletrificado vão ter uma vantagem competitiva sobre as outras. Vamos também partilhar exemplos de startups que já estão a desenvolver sistemas de energia digitalizados, descentralizados e descarbonizados, e as oportunidades que existem para conseguirmos mais inovação.

No que diz respeito à eficiência energética, os cidadãos e as empresas já têm noção do seu potencial?

Sim e não. As empresas que estão a implementar iniciativas de eficiência energética veem o potencial que representa a redução de custos. Mas ainda há tanto mais a explorar, e de facto a International Energy Agency (IEA) prevê que as políticas de eficiência poderiam, por si só, reduzir em 40% as emissões, o que é necessário para cumprir os objetivos climáticos sem implementar novas tecnologias. As iniciativas de eficiência energética asseguram o consumo de energia mais baixo possível, um passo importante antes de realizar retrofitting com as novas tecnologias de produção de energia renovável.

O que podem fazer as empresas para liderar pelo exemplo a transição energética?

Todas as empresas devem fazer da sustentabilidade o ponto central da sua estratégia. É muito mais fácil incorporar a sustentabilidade desde o início do que alterar a estratégia numa fase posterior, e as expectativas dos investidores e clientes em relação a estas áreas aumentam a cada ano. Como parte da estratégia de sustentabilidade, as empresas devem pensar como podem preparar a eletrificação da maioria dos seus processos e como podem construir resiliência produzindo a sua própria energia. Isto cria vantagens de custo, agora que a energia renovável é mais acessível do que os combustíveis fósseis, na maior parte dos lugares. Se as empresas tiverem clientes ou colaboradores que esperam postos de carregamento para os seus veículos, devem começar a preparar essa situação agora, para que possam aumentar a fidelidade dos clientes ao seu negócio. Por fim, na perspetiva dos investidores, devem considerar-se investidores “de impacto” e olhar não apenas para o potencial retorno financeiro, mas também para o retorno ambiental e social. Há ainda problemas muito difíceis para resolver no combate às alterações climáticas, e é necessário encontrar os investidores e parceiros certos para pegar nas sementes das ideias e ajudá-las a crescer.

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