Miguel Pina Martins: “Quando a Sonae caiu, devíamos ter parado a OPV da Science4You. Foi um erro”

O fundador da Science4You reconhece que o timing do IPO da empresa de brinquedos não foi o melhor. Diz que foram cometidos erros na avaliação do mercado.

Após uma segunda tentativa, a ambição da Science4You de entrar na bolsa nacional falhou. A empresa de brinquedos didáticos desistiu da OPV que lhe permitiria angariar até 15 milhões de euros com a entrada de novos acionistas. Em entrevista por telefone ao ECO, Miguel Pina Martins fundador e CEO da empresa assumiu que a entrada em bolsa da Raize serviu de inspiração para a decisão de tentar fazer o mesmo com a Science4You, mas reconhece também ter sido um erro não ter parado quando falhou o IPO da Sonae Retalho.

Pina Martins, que diz que o falhanço da OPV “não é um adeus, é mais um até logo”, assume no entanto que em termos estratégicos, o revés na operação irá ter impacto nos investimentos planeados a nível de e-commerce e publicidade, mas não dramatiza. “O nosso mindset continua a ser o digital e o e-commerce, e é para aí que vamos continuar a apontar as nossas baterias”.

O que falhou na OPV?

Falhou o momento. A Raize foi a nossa grande inspiração para avançarmos. A Raize é uma empresa relativamente pequena e conseguiu ir buscar cinco milhões de euros. Foi nisso que nos inspirámos, mas infelizmente não aconteceu connosco. Era complicado adivinhar esse desfecho, mas é uma questão de momento. Não conseguimos chegar naquele momento em que houve uma série de OPV que tiveram um sucesso gigantesco, e depois entrámos numa altura em que começou tudo a ser cancelado. Não foi só a Sonae e a Vista Alegre, foi a Cepsa, a Leaseplan… Acima de tudo, não era o timing. Mas acho que também perdemos um pouco o momento quando adiámos a oferta, porque não conseguimos voltar a engrenar como aconteceu quando lançámos a oferta, em que os primeiros dias foram muito bons.

Quantas ordens de compra que foram dadas? Ficou muito aquém do pretendido?

Não podemos dar essa informação, porque a CMVM não nos deixa divulgar. Não ficou muito aquém, mas ficou aquém das nossas expectativas. Principalmente nesta segunda fase [no prolongamento da operação].

Acho que perdemos um pouco o momento quando adiámos a oferta, porque não conseguimos voltar a engrenar como aconteceu quando lançámos a oferta.

Como vão fazer agora para se conseguirem financiar?

Haverá outras fontes de financiamento. Seja através da banca, seja através de aumentos de capital… Há muitas opções em cima da mesa que podem surgir. Neste momento, para o plano que temos, não estamos propriamente com necessidades de financiamento.

Em termos estratégicos, o que muda?

O nosso plano estratégico está intacto, comparativamente ao que existia há nove meses ainda antes sequer de se pensar que a OPV seria uma possibilidade. Não vamos obviamente pôr em prática o mesmo plano que teríamos com mais oito milhões de euros. Vamos sim manter-nos como estamos. Ou seja, com um plano menos ambicioso, mas que mantém ambição e planos para que a Science4You tenha capacidade de crescimento e expansão.

Obviamente que os investimentos que tínhamos planeado a nível de e-commerce e muito investimento em publicidade, não vão poder acontecer com a mesma pompa e circunstância prevista, mas não altera o nosso mindset. Este, continua a ser o digital e o e-commerce, e é para aí que vamos continuar a apontar as nossas baterias a nível de crescimento para 2019 e 2020. Se calhar não com crescimentos de 50% como tivemos de 2016 para 2017, mas temos espaço para continuar a crescer a dois dígitos. Com um pouco menos de força mas, se calhar, de forma mais saudável e mais apontada para o cash flow e para a geração de EBITDA do que propriamente para a geração de vendas só por si.

Os investimentos que tínhamos planeado a nível de e-commerce e muito investimento em publicidade, não vão poder acontecer com a mesma pompa e circunstância prevista, mas não altera o nosso mindset.

Esse falhanço significa desistir definitivamente de uma OPV?

Não é um adeus. É mais um até logo. Não temos intenção de desistir, temos é de encontrar o momento não só para a empresa como para os mercados. Ou seja, em que os mercados estejam um pouco mais amigos, estejam a ocorrer outras operações, e em que as pessoas sintam mais confiança.

Acha que é possível uma nova tentativa ainda este ano?

Acho que é possível, mas não quer dizer que vá acontecer. Vamos ver como é que evolui o mercado e toda esta incerteza e volatilidade. Vamos avaliando o mercado e se se abre uma janela [de oportunidade]. Há muita coisa que está feita, muita aprendizagem a aproveitar e erros que cometemos neste processo que não vamos, de certeza, voltar a cometer.

Quando a Sonae cai, não digo que devíamos ter desistido, mas pelo menos ter decidido fazer as coisas com mais calma.

Quais os maiores erros que cometeram?

O principal erro teve a ver com a questão do mercado. Na altura da Sonae [falhanço do IPO da Sonae Retalho], quando falha a operação, podíamos ter dito “não vamos já. Vamos esperar um pouco”. Era possível. Avaliar o momento do mercado é fundamental e se fosse hoje, teria feito diferente, certamente. Quando a Sonae cai, não digo que devíamos ter desistido, mas pelo menos ter decidido fazer as coisas com mais calma.

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