Pandemia e momento desportivo sem impacto na procura por dívida do Benfica

O clube encarnado tem reforçado o financiamento em mercado para diminuir a dependência da banca. Após ter fechado uma emissão de obrigações, o CEO do Benfica anuncia que a estratégia vai mudar.

O Benfica voltou a financiar-se com uma emissão de dívida junto de pequenos investidores. A oferta, que pode ir até 50 milhões de euros, acabou na sexta-feira e os resultados serão conhecidos esta segunda-feira. O CEO do clube e administrador financeiro da SAD, Domingos Soares de Oliveira, avança ao ECO que a procura foi “interessante” e que não sentiu “nenhum efeito especial” da pandemia.

O SAD encarnada tem recorrido a obrigações ao retalho para se financiar em mercado, reduzir o endividamento e cortar com a banca. Depois de ter fechado o ano passado com uma dívida global abaixo dos 100 milhões de euros, a pandemia vai levar o Benfica de volta aos empréstimos bancários, como explicou Soares de Oliveira numa entrevista ao ECO por escrito.

Considera que a confiança dos investidores no SLB foi impactada pela pandemia?

Não conseguimos encontrar uma correlação direta entre as várias emissões e os momentos desportivos ou económicos que vivemos. A única coisa que podemos já afirmar é que, tendo em consideração alguns rácios que usamos para acompanhar a evolução da procura, não notámos nenhum efeito especial derivado da pandemia.

Avançaram para a emissão com um montante de 35 milhões de euros, mas acabaram por rever para 50 milhões de euros. Porquê? Chegaram aos 35 milhões facilmente?

O facto de termos revisto em alta o montante da oferta é um sinal de que a procura foi interessante, à semelhança do que temos feito em emissões anteriores.

Porque é que acha que há sempre tanta adesão à dívida do Benfica? É dinheiro poupado ou a atratividade do juro elevado?

Creio que é um misto de vários aspetos, entre os quais o que referiu. Mas creio que, principalmente, tem a ver com a credibilidade do emitente e do seu comportamento no mercado de emissões de dívida ao longo de mais de 15 anos.

Obviamente que [trocava o sucesso da emissão pelo sucesso no campeonato]. O nosso objetivo final é o sucesso desportivo.

Domingos Soares de Oliveira

CEO do Benfica

Tendo em conta que fizeram um reembolso recentemente, para que servirá o encaixe financeiro?

Fizemos dois reembolsos este ano, num total de quase 75 milhões de euros. Já tínhamos previsto fazer uma emissão de montante mais baixo, pelo que esta emissão não é uma surpresa mas sim um retomar do processo que foi suspenso em março passado.

Qual a dependência do Benfica da banca atualmente? Consideram fazer novas emissões para o retalho?

A dependência é muito reduzida. Mas contamos voltar a trabalhar com a banca portuguesa durante a próxima época desportiva.

A que é que se deve essa inversão na vossa estratégia? Quanto financiamento vai ser preciso e com que bancos estão a pensar fazê-lo?

A Benfica SAD tem trabalhado pouco com os bancos nacionais, essencialmente por restrições impostas aos bancos e não por falta de vontade de ambas as partes. No entanto, estas restrições têm vindo a ser levantadas e já há hoje bancos portugueses disponíveis para estudar mecanismos de financiamento à nossa SAD.

Assim sendo, e não havendo para já nenhuma operação em estudo, é previsível que no médio prazo venhamos a ter também a banca ou alguns bancos como parceiros na nossa atividade.

Tem medo que uma segunda vaga do vírus impossibilite uma nova operação?

Qualquer situação que afete significativamente a economia e a poupança dos investidores poderá sempre representar um risco para emissões futuras. Mas como disse, ainda não sentimos esse efeito em emissões anteriores.

Trocava o sucesso da emissão pelo sucesso no campeonato?

Obviamente que sim. O nosso objetivo final é o sucesso desportivo. Tudo o que fazemos do lado económico visa apenas e só criar condições para que, de forma sustentável, tenhamos mais e melhores condições para alcançar o sucesso desportivo.

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