Universidade Europeia abre novo campus que “pode chegar a sete mil alunos”

Reitora da Universidade Europeia defende, em entrevista ao ECO, que instituições de ensino superior privado deveriam ser mais ouvidas. Tenciona dizê-lo esta segunda-feira ao Ministro da Educação.

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, ruma esta segunda-feira a Moscavide, em Lisboa, para a inauguração do novo campus da Universidade Europeia. São 17 mil metros quadrados, que permitirão a essa universidade vir a acolher sete mil alunos, avança a reitora, Hélia Gonçalves Pereira, em entrevista ao ECO.

“Temos nos programas conferentes de grau (licenciatura e mestrado) cerca de cinco mil estudantes no Oriente e poderemos chegar aos cerca de sete mil”, adianta a responsável, que garante que a procura tem crescido, passando ao lado da tendência decrescente sentida no ensino superior público. Neste momento, das novas vagas solicitadas em 36 programas, 900 já estão aprovadas pela agência responsável, acrescenta a mesma.

A par da aposta neste novo campus presencial (que passa a acolher integralmente o IADE e os programas de gestão e formação), a Universidade Europeia, indica Hélia Gonçalves Pereira, tem também investido no ensino à distância, com 27 programas (licenciaturas e mestrados) já acreditados e três mil alunos inscritos.

“Vemos no ensino à distância uma oportunidade enorme de crescimento para a instituição, mas também de podermos promover a qualificação de adultos profissionais“, enfatiza a reitora.

Novo campus da Universidade Europeia, em Moscavide. Luís Ribeiro/ECO

Estamos no novo campus da Universidade Europeia. O que vos levou a fazer este investimento

Este espaço é o culminar de um sonho e de uma estratégia de desenvolvimento, com um crescimento efetivo do número de estudantes. Até ao momento em que formalizámos o contrato de arrendamento a 20 anos com este espaço, estávamos muito travados do ponto de vista de crescimento. Tínhamos três campus, que não nos permitiam crescer por falta de espaço. Temos tido uma procura sucessivamente maior, mas não podíamos agarrar esse potencial, porque não tínhamos espaço. Este campus representa 17 mil metros quadrados novos e a possibilidade de continuarmos a apostar no nosso modelo académico, na qualificação do nosso corpo docente, na investigação, e em trazer mais e melhores estudantes.

Portanto, com este novo campus há um reforço das vagas? Quantos alunos passam a poder acolher?

Sim, há, em consequência direta deste novo campus. As vagas fazem parte de um processo de acreditação, no que diz respeito a licenciaturas, mestrados e doutoramentos, que passa por uma avaliação por parte da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). No ano passado, encetámos um projeto que tenho absoluta convicção que é único no ensino superior em Portugal, que foi o de solicitar em 36 programas de licenciatura e mestrado mais vagas junto da A3ES. Ainda não temos todos os processos fechados, mas já conseguimos cerca de 900 vagas a mais em programas de licenciatura e mestrado. Permite-nos ir ao encontro do aumento da procura. Este novo campus poderá chegar aos sete mil alunos em programas conferentes de grau.

Neste momento, quantos alunos têm neste campus?

Neste momento, temos nos programas conferentes de grau (licenciatura e mestrado) cerca de cinco mil estudantes no Oriente e poderemos chegar aos cerca de sete mil. Temos uma capacidade de crescimento grande. Pretendemos, no conjunto das nossas instituições em Portugal, terminar o ano de 2025 com cerca de 13 mil estudantes, mas em dois ou três anos, com certeza que este número incrementar-se-á em pelo menos 20%.

O que existiu por parte dos estudantes e também dos pais foi, havendo o risco de não entrar numa instituição de ensino superior público, procurar garantir uma vaga numa instituição de referência no ensino superior privado. Beneficiámos disso.

No concurso nacional de acesso ao ensino superior público, o número de candidatos e colocados caiu de forma significativa este ano. Registaram a mesma tendência na Universidade Europeia?

Não sentimos. Pelo contrário. Penso que acabou por ter um efeito positivo na nossa instituição. Aquilo que penso que existiu por parte dos estudantes e também dos pais foi, havendo o risco de não entrar numa instituição de ensino superior público, procurar garantir uma vaga numa instituição de referência no ensino superior privado. Beneficiámos disso, porque em áreas como a psicologia, a gestão, a animação, o gaming e o direito, temos as vagas totalmente esgotadas há alguns meses. Isto diz bem também do esforço que tem como consequência resultados reputacionais da Universidade Europeia, que passou a ser claramente uma primeira escolha, quando falamos de ensino superior privado.

O novo campus de algum modo tornou a Universidade Europeia também mais atrativa para potenciais candidatos?

Não tenho qualquer dúvida. O esforço que temos feito ao longo destes últimos anos tem significado uma muito maior notoriedade para a Universidade Europeia. Não posso deixar de referir à acreditação institucional a seis anos, a avaliação com excelente e muito bom de três unidades de investigação, e o facto de termos uma candidatura aprovada numa aliança de universidades europeias. Mas o campus acaba por ser a face visível de todo este projeto de desenvolvimento.

Hélia Gonçalves Pereira, reitora da Universidade Europeia, em entrevista ao ECO.Luís Ribeiro/ECO

Falou em 900 novas vagas já aprovadas. Tem planeado um reforço dos recursos humanos para acompanhar essa evolução?

Sim, há. Nos últimos quatro anos, contratámos quase 176 professores. É mais uma das evidências de crescimento. Não podemos querer ter mais vagas e mais novos programas, e não capacitarmos esses programas dos professores mais qualificados, que nos permitam realmente cumprir com tudo aquilo que são os requisitos de natureza legal que se impõem. Abrimos cerca de 50 concursos de progressão de carreira, e mais do que duplicámos o número de professores associados na nossa instituição.

Este novo campus inclui 80 salas de aula interativas, três auditórios e uma biblioteca multifuncional. O que é que vai mudar na experiência do aluno e no vosso modelo académico?

Vai mudar muito e a vários níveis. O IADE estava instalado no campus de Santos e tinha cerca de sete mil metros quadrados, dos quais 400 metros quadrados eram de espaços de laboratórios. Neste novo campus, passámos de 400 metros quadrados para dois mil metros quadrados. Incrementámos também do ponto de vista de investimento em equipamentos, em mobiliário, em capacitação para oferecer aos nossos estudantes as melhores condições para uma experiência que queremos que seja marcante na sua vida. Além disso, apostámos também em trazer cada vez mais os melhores parceiros para desafiar os nossos estudantes. Temos também neste novo campus um novo laboratório de simulação: temos contratada uma companhia de atores que vem para dentro do campus cenarizar experiências de aprendizagem em torno de contextos reais de trabalho. Por exemplo, uma consulta de psicologia com um doente que padece de um problema de saúde mental.

Fazemos parte de um consórcio que tem outras nove universidades. Vamos ter um financiamento para os próximos quatro anos de cerca de nove milhões de euros que vêm da Comissão Europeia, que nos permitirá alavancar a dimensão da internacionalização.

Disse que têm uma candidatura aprovada numa aliança de universidades europeias. O que está em causa?

Fazemos parte de um consórcio que tem outras nove universidades. Vamos ter um financiamento para os próximos quatro anos de cerca de nove milhões de euros que vêm da Comissão Europeia, que nos permitirá alavancar a dimensão da internacionalização. Vai abrir muitas portas ao nível da mobilidade de estudantes, que poderão fazer dentro do espaço desta aliança intercâmbios de forma muito mais facilitada e com financiamento. Permite também o financiamento de mobilidade para os nossos professores, nossos investigadores e colaboradores não docentes. Cremos também que nos abrirá portas para criar redes mais consistentes para projetos de investigação com financiamento competitivo. Permitirá também apostar em graus em associação. Queremos apostar pelo menos na concretização de um doutoramento em associação.

Além desta dimensão de internacionalização, têm apostado também no ensino à distância. Neste momento, quantos cursos e alunos têm neste vosso braço?

Este projeto do ensino à distância nasce em 2020, depois da alteração da lei de graus e diplomas que passou a permitir em Portugal a oferta de licenciaturas, mestrados e doutoramentos em regime 100% ou parcialmente à distância. Vemos no ensino à distância uma oportunidade enorme de crescimento para a instituição, mas também de podermos promover a qualificação de adultos profissionais. Tínhamos uma experiência muito relevante com os nossos parceiros em Espanha. Pertencemos a um grupo ibérico e em Espanha já temos, neste momento, cerca de 20 mil estudantes em regime totalmente à distância. Fomos submetendo programas à A3ES. Talvez gostássemos de ver ainda mais acelerado este projeto, mas tem sido um processo extremamente bem-sucedido. Vimos os primeiros programas acreditados em 2022 e chegamos a 2025 com 27 programas de licenciatura e mestrado já acreditados.

Hélia Gonçalves Pereira, reitora da Universidade Europeia, em entrevista ao ECO.Luís Ribeiro/ECO

Quando diz que gostaria que o processo tivesse sido mais célere, foi a própria agência que não teve o ritmo desejável?

Procuro ter uma relação com a A3ES muito musculada, mas ao mesmo tempo institucionalmente muito saudável. O professor João Guerreiro, presidente da A3ES, deu uma entrevista recentemente e apresentou o número de 26 programas submetidos em regime 100% à distância junto da A3ES em 2024. Posso partilhar que, destes, 25 foram da Universidade Europeia. Basicamente, somos a única instituição a chegar à porta da A3ES e a dizer que, para nós, o ensino à distância é uma enorme oportunidade.

Nos programas à distância que já têm acreditados, quantos alunos têm?

Vamos fechar este ano 2025 com cerca de três mil estudantes, entre licenciaturas, mestrados e formação executiva.

Acho que hoje o adulto profissional se dá o direito de ter a capacidade de transformar mais sonhos em realidade.

Qual é o perfil destes alunos? E de que modo se diferencia do perfil de quem frequenta o vosso campus presencial?

O estudante de programas de ensino à distância deverá ter, pelo menos, cinco anos de experiência profissional. Temos, neste momento, uma média de idades em torno dos 37 anos, o que diz bem de como esta aprendizagem ao longo da vida é uma premissa da qual também cada um de nós individualmente não se quer perder. Porque este estudante com dez, 15 ou 20 anos de experiência profissional procura um de três objetivos: fez uma formação há 20 anos e percebe que tem que atualizar conhecimentos; nunca fez uma formação ao nível superior e percebe que hoje, com o mercado profissional cada vez mais competitivo, tem de ter um conjunto de competências e instrumentos; ou são pessoas que querem fazer uma mudança de carreira.

Até porque a duração média da vida de trabalho tem vindo a aumentar. Portanto, há mais margem para experimentar várias saídas profissionais.

Acho que hoje o adulto profissional se dá o direito de ter a capacidade de transformar mais sonhos em realidade.

Têm um novo campus presencial, mas também uma aposta forte no ensino à distância. Um não vai substituir o outro?

Não, de todo. O ensino à distância é altamente complementar. Não vamos transformar-nos numa instituição de ensino à distância. O que queremos é ter a capacidade de ter uma oferta formativa que vá ao encontro a todas as necessidades existentes no mercado.

Hélia Gonçalves Pereira, reitora da Universidade Europeia, em entrevista ao ECO.Luís Ribeiro/ECO

Recebem esta segunda-feira o ministro da Educação. Se lhe pudesse indicar uma prioridade de reforma do ensino superior, o que é que apontaria?

Tenciono dizer-lhe que preciso que as instituições de ensino superior privado sejam mais ouvidas e mais envolvidas nos processos de decisão. Os reitores das instituições de ensino superior privado não fazem parte do conselho de reitores. Existe a Associação de Instituições de Ensino Superior Privado, da qual saímos, porque pensamos que é necessária uma visão mais arejada. Quero muito que este nosso frenesim de inovação possa, de alguma forma, ser contagiante para um Ministério que tem projetos muito desafiantes pela frente. E um dos projetos é garantir que o ensino superior seja realmente a porta de entrada num futuro que, em muitos casos, não conhecemos ainda. Estamos a formar pessoas, em muitos casos, para profissões que ainda não existem. Essa capacidade de antecipação tem que implicar o envolvimento de todos.

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