Algarve, Lisboa ou Norte. Qual a direção certa para ganhar mais no setor hoteleiro?

Salários no setor são 11% e 8% inferiores, no norte e do Algarve, aos praticados em Lisboa. Significa isto que trabalhar num hotel da capital pode significar mais de 2.000 euros no salário anual.

A hotelaria é uma das áreas em que os salários dos profissionais dependem, em grande escala, da zona geográfica do local de trabalho. Quer isto dizer que, em algumas profissões deste setor, trabalhar em Lisboa pode significar ganhar mais de dois mil euros por ano do que trabalhar no norte do país. Já num estabelecimento hoteleiro do Algarve, o ordenado do mesmo profissional estaria situado entre os valores de Lisboa e do norte do país. De acordo com o estudo Total Compensation, da Mercer, os salários no setor hoteleiro são cerca de 11%, no caso do norte, e 8%, no caso do Algarve, inferiores aos registados em Lisboa.

Para ilustrar estas discrepâncias, com a ajuda da consultora Mercer, fizemos um levantamento de quatro profissões no setor hoteleiro e dos respetivos salários praticados, consoante a região do país.

Infografia: Lídia LeãoLídia Leão

Começando pelas funções de restauração, ser chefe de mesa é a profissão que, entre as quatro analisadas, revela a maior diferença salarial entre regiões. Para este profissional, trabalhar num hotel localizado na capital do país traduz-se em mais 2.237 euros, ao final do ano, na carteira. Isto comparado com o salário de um chefe de mesa que trabalhe no norte de Portugal.

Já um cozinheiro de 3.ª, em Lisboa, recebe um salário médio anual bruto de 11.200 euros, enquanto no Algarve o valor baixa para 10.500 euros e no Norte para 9.487 euros.

Infografia: Lídia Leão Lídia Leão

Em situação semelhante está um rececionista de 2.ª que, num hotel de Lisboa, aufere um salário médio anual bruto de 11.071 euros e, no Algarve, o valor baixa para 10.500 euros. Se este mesmo profissional trabalhasse no norte, o seu ordenado encolhia ainda mais.

A partir daqui as diferenças salariais, ainda que existam, começam a esbater-se. Para um empregado de quartos, a diferença anual entre o salário praticado na capital e o registado no norte é de pouco mais de 400 euros.

Sexo masculino, até 40 anos, com o 12.º ano e há menos de sete anos anos na empresa

Além das diferenças salariais entre regiões, o estudo da consultora traçou, ainda, um perfil da força de trabalho no setor hoteleiro nacional, quer em termos de habilitações, faixa etária, género ou antiguidade na empresa.

Começando pelo género, a maioria dos profissionais desta área são homens, ainda que a diferença não seja muito acentuada. Já em matéria de qualificações, a conclusão do estudo foi que os colaboradores têm, de maneira geral, habilitações “abaixo das encontradas no mercado geral”, destaca a consultora.

Apenas 18% dos colaboradores do setor frequentaram o ensino superior, sendo o ensino secundário a formação mais prevalente.

Relativamente à idade da população ativa, 60% dos profissionais do setor hoteleiro têm até 40 anos e 20% até 25 anos. Isto, face ao mercado geral (onde apenas 31% dos colaboradores têm até 40 anos e só 3% até 25 anos) significa que a força de trabalho no setor hoteleiro é bastante mais jovem. Outro dos aspetos em que as diferenças se acentuam é a antiguidade dos colaboradores na empresa. Na área hoteleira, 75% dos colaboradores está nas organizações há menos de sete anos e 65% há menos de três anos. Nos outros setores do mercado, apenas 31% da população ativa tem antiguidade na empresa inferior a sete anos.

Infografia: Lídia LeãoLídia Leão

Por outro lado, e à semelhança do mercado global, é possível identificar um desequilíbrio salarial entre géneros. “Observam-se de forma consistente salários superiores na população masculina. Este desequilíbrio é particularmente significativo ao nível das funções de direção, onde se observa não só um desnível mais acentuado, como também uma predominância de titulares do sexo masculino”, refere a Mercer.

Para realizar este estudo, a consultora analisou o perfil de 90 unidades hoteleiras, distribuídas de norte a sul do país. Nesta amostra, 28% dos estabelecimentos hoteleiros têm mais de 500 colaboradores, 36% tem entre 100 a 500 e 36% tem menos de 100 trabalhadores.

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