Leia as visões de 44 CEO de grandes empresas sobre a a principal decisão do Governo para 2026 e os principais riscos e oportunidades para os seus setores.
Ana Diogo, General Manager da Burger King Portugal
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
A decisão mais importante que o governo português poderá tomar em 2026 é reforçar a colaboração entre os setores público e privado. Todas as partes interessadas devem trabalhar em harmonia para construir um futuro mais robusto e sustentável nas dimensões ambientais, sociais e económica. Esta parceria estratégica não só acelerará o progresso em várias áreas, como também garantirá um desenvolvimento abrangente. Ao unirmos forças, podemos criar um impacto duradouro e enfrentar eficazmente desafios complexos, enquanto satisfazemos as expectativas da sociedade.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Em 2026, o nosso setor enfrentará riscos contínuos, como a inflação e a pressão sobre as margens operacionais. Estes desafios exigem maior eficiência e digitalização acelerada para otimizar as operações e melhorar a experiência do cliente. Em paralelo, existem oportunidades significativas. Os consumidores de hoje são mais sensíveis aos preços, mas valorizam muito a qualidade, a rapidez e a sustentabilidade. Isto cria espaço para empresas que inovam e se alinham com esses valores. O nosso objetivo é manter preços competitivos sem sacrificar a rentabilidade, oferecendo uma proposta de valor superior que atenda às expectativas de um mercado em evolução.

Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
As previsões oficiais para o próximo ano em Portugal apontam para um crescimento económico na ordem dos 2,2% (na Zona Euro estima-se de 1,2%), uma inflação controlada em torno dos 2% e uma descida nas taxas de juro. Neste cenário, que é otimista e vai ser impulsionado pela execução do PRR, as políticas públicas devem mostrar as matérias que são centrais para o Governo, com o setor dos resíduos a ter de ser uma prioridade em 2026. Para a Sociedade Ponto Verde, é fundamental que o próximo ano traga condições de previsibilidade e estabilidade regulatória, e assegure a prestação de um melhor serviço aos cidadãos. Só através de uma operação mais otimizada e eficiente será possível recolher mais e melhor as embalagens, e o País cumpra as metas comunitárias com as quais está comprometido e se inicie um caminho de convergência com a Europa no índice da Economia Circular, em que estamos manifestamente atrasados.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O próximo ano será de transformação profunda no setor dos resíduos para que o País consiga aumentar, de forma significativa, a recolha seletiva de resíduos urbanos, nomeadamente embalagens, e cumprir as metas. Entendemos que são mudanças positivas que trazem oportunidades e temos, em conjunto, de encontrar a melhor forma de as maximizar. Por um lado, vamos ter embalagens de bebidas de uso único a transitar do SIGRE (Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens) para o SDR (Sistema de Depósito e Reembolso), o que vai potenciar um melhor nível do serviço, mas será exigente na coordenação entre os vários parceiros do setor e na comunicação aos cidadãos, que tem de ser clara ao tratar-se de um novo modelo de gestão de resíduos em Portugal. Paralelamente, o País vai ter de acelerar em matéria de bioresíduos, uma operação que, sendo bem executada, aumentará também a recolha seletiva destes resíduos e, consequentemente, serão desviados dos aterros. Também no plano legislativo enfrentaremos desafios, já que há várias alterações previstas, como o Circular Economy Act, cuja implementação terá de ágil e adequada à nossa realidade, beneficiando o setor. O próximo ano será, portanto, de grandes mudanças e muito exigente, mas a nossa ambição é clara: converter estes planos em resultados práticos que nos permitam atingir com sucesso as metas de reciclagem de embalagens.

António Brochado Correia, CEO da PwC Portugal
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
O Governo tem em mãos uma grande tarefa de desenvolver um país que, nos primeiros 20 anos deste século, praticamente não cresceu na produção nem na riqueza criada, mas apenas na receita cobrada e na dívida gerada, pelo que há várias áreas transversais e setoriais com necessidade de investimento e concretização de políticas e estímulos à concretização. Nas áreas transversais, o Governo deverá avançar com um programa de educação que privilegie a literacia e a cidadania, áreas fundamentais num mundo motivado por tecnologia, e, em simultâneo, o fortalecimento nacional de formação em matérias de inteligência artificial, onde o país está atrasado relativamente aos seus pares. Esta formação é fundamental para que empresas e cidadãos estejam alerta e possam integrar os benefícios desta tecnologia, ao passo que mais literacia, empatia e cidadania serão os distintivos num mundo movido por máquinas e IA. No setorial, o Governo deve tudo fazer para fomentar a indústria no país, aumentando o seu peso no PIB, que é hoje cerca de 13%, aproveitando o bom momento de atração de investimento que o país vive, os programas da UE para dinamização do setor da defesa e segurança, nomeadamente o SAFE, onde estão previstos 5,8 mil milhões de euros, e um maior alinhamento com os empresários nacionais e internacionais que pretendam investir no país, eliminando ou reduzindo de modo significativo o que obstrui esta evolução. Considero que a indústria, que hoje todos os países procuram, é determinante no desenvolvimento do país e na criação de riqueza para os nossos cidadãos, pois foram aqueles cujo peso da indústria é superior a 20% que maior desenvolvimento tiveram.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
No meu setor, vejo mais oportunidades do que riscos. Estando Portugal num período de evolução em várias áreas, a firma que represento pode ser um parceiro essencial nesta evolução, seja como parceiro do Governo, na compreensão das tendências e melhoria na implementação das ações, seja como apoio e suporte à prevenção e ação empresarial nas matérias que afetam o sucesso empresarial, desde o talento necessário, a tecnologia, o apoio à conformidade com a lei e regulamentos ou à estratégia. Antecipo um bom ano de 2026 e acredito que também o será para o país, aproveitando bem as oportunidades que estão à nossa frente e mitigando os riscos.
António Carlos Rodrigues, CEO do Grupo Casais
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
A principal decisão em 2026 passa por apostar no crescimento das empresas portuguesas como motor da economia. O relatório Draghi lembra que a Europa deve olhar para dentro, e Portugal pode dar esse exemplo. Temos conhecimento, escala e competência. O Governo deve atrair capital financeiro para parcerias, mantendo o trabalho e a criação de valor nas empresas portuguesas.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O maior risco em 2026 surge com a criação de um estigma sobre as empresas portuguesas, num setor que exige agilidade e estabilidade regulatória. A oportunidade reside num enquadramento fiscal claro e previsível. O exemplo do IVA na habitação mostra como interpretações futuras, (como está a acontecer com a reposição do Iva a 23% nas ARUs), podem abalar a confiança e travar decisões empresariais.

António Lagartixo, CEO da Deloitte Portugal
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Continuar a apostar de forma inequívoca na transformação da nossa competitividade e produtividade. Com o aumento da competitividade e produtividade do nosso tecido empresarial, existem melhores condições para a melhoria sustentada da economia e consequentemente das condições de vida dos nossos concidadãos. Segundo o Eurostat, Portugal permanece na cauda da Europa no que à adoção da IA diz respeito, expondo a nossa economia a sérios riscos no futuro. A distância face a países digitalmente mais maduros como a Suécia ou a Dinamarca é significativa e fragiliza a posição nacional à medida que as tecnologias emergentes assumem um papel central na estratégia de vários Estados-Membros e da própria Comissão Europeia. Em 2026, é, por isso, fundamental que o país e o Executivo continuem a apostar na otimização do Estado e na adoção de novas tecnologias, com base no investimento em inteligência artificial. Esta deve, aliás, ser a prioridade estratégica do país, nomeadamente no setor público, e, em especial na área da educação. No atual contexto geopolítico e geoeconómico, Portugal têm de reforçar o seu posicionamento, no mercado europeu e internacional, como uma economia digital com alianças comerciais estratégicas na área das tecnologias emergentes. É, igualmente, crítico acompanhar a transformação empresarial nas PME, dado seu o peso na nossa economia e a sua fraca capacidade de adoção de tecnologia emergente quando comparadas com as grandes organizações. E, nesta matéria, a OCDE tem sido perentória ao alertar que a incapacidade de investimento na IA poderá comprometer a criação de riqueza, e, acima de tudo, significar uma perda de competitividade face a economias digitalmente mais maduras. Acelerar a adoção da IA é uma condição necessária para garantir o crescimento sustentado da economia portuguesa.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Vamos continuar a assistir a um período de acelerada transformação na área de serviços profissionais e tecnologia, em que a nova realidade tecnológica está a redefinir o mercado de trabalho e, de forma mais abrangente, o próprio conceito de sociedade. Perante este cenário, parece-me que as organizações destes setores têm de olhar de forma cuidada para dois importantes eixos estratégicos de desenvolvimento: a inovação tecnológica e o talento. Não apenas para os setores onde a Deloitte se insere, mas para Portugal como um todo, o investimento na modernização e inovação tecnológica é, acima de tudo, um passo certo para garantir a nossa competitividade. Neste sentido, a adoção generalizada da IA, da automação ou de agentes autónomos que são já uma realidade, podem ajudar Portugal a afirmar-se como um hub tecnológico de referência na Europa. A este propósito, a Deloitte lançou recentemente a Global Agentic Network para potenciar as capacidades da força de trabalho digital, impulsionada por IA, nas organizações. Portugal desempenha um papel central e estratégico nesta rede ao liderar o desenvolvimento e implementação de soluções Agentic AI, o que reforça a posição do nosso país como um dos principais polos tecnológicos dentro da rede global da Deloitte. Um dos cinco centros globais de Agentic AI estará localizado em Portugal, sendo os restantes no Canadá, Índia e Egito. Este é um exemplo claro de que há capacidade para estarmos na frente da revolução tecnológica e que, por isso, esta área deve ser vista como um motor económico. É aqui que o talento assume também um papel muitíssimo relevante. A tecnologia só poderá adicionar valor se formos capazes de preparar as pessoas para retirarem o máximo partido das suas potencialidades, o que irá exigir uma mudança de mentalidade e uma capacidade de aprendizagem contínua. Será determinante uma aposta sólida na educação e na qualificação do talento nacional que permita reduzir o gap de produtividade e evitar a fuga de quadros qualificados para o estrangeiro.

António Pires de Lima, CEO do Grupo Brisa
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Enquanto gestor quero eleger a Reforma da Justiça, nomeadamente administrativa e fiscal, como a maior prioridade. Atualmente, os líderes empresariais têm de navegar um tempo e imprevisibilidade na administração da Justiça que é um cancro para a competitividade e atração de investimento. Os litígios fiscais e administrativos deixaram de poder ser sanados diretamente em arbitragem, ao serem sistematicamente empurrados, recurso a recurso, para o Supremo Tribunal Administrativo. É uma morosidade acrescida e uma imprevisibilidade que afectam a competitividade empresarial. Dana muito negativamente a relação das empresas com o Estado.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Enquanto cidadão comprometido e preocupado com o futuro do nosso país, temo que possamos não encontrar um equilíbrio saudável na nossa política migratória, entre a regulação – que é necessária – e cenários mais restritivos, que podem impactar muito negativamente o crescimento económico e a sustentabilidade da Segurança Social.
É inegável que precisamos da imigração para garantir a continuidade do crescimento populacional e económico. Mas também me preocupa a capacidade de integrar adequadamente as pessoas que chegam e a capacidade de resposta habitacional e do Estado social. Precisamos de olhar para este tema de forma pragmática, equilibrada e inteligente. Outro risco para a sustentabilidade do setor das infraestruturas é o da banalização das exceções ao princípio do utilizador-pagador e isso resultar no fim da matriz que tem permitido estabelecer racionalidade no desenvolvimento do sector rodoviário em Portugal. O Estado português já perdeu mais de 500 milhões de euros por ano com as isenções de portagens criadas desde 2018. Com a fragmentação política existente, esta perigosa tendência irá continuar?

António Portela, CEO da Bial
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Deve haver uma séria aposta no crescimento da economia dando condições às empresas para investirem e criarem valor. É importante apostar nos setores inovadores e exportadores, reduzindo a burocracia, com resultados concretos. Será muito positivo que se possa incentivar as empresas e os acionistas a investir e a incentivar os seus colaboradores a serem mais produtivos. Para isso, é necessário rever as políticas fiscais sobre as empresas e reduzir o “garrote” fiscal sobre os trabalhadores.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
A conjuntura internacional é muito desafiante e devemos preparar-nos para eventuais cenários menos positivos. Mantendo a estabilidade, Portugal tem oportunidades importantes para aproveitar. Devemos apostar no crescimento do setor da saúde, incentivando o investimento em I&D, industrial, parcerias com empresas nacionais, exportações e ensaios clínicos.

Bruno Ferreira, managing partner da PLMJ
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Temos de ser muito melhores e muito mais eficientes na gestão dos temas relacionados com a imigração e residentes não habituais. Portugal precisa de uma AIMA organizada, ágil, robustecida que seja capaz de dar respostas em tempo a quem procura o país para viver, de acordo com os critérios que existam para receber cidadãos estrangeiros em Portugal. E esta capacidade de resposta é a mesma que se exige nas portas de entrada em Portugal, designadamente o aeroporto de Lisboa. Não são temas de somenos, se pensarmos nas necessidades que temos de investimento, de mão-de-obra, de natalidade. Não temos tido o sentido de urgência nestas matérias que se exige dadas as características de Portugal (dimensão, escala, necessidades de capital, etc.)
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Do lado dos desafios – mais do que riscos – vejo a adoção da Inteligência Artificial. Mais do que pensar no impacto que terá num futuro mais ou menos próximo em termos de pessoas, preocupa-me sobretudo que a adoção de IA possa, numa primeira fase, comprometer a qualidade do trabalho. Como é que garantimos que a adoção é generalizada e feita com total rigor ético e profissional é algo que os vai ocupar certamente em 2026 e nos anos seguintes. Também a captação de talento e a sua retenção continuam a ser temas críticos. E, do ponto de vista da assessoria jurídica, claramente a área de Projetos e Infraestruturas, que será crítica em Portugal na próxima década, Energia, Defesa e segurança dos dados, serão áreas de grande crescimento.

Chiara Manfleti, CEO da Neuraspace
Qual é a principal decisão que o Governo deverá tomar em 2026?
A decisão central que se coloca aos governos europeus em 2026 é saber se a Europa continuará a ser um espaço bem coordenado de cooperação ou se se tornará um ator mais integrado, capaz de ação coletiva. Este já não é um debate institucional abstrato. Trata-se de uma escolha prática sobre se a Europa consegue ir além do alinhamento e da construção de consensos, avançando para uma responsabilidade partilhada em domínios onde a fragmentação acarreta hoje custos estratégicos.
No seu cerne, a decisão consiste em saber se os governos estão preparados para: tratar os desafios europeus — segurança, resiliência, competitividade industrial e soberania tecnológica — como problemas verdadeiramente partilhados que exigem soluções partilhadas; alinhar as prioridades nacionais não apenas com as regras europeias, mas com os resultados europeus; contribuir com capacidades concretas e liderança política, e não apenas com participação, para iniciativas europeias comuns. 2026 oferece uma janela de oportunidade estreita para converter o peso económico da Europa, o seu poder regulatório e os seus valores em coerência operacional. Se os governos hesitarem, a Europa corre o risco de permanecer unida nos processos, mas dividida no impacto — credível no papel, mas limitada quando é necessária ação.
Que riscos e oportunidades prevê para o seu setor em 2026?
O setor espacial em 2026 refletirá cada vez mais a mesma escolha que se coloca à Europa no seu conjunto: coordenação versus integração, participação versus capacidade coletiva.
Oportunidades: O espaço é um dos poucos domínios em que a Europa já dispõe de instituições sólidas, profundidade industrial e dependência partilhada. Isto cria uma oportunidade única para passar da coordenação para capacidades integradas e operacionais, em particular em áreas como a segurança espacial, a resiliência e a defesa. O espaço tornou-se fundamental para a atividade económica, a segurança e a resposta a crises. À medida que aumentam a congestão, as tensões geopolíticas e a dependência de serviços baseados no espaço, a procura de soluções ao nível europeu — em vez de soluções fragmentadas a nível nacional — irá acelerar. 2026 pode assinalar uma transição do financiamento de projetos e demonstrações tecnológicas para a disponibilização de serviços operacionais, permanentes e à escala europeia, reforçando a autonomia e apoiando simultaneamente utilizadores comerciais e institucionais. Se a Europa agir de forma coletiva, poderá definir normas globais em áreas como a segurança espacial, a sustentabilidade e o comportamento responsável — transformando o poder regulatório em liderança operacional.
Riscos: A continuidade da dependência de iniciativas nacionais apenas vagamente coordenadas acarreta riscos de duplicação, ineficiência e lacunas de cobertura — sobretudo em domínios críticos para a segurança e a proteção. Sem capacidades europeias integradas, serviços espaciais essenciais poderão continuar dependentes de atores externos, comprometendo tanto a autonomia como a resiliência. O setor espacial corre o risco de permanecer orientado por programas, em vez de missões, com respostas lentas às necessidades operacionais num ambiente cada vez mais dinâmico e disputado. Se a Europa não conseguir traduzir os seus investimentos em capacidades espaciais visíveis e fiáveis, arrisca-se a ser vista como um criador de regras sem os meios para as fazer cumprir ou implementar.
Em suma, a oportunidade em 2026 é o setor espacial tornar-se uma prova concreta da capacidade da Europa para agir coletivamente, em vez de um lembrete da sua tendência para gerir a complexidade sem a resolver. O risco não é o fracasso tecnológico, mas a hesitação estratégica.

Cristina Rodrigues, CEO da Capgemini Portugal
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
O Governo deve procurar acelerar a execução da Estratégia Digital Nacional, reforçando o investimento em inovação digital, IA e interoperabilidade nos serviços públicos. Torna-se essencial apostar em talento e na inclusão, simplificar a fiscalidade, garantir energia competitiva e infraestruturas digitais, assegurando estabilidade regulatória e rapidez na decisão para atrair investimento e consolidar a competitividade de Portugal.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Em 2026, o setor enfrentará riscos como escassez de talento, pressão sobre margens, fragmentação de dados, instabilidade geopolítica e exigências regulatórias perante a rápida evolução tecnológica, sobretudo da IA. Em contrapartida, surgem oportunidades significativas na adoção de IA, modernização aplicacional, cibersegurança, cloud e modelos de nearshoring, potenciando a eficiência e novos modelos de negócio. As empresas necessitam hoje aliar inovação, escala e excelência operacional.

Emanuel Proença, CEO da Savannah Resources
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Assumir Portugal como um país de ação e coragem deve ser a prioridade para 2026. Estamos perante uma oportunidade geracional. Portugal tem vantagens competitivas em três setores absolutamente basilares para a economia do futuro: renováveis baratas para eletrificar e re-industrializar, lítio para atrair a economia das baterias e veículos elétricos, e localização geográfica privilegiada para “datacenters” e economia da IA. É neste triângulo (que tem muitas interdependências e sinergias, que gera enorme valor acrescentado, empregos qualificados, e uma economia mais sustentável) que se pode construir um futuro melhor para todos os Portugueses. Mas para que esta oportunidade se concretize, é fundamental dar-se o sinal ao mundo de que em Portugal as coisas acontecem, e os projetos são entregues. Que é um país de ação, que consegue reduzir a burocracia e acelerar os processos de avaliação e decisão política, que ainda se arrastam durante meses, “empurrando” quem cá quer investir e criar riqueza a fazê-lo noutro país da Europa ou até fora dela. A hesitação custa tempo, investimento e credibilidade. A ação dá-nos um futuro melhor. Em 2026, queremos um Portugal que apoia quem já está disposto a assumir riscos, criar oportunidades e gerar emprego com bons salários. O atual Governo assumiu a vontade de fazer isso mesmo – ansiamos todos pelos resultados práticos dessa ambição. Portugal precisa de ser um país que faz.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O maior risco para um país é sempre o de parar. Na economia, parar significa andar para trás, porque enquanto uns hesitam, outros avançam. E enquanto nas últimas décadas andámos muito devagar, outros avançaram atraindo até os nossos, que emigraram para lá. Se Portugal não demonstrar liderança no triângulo virtuoso de que beneficia — o da reindustrialização através 1.) da transição energética com renováveis baratas, 2.) do lítio com baterias e veículos elétricos, e 3.) dos datacenters e da IA — outros países irão certamente aproveitar essa oportunidade. Mas vejo 2026 com otimismo. Acredito que será o ano em que se confirma aquilo que já temos vindo a registar: Portugal tem um desígnio nacional de liderar a Europa no seu caminho para a independência energética. Temos uma riqueza natural e humana que nos permite criar empregos, oportunidades e uma cadeia de valor sólida, de norte a sul do país. E em 2026 teremos no Projeto Lítio do Barroso e em muitos outros projetos grandes pelo país fora a maturidade necessária para definitivamente avançar. Assim, 2026 deve ser encarado como um ano de afirmação: transformar risco em ação e oportunidade em liderança.

Fernando da Cunha Guedes, CEO da Sogrape
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Em 2026, será essencial criar um enquadramento favorável ao investimento e ao crescimento económico. Para isso, é fundamental reduzir a penalização do sucesso através da fiscalidade, nomeadamente através da redução dos escalões do IRS e da derrama estadual, bem como da simplificação do sistema fiscal. A continuidade de medidas despenalizadoras do sucesso, aliada ao reforço dos incentivos à inovação e à Investigação & Desenvolvimento, permitirá criar um ambiente mais competitivo, capaz de atrair e reter talento e apoiar a internacionalização das empresas portuguesas, reforçando a sua competitividade a nível global.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O setor do vinho enfrenta desafios como pressão regulatória, custos elevados, atração e retenção de talento, mudanças nos hábitos de consumo e também a instabilidade geopolítica. Mas o vinho português tem cada vez mais valorização internacional e compete-nos aproveitar este momentum. Por outro lado, existem outras oportunidades como tecnologia, sustentabilidade, enoturismo e novos mercados. Investir na inovação e fortalecer marcas será crucial para o crescimento sustentável.

Helena Freitas, CEO da Sanofi Portugal
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Reduzir drasticamente os prazos de acesso à inovação. Hoje, os doentes portugueses esperam 840 dias, face a 578 na média europeia e 128 na Alemanha. Esta diferença é inaceitável e tem três impactos claros: compromete a equidade, pois doentes nacionais esperam muito mais que os seus pares europeus para beneficiar de terapêuticas inovadoras; afeta o valor clínico e económico dado que atrasos prolongados representam custos externos e internos — desde tratamentos menos eficazes até recursos desperdiçados no SNS e na sociedade e; impacta a nossa credibilidade internacional pois Portugal perde competitividade na atração de investimento em ensaios, deixando de ser percebido como um país de acesso rápido à inovação. A solução passa por acelerar avaliação e reembolso, eliminar duplicações e adotar modelos baseados em resultados. Com metas claras, Portugal pode aproximar-se da média europeia e garantir acesso mais justo e sustentável.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O maior risco é manter um sistema lento e fragmentado, com prazos de acesso muito acima da Europa, subexecução do investimento e pressão orçamental. A oportunidade está em transformar esta realidade: usar dados e interoperabilidade para decisões mais rápidas, implementar contratos por resultados e consolidar o ritmo histórico de aprovação de medicamentos inovadores. Se Portugal reduzir os prazos de acesso para níveis europeus, ganhará em equidade, sustentabilidade e atração de investimento, garantindo que a inovação chega aos doentes quando ela faz a diferença.

Inês Sequeira Mendes, managing partner da Abreu Advogados
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Acelerar a transformação digital da Administração Pública, tornando-a uma realidade concreta para cidadãos e empresas. É crucial para a competitividade da economia expandir serviços digitais que simplifiquem todas as interações com a Administração Pública e que facilitem o trabalho das pessoas que estão no serviço público.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
A advocacia enfrentará desafios ligados à capacidade de adaptação rápida a múltiplas mudanças do próprio setor, num contexto internacional geopolítico e económico que continua volátil e com impacto direto na vida das pessoas e das empresas . A profissão ter-se-á de adaptar sem comprometer valores e princípios basilares, como a independência, o sigilo, a ética, o rigor. Em paralelo, surgem oportunidades claras, como a maior valorização do aconselhamento estratégico, integração de tecnologia ao serviço do rigor jurídico e o reforço da dimensão internacional. Prevê-se o crescimento de setores como tecnologia, infraestruturas, saúde, defesa, assim como as áreas de contencioso e arbitragem, comercial, laboral e compliance.

Isabel Castelo Branco, CEO da BPI Vida e Pensões
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Não tenho pretensão de saber qual decisão mais importante que o Governo deve tomar em 2026. Haverá seguramente muitas, cobrindo várias dimensões da vida dos Portugueses. Mas de uma coisa estou segura: o Governo tem que começar a delinear a estratégia de informação e de incentivos para que as pessoas possam constituir progressivamente poupanças de longo prazo que possam utilizar como complemento da pensão da Segurança Social, quando se reformarem. As pessoas cuja pensão está totalmente sob o regime pós-2002 estão neste momento a meio da sua vida profissional e necessitam de perceber com o que podem contar no futuro.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
As medidas relativas ao Savings and Investments Union que a União Europeia está a criar e que serão seguramente implementadas em Portugal, constituem uma das oportunidades do setor segurador em 2026. Gosto muito da ideia de um sistema nacional que agregue toda a informação sobre a poupança acumulada para a reforma da Segurança Social e não só (pension tracking system). Estou convencida que, se tiverem mais informação, as pessoas poderão tomar decisões de poupança e investimento mais conscientes. Como principal risco vejo o ambiente geopolítico, em particular na Europa. Teremos que viver com um grau de incerteza muito superior ao que nos habituámos nos últimos 40 anos…

Isabel Ucha, CEO da Euronext Lisboa
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
No que concerne ao financiamento da economia e promoção do mercado de capitais, o Governo deveria preparar-se para implementar as iniciativas europeias da União da Poupança e do Investimento, e em particular eu destacaria as recomendações relativas às contas poupança-investimento, e ao desenvolvimento de um pilar privado do regime das reformas em Portugal. Estas medidas permitirão não apenas melhorar a vida financeira dos cidadãos, mas também canalizar poupança privada para o investimento nas empresas e na economia.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
No que respeita ao mercado de capitais na Europa, e considerando o desempenho recente do mercado e o pipeline de operações, o ano de 2026 parece antever um maior dinamismo no financiamento das empresas através de operações de capital, sejam IPOs ou aumentos de capital subsequentes. Esperamos continuar a assistir a um aumento do investimento, e dos investidores em mercado, em particular dos investidores individuais. E no que se refere às infraestruturas de mercado em particular, a adoção mais generalizada de processos com novos elementos de inteligência artificial começará a entregar ganhos de produtividade relevantes. O próximo ano também exigirá atenção ao contexto regulatório, com o primeiro pacote de medidas referentes à União da Poupança e do Investimento a colocarem também o mercado de capitais no centro da discussão política europeia e também nacional. É preciso ter em conta que uma parte dessas medidas são da competência dos Governos, e são críticas para o sucesso desta iniciativa.

Javier González Pareja, CEO da Bosch em Portugal e Espanha
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
É fundamental que em 2026 o Governo assuma um compromisso sólido com o aumento da competitividade da economia portuguesa para que o país se afirme como um polo industrial e tecnológico de referência e uma opção cada vez mais competitiva na Europa. Para isso é essencial avançar com medidas que reforcem a atratividade do país e criem condições para as empresas crescerem e inovarem, o que implica um quadro fiscal mais competitivo que estimule o investimento estrangeiro. Além disso, Portugal deve abrir-se ainda mais ao mundo, criando medidas que incentivem os empresários portugueses a desenvolverem as competências dos seus negócios em áreas críticas para a indústria, a colaborar com empresas globais e a integrarem redes internacionais de conhecimento e inovação.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O nosso setor enfrenta um cenário marcado por fortes desafios, mas também por oportunidades significativas. Sabemos que as incertezas geopolíticas e económicas podem afetar cadeias de abastecimento, custos de energia e logística, bem como a previsibilidade dos mercados internacionais. Aliado a isso, a aceleração das transformações tecnológicas exige investimento contínuo em inovação e qualificação de talento. Mas importa olhar para estes desafios também como oportunidades. Por exemplo, as políticas comerciais mais restritivas dos EUA e da China podem abrir oportunidades para Portugal, com o país a passar a fornecer regiões onde antes não atuava. A diversificação de mercados traz oportunidades para as empresas ampliarem a sua presença global, colaborarem com novos players e antecipar tendências.

João Bento, CEO dos CTT
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
A principal decisão que o Governo deve tomar é a aceleração das medidas que visem libertar a economia para promover o crescimento. Tendo que escolher uma, optaria por prosseguir de forma muito mais vincada a política de redução do garrote fiscal para as pessoas e as empresas, concretamente, reduzindo para 5 ou menos o número de escalões do IRS e eliminando a derrama estadual que penaliza as empresas bem-sucedidas, a começar nas médias que são rentáveis.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
As crescentes tensões geopolíticas podem causar perturbações nas cadeias de abastecimento. Apesar da instabilidade, o e-commerce deverá continuar a crescer a um ritmo acelerado na Península Ibérica. A introdução de taxas aduaneiras sobre os produtos extracomunitários poderá servir como impulsionador das vendas dos comerciantes locais, tornando-os mais globais. A inteligência artificial continuará a marcar todos os setores, reforçando a eficiência corporativa, mas também a das operações.

Jorge de Melo, CEO da Sovena
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Para que Portugal e o seu tecido empresarial estejam alinhados com as exigências europeias no que respeita à transição energética, é fundamental garantir condições adequadas à concretização desse caminho. Não basta definir objetivos ambiciosos, mesmo que necessários e fundamentados, sem remover os obstáculos que travam, adiam ou limitam o investimento. Processos de licenciamento excessivamente longos, enquadramento regulatório pouco claro, falta de articulação entre entidades e ausência de incentivos estáveis, mais abrangentes em termos de elegibilidade e tecnologicamente viáveis têm bloqueado projetos verdadeiramente transformadores, como é o caso da produção do biometano, com impacto direto na descarbonização, na economia circular e na redução da dependência energética externa. As empresas estão disponíveis para investir e inovar, mas necessitam de previsibilidade, celeridade administrativa e políticas públicas alinhadas com a ambição europeia. Sem esse apoio efetivo, a transição energética corre o risco de ficar no papel, com consequências para a competitividade, o ambiente e as pessoas.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Em 2026, o setor agroalimentar enfrentará um contexto exigente, marcado por tensões geopolíticas e instabilidade nas trocas comerciais. A imprevisibilidade das tarifas impostas pelos Estados Unidos e o prolongamento do conflito na Ucrânia continuam a pressionar as cadeias de abastecimento, em particular no fornecimento de oleaginosas, com impacto direto nos custos. A este cenário juntam-se as alterações climáticas, que tornam a produção agrícola mais irregular e aumentam a pressão sobre os preços.
Este contexto reforça a necessidade de diversificar origens, ganhar eficiência, investir em inovação e sustentabilidade. A resiliência do setor dependerá da capacidade de antecipar riscos e adaptar estratégias num contexto global cada vez mais volátil.

Jorge Rebelo de Almeida, CEO do Vila Galé
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Colocar o novo Aeroporto no topo das prioridades nacionais. Resolver com urgência o grave problema do controlo de entradas e saídas de estrangeiros nos nossos aeroportos, que a todos nos envergonha e prejudica a nossa imagem no exterior. Com rigor, mas com eficácia e afabilidade criando uma operação de charme para receber quem nos visita. Acelerar as obras no aeroporto da Portela e alargar o período de funcionamento para criar mais slots. Acelerar os projetos e obras do novo Aeroporto para tentar antecipar o arranque efetivo das obras. Conceção de uma solução simples que permita uma utilização antecipada e simplificada do novo aeroporto como complemento da Portela com uma pista e um terminal 2 expansivo. Arranque das infraestruturas de acesso. Pensar na utilização de um dos aeroportos existentes para complementar a Portela transitoriamente. Nova travessia do Tejo – Urgente. Reforçar utilização do Aeroporto de Beja em atividades que possam libertar fluxo da Portela. O reforço da oferta aeroportuária é uma medida garantida para gerar crescimento económico.
A reforma laboral foi um ato de coragem, mas devia ter sido equilibrada e imaginativa. Limitar-se ao essencial e incluir também medidas importantes para os trabalhadores e melhorar o fornecimento dos tribunais do trabalho. A reforma de que não se fala e penso ser da maior importância é a reorganização administrativa do país. Menos Câmaras Municipais, mas com mais competências mais recursos financeiros do orçamento geral do Estado e que permita (não uma regionalização), mas uma efetiva descentralização das funções do Estado e criar condições para maior desenvolvimento. Desejo grande sucesso ao Gonçalo Matias nesta gigantesca tarefa que lhe foi confiada e que é da maior importância para o nosso futuro. Uma sugestão: esta reforma tem de explicar bem que não é contra ninguém muito menos contra os trabalhadores e que o objetivo final é o de dar maior eficácia à Administração do Estado, mas em paralelo recuperar a dignidade dos funcionários e melhorar as suas condições de vida.
Deixo para o fim 2 temas vitais para o país que temos de tratar a sério em 2026: O flagelo dos incêndios. Talvez mais prevenção e implementação das forças na proximidade dos locais onde ocorrem os incêndios. E a maior dificuldade que é transversal em todo o país e afeta dramaticamente a generalidade da população – Habitação. Talvez um Plano de Emergência Nacional que crie habitação social para as classes mais desfavorecidas (incluindo imigrantes) e soluções para a classe média. E que tal como começar por resolver o problema dos terrenos utilizando aqueles que nunca foram nem serão agrícolas e fomentar uma congregação de esforços, Administração Central, Autarquias, Bancos, fundos, Senhorios, etc., sem hostilizar ninguém, sem gastar energias a procurar culpados e justificações como é tanto do agrado de algumas forças políticas. E porque não criar incentivos fiscais e financiamento para as empresas resolverem o problema de habitação dos seus trabalhadores em regime de arrendamento e/ou de propriedade resolúvel em 25 anos. Finalmente, a saúde precisa que se fale menos e se faça mais! Façam todos o favor de serem felizes e já agora que Portugal vença a Copa do Mundo, que talvez nos anime para novos feitos grandiosos.

Luís Menezes, CEO do Grupo Ageas Portugal
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
São muitas as prioridades, no entanto, escolho uma importante e urgente, para ação imediata, com fruto a longo prazo: um debate profundo e transparente para reformular o modelo das pensões em Portugal. Os portugueses que se reformarem daqui a 20 anos vão receber cerca de 40% do seu último salário. É preciso preparar o país e as Pessoas para colmatar este gap de rendimentos, desenhar novos modelos de poupança de longo prazo e apostar em benefícios fiscais que suportem a aceleração dessa poupança de longo prazo, que a existir, vai ser essencial também para aumentar a capacidade de investimento do país.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Para 2026, no setor segurador, do lado dos riscos refiro a complexidade geopolítica, a incerteza em torno dos mercados com a ‘bolha’ (ou entrega da promessa) da Inteligência Artificial, a nomeação do Presidente do Fed e o impacto que poderá ter nas políticas de taxa de juro, bem como o tema das alterações climáticas, com as consequências que já se veem em várias partes do globo, com vários locais onde cobrir os riscos de eventos naturais ou catastróficos é cada vez mais difícil. Do lado das oportunidades: Portugal continua a ter um protection gap importante que permite olhar para um crescimento sustentado do setor. O tema da revisão do modelo de seguros de saúde e de uma simplificação regulatória, fortemente presentes na agenda do novo Presidente da ASF, são também oportunidades para reformular um produto para as novas realidades do mercado, e na regulação, focar no essencial, libertando as empresas, o regulador e o mercado de burocracia excessiva e de pouco valor acrescentado.

Manuela Vaz Soares, presidente da Accenture Portugal
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Em 2026, é crucial colocar a produtividade na era da inteligência artificial no centro da agenda nacional. Isso implica uma agenda de execução da transição digital, alinhando políticas públicas, fundos europeus e regulação para acelerar a adoção de tecnologia, dados e IA responsável. As prioridades são claras: simplificar e digitalizar o Estado com serviços digitais by default; garantir um ambiente fiscal e regulatório estável que incentive a modernização tecnológica das PME e atraia mais investimento estrangeiro; e lançar um pacto nacional para o talento, da escola à requalificação, focado em competências digitais e de IA. Com este alinhamento, Portugal pode aproveitar esta vaga tecnológica para aumentar produtividade, salários e competitividade, assegurando que a dupla transição climática e digital beneficia toda a sociedade.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Em 2026, o nosso setor terá uma oportunidade excecional: apoiar organizações na sua reinvenção. A maturidade da cloud, dos dados e da inteligência artificial permite redesenhar processos, experiências de cliente e modelos operacionais de forma muito mais eficiente. Para Portugal, isto é crucial para aumentar produtividade, exportar serviços de maior valor e afirmar o país como referencia de talento. Mas há riscos: a falta de competências digitais e de IA pode limitar a execução; a “fragmentação”, com muitos pilotos sem estratégia clara, reduz impacto e confiança; e a ausência de padrões de ética, segurança e transparência pode gerar desconfiança social e regulatória. Assim, 2026 será decisivo: teremos de continuar a reinventar a forma como trabalhamos, integrando IA em tudo o que fazemos, enquanto ajudamos os nossos clientes a transformar os seus negócios.

Mark Bourke, CEO do Novobanco
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Se tivesse de identificar uma decisão prioritária para 2026, seria uma ação determinada e estruturada na área da habitação. Portugal, à semelhança de muitos países europeus, enfrenta um desafio estrutural que se centra na escassez de oferta e na falta de acessibilidade à habitação. Endereçar esta problemática pode fazer uma enorme diferença. O país parte de uma posição sólida: desemprego baixo, desempenho económico acima da média europeia e uma das poucas economias da União Europeia com excedente orçamental. Existem, por isso, condições para agir. A problemática da habitação deriva essencialmente de um problema de oferta, que exige um ordenamento eficaz do território e processos de licenciamento previsíveis, rápidos e eficientes. Implica também apoiar e revitalizar o setor da construção, investindo na formação e atração de profissionais qualificados. Aumentar a oferta para responder à elevada procura, em paralelo com o reforço da habitação acessível e social, constituiria um ganho significativo para qualquer Governo. Acredito que esta abordagem sustentaria o crescimento económico e a competitividade do país mesmo quando os efeitos do PRR e da descida das taxas de juros se dissiparem.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Em 2026, o setor bancário deverá continuar a evoluir num contexto exigente, mas também com oportunidades. Para o novobanco, a integração num dos maiores grupos financeiros europeus – o Grupo BPCE – reforçará a nossa missão de ser o banco de confiança que apoia as famílias e as empresas ao longo da sua vida. Por outro lado, os progressos na digitalização e na aplicação da inteligência artificial continuarão a ser alavancas fundamentais para melhorar a experiência dos clientes, aumentar a eficiência e apoiar de forma ainda mais próxima e personalizada as famílias e empresas portuguesas.

Marta Graça Ferreira, CEO da Real Vida Seguros
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026 em relação ao setor segurador?
Na minha perspetiva, as famílias necessitam de incentivos à poupança, redução dos custos diretos e indiretos associados à habitação e saúde, e previsibilidade a médio prazo. Logo, entendo que o governo deve adotar medidas que respondam a estes temas, construindo um enquadramento que alinhe três frentes: poupança para a reforma, direito à habitação com transparência e um sistema de saúde sustentável ao longo da vida: Na área da poupança para a reforma devem ser definidas políticas que permitam a transformação de PPR, fundos de pensões e seguros financeiros de vida numa verdadeira rede de segundo pilar, reforçando pensões futuras. Isso pode ser conseguido de várias formas, mas realço duas. Simplificar e estabilizar a fiscalidade dos PPR, fundos de pensões e seguros de capitalização, introduzindo benefícios fiscais específicos que sejam uma parcela isolada dos demais, e premiando quem mantém a poupança até à reforma e desencorajando o uso destes produtos como depósitos líquidos. Dar às PME um incentivo fiscal com um regime simples de planos de pensões e seguros de capitalização, para que possam oferecer benefícios de reforma de forma competitiva. Relativamente aos custos associados à habitação, o Governo deve garantir que o cliente pode escolher livremente o segurador de vida associado ao empréstimo sem ser penalizado no spread ou nas bonificações. Isso reduz o custo total para muitas famílias e promove a concorrência assente em preço e qualidade. Finalmente, no que respeita à saúde, num contexto de pressão crescente sobre o SNS, importa criar condições para que seja possível uma melhor articulação entre o setor público e o setor privado, da qual resultem vantagens para as famílias. Isso passa por modelos de cooperação estruturada entre seguradoras e prestadores, com gestão de doentes crónicos, prevenção e partilha de risco, soluções de saúde de longo prazo que integrem, poupança e proteção na velhice. Em síntese, a principal decisão do Governo é criar um quadro coerente de incentivos e regras que faça convergir poupança, habitação e saúde num verdadeiro “trilho”.
Que riscos e oportunidades antevê para o setor segurador em 2026?
O setor segurador já demonstrou no passado ser capaz de responder aos diversos desafios que foram surgindo, e estou certa de que em 2026 será também assim. Dito isto, o setor vive um momento particularmente exigente, com riscos, mas também oportunidades, que decorrem sobretudo da forma como os sistemas públicos e a própria demografia estão a evoluir. Um dos principais riscos está ligado à pressão crescente sobre o Serviço Nacional de Saúde. O SNS continuará a ser a base do sistema de saúde em Portugal, mas enfrenta constrangimentos cada vez mais evidentes ao nível da capacidade, do tempo de resposta e dos recursos disponíveis. À medida que estas limitações se tornam mais visíveis, aumenta a procura por soluções complementares, o que coloca um desafio ao setor segurador: responder a essa procura sem comprometer a sustentabilidade dos produtos. Se esta transição não for bem gerida, existe o risco de escalada de custos e de expectativas que o sistema, público e privado, não consegue satisfazer. A longevidade é outro fator determinante. Vivemos mais tempo e isso é um enorme avanço social, mas traz riscos claros do ponto de vista financeiro e atuarial. Sistemas públicos de pensões e de saúde ficam sob maior pressão, e o próprio setor segurador é obrigado a trabalhar com horizontes cada vez mais longos e incertezas acrescidas. No plano das oportunidades, acredito que o setor segurador pode afirmar-se como um verdadeiro parceiro dos sistemas públicos, e não como um substituto. Há espaço para soluções que complementem o SNS, que aliviem a pressão sobre a Segurança Social e que ajudem as famílias a preparar o futuro de forma mais consciente. Para isso, será essencial reforçar a confiança, a transparência e a literacia financeira. Em síntese, em 2026 o maior risco para o setor segurador será não acompanhar a transformação das necessidades da sociedade. A maior oportunidade será assumir um papel activo e responsável, contribuindo para um sistema de proteção mais equilibrado, sustentável e preparado para uma população que vive mais tempo e exige respostas mais completas.

Martim Kuprenski, managing partner da Morais Leitão
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Como escreveu Fernando Pessoa numa provocação a Almada Negreiros, ao comentar uma exposição deste, «[q]ue Almada Negreiros não é um génio — manifesta-se em não se manifestar.». Parece que Pessoa não tinha assistido à exposição. A minha preferência para a principal decisão do Governo em 2026 segue precisamente o movimento inverso: génios serão aqueles que se manifestarem em não se manifestar. A verdadeira visão estratégica estará na capacidade de o Governo se manifestar pela não-intervenção excessiva. Portugal enfrenta um problema sério de (in)estabilidade regulatória e legislativa. Nos últimos anos, muitos setores económicos têm operado num ambiente de mudança permanente, quase numa lógica de reforma contínua, que dificulta decisões de investimento de médio e longo prazo. Os investidores e operadores económicos precisam de previsibilidade, coerência e durabilidade das regras, condições incompatíveis com revisões sucessivas e constantes. Acresce um desafio estrutural igualmente determinante: os custos burocráticos associados à lentidão das decisões administrativas e judiciais, que continuam a comprometer a competitividade do país e a confiança de quem pretende investir. Para 2026, mais do que novas reformas, o essencial seria um compromisso político claro com estabilidade, simplificação e eficiência.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O nosso setor tem enfrentado uma concorrência cada vez mais intensa. Grandes consultoras internacionais e sociedades espanholas estão presentes no mercado português com grande peso, beneficiando de escala, modelos integrados e forte capacidade de investimento em tecnologia e talento. No primeiro ano de aplicação da multidisciplinaridade em Portugal, esta realidade intensificou-se, acelerando a convergência entre serviços jurídicos, consultoria e tecnologia e criando novas oportunidades para todos os stakeholders. A oportunidade maior está precisamente na tecnologia. A adoção de ferramentas digitais avançadas, soluções de inteligência artificial e modelos de prestação de serviços orientados para o valor está a forçar uma renovação profunda do setor jurídico – em Portugal e no mundo. Hoje, para além do conhecimento técnico, importa como esse conhecimento é apresentado, a solução que se cria para o cliente e a eficiência, personalização e mais-valia que a advocacia consegue oferecer. Respondemos, assim, às exigências de um mercado cada vez mais sofisticado, integrando tecnologia e especialização jurídica de alto nível nos nossos processos de gestão e na forma como entregamos valor ao cliente.

Miguel Farinha, Country managing partner da EY em Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Em 2026, acredito que a decisão mais transformadora será simplificar o sistema fiscal e aliviar a carga sobre o trabalho. Hoje, a complexidade fiscal e os custos elevados para quem emprega e para quem trabalha são barreiras à competitividade e ao crescimento. Reduzir essa pressão não é apenas uma questão técnica — é um sinal claro de que queremos um país que valoriza talento, atrai investimento e dá espaço às empresas para inovar. Menos burocracia, regras mais simples e impostos mais justos podem ser o motor para reter pessoas qualificadas e criar oportunidades. É uma reforma que mexe com a vida real e prepara Portugal para competir num cenário europeu cada vez mais exigente.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O setor dos serviços profissionais em 2026 vai continuar a enfrentar mudanças rápidas, com os riscos ligados a essa velocidade de mudança. Nomeadamente clientes mais exigentes, necessidade de novas competências digitais e maior exposição a riscos tecnológicos e de cibersegurança. Mas também há oportunidades enormes com a integração de IA para criar serviços mais inteligentes, a reinvenção de modelos de negócio, o foco na experiência do cliente e a capacidade de atrair talento que combine conhecimento técnico com visão estratégica. Na EY, estamos a preparar-nos para liderar esta transformação: investimos fortemente em tecnologia, incluindo IA generativa, para criar soluções mais inteligentes e seguras; desenvolvemos programas globais de upskilling para garantir talento preparado para o futuro; e reforçamos a ciber-resiliência e a governança ética da tecnologia. Temos uma ambição clara: combinar inovação com confiança, colocando pessoas e clientes no centro, para continuar a criar valor.

Miguel Maya, CEO do BCP
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
A principal decisão que o Governo deve tomar em 2026 é aquela que o Governo considerar ser a mais importante para reforçar o crescimento da economia e o desenvolvimento social dos portugueses. As prioridades das políticas devem ser tomadas por quem tem a legitimidade para as definir, escrutinadas por todos, com especial destaque para a comunicação social, e avaliadas pelos resultados obtidos nos atos eleitorais.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O setor bancário português encontra-se numa fase positiva, a beneficiar de um trabalho consistente e continuado efetuado pelos profissionais do setor, da implementação do Mecanismo Único de Supervisão Europeu, do notável progresso da economia portuguesa, este alicerçado no empreendedorismo do tecido empresarial e no rigor na gestão das contas públicas que passou a ser exigido pelos portugueses. Não é por acaso nem tem nada a ver com sorte que os bancos portugueses abrangidos pelos testes de stress da Autoridade Bancária Europeia em 2025, CGD e BCP, tenham obtido resultados muito positivos. Os desafios com que nos deparamos são muitos. Não me recordo de identificar tantos potenciais cisnes negros que podem condicionar o crescimento económico mundial. Mas as oportunidades não são menos e como sou otimista por natureza acredito mesmo que 2026 vai ser melhor que 2025. O sucesso vai depender de sabermos identificar essas oportunidades, da forma como nos preparamos para as aproveitar, da capacidade de adaptação aos contextos com que nos depararmos e da capacidade de merecermos a confiança e preferência dos clientes. O passado são os alicerces e o futuro escreve-se no presente, ambicionando mais prosperidade, inovando nas soluções, mantendo o entusiasmo e acreditando que se trabalharmos em Equipa é sempre possível ir mais longe. Estou confiante que assim será no Banco Comercial Português.

Nuno Terras Marques, presidente do Conselho de Administração Executivo do Grupo Visabeira
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
O Governo deve reforçar uma estratégia nacional de competitividade industrial e tecnológica, garantindo estabilidade regulatória, incentivos à transição energética e digital e investimento na qualificação de talento. Só assim Portugal poderá atrair mais investimento e fortalecer setores estratégicos.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Riscos: volatilidade económica e geopolítica, escassez de mão-de-obra qualificada, maior pressão regulatória. Oportunidades: aceleração da transição energética e digital, expansão das redes de telecomunicações e energéticas, impulso à reindustrialização europeia e crescimento de novos mercados internacionais.

Paula Gomes Freire, managing partner da Vieira de Almeida
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
A decisão mais importante é aquela que endereçar de forma determinada a reforma do Estado, transformando-o num agente mais ágil, eficiente e célere.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
A advocacia está em plena transformação e enfrenta desafios muito exigentes pelo que o maior risco é o da complacência e resistência à mudança. Os que melhor e mais rapidamente se adaptarem aos novos paradigmas da indústria sairão fortemente reforçados.

Pedro Carreira, CEO da Continental Mabor
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Continuar a reduzir a carga fiscal: às empresas (IRC, …) para que sejam cada vez mais competitivas no cenário global. Com a redução da carga fiscal as empresas vão conseguir continuar a investir e o país, por certo vai também atrair mais investimento na indústria; reduzir também a carga fiscal aos trabalhadores (IRS…) para que os aumentos salariais sejam mais efetivos. Outra decisão importante: reduzir a burocracia nos serviços do Estado, nas Câmaras Municipais, na E-Redes etc. Os processos de licenciamento continuam a demorar eternidades e afastam os investidores.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Riscos: a diminuição da indústria automóvel na Europa e a total dependência da produção de semi componentes da Ásia e os obstáculos que ainda existem na produção de energia verde. Oportunidade: a Europa pensar em garantir e continuar a criar emprego nos países europeus.

Pedro Carvalho, CEO da Generali Tranquilidade
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Reduzir o número de escalões do IRS. Tal como já analisado em diversos fóruns, incluindo a Associação BRP, o atual regime fiscal cria um baixo incentivo ao aumento salarial dos trabalhadores, uma vez que, na maioria dos casos, mais de 50% de cada euro adicional é absorvido pelo Estado. Para além do efeito direto no aumento do rendimento disponível, esta medida pode contribuir para recentrar a discussão do salário mínimo para o salário médio, um indicador mais realista do progresso económico e da criação de riqueza no país.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
A evolução dos seguros de saúde será um dos temas centrais em 2026. Esta linha de negócio tem registado o maior crescimento nos últimos anos, mas também enfrentado eventos de grande impacto, como a pandemia de COVID-19 e os desafios no funcionamento do Serviço Nacional de Saúde. Num contexto em que a longevidade assume uma importância sem precedentes, torna-se essencial definir bases sólidas para uma oferta de seguros de saúde robusta, acessível e integrada na sociedade portuguesa.

Pedro Castro e Almeida, CEO do Santander Portugal
Qual a principal decisão que o Governo português deve tomar em 2026?
Portugal deve assumir a liderança ativa na reforma da regulação europeia, colocando o crescimento económico no centro. Hoje, o maior risco sistémico já não é a banca, mas o fraco crescimento. Com a sua credibilidade orçamental e institucional, Portugal pode puxar pela simplificação regulatória, viabilizando investimento e as transições verde, digital e de defesa e, ao mesmo tempo, libertar pessoas e empresas para criar mais riqueza, simplificando os escalões de IRS e eliminando a derrama que trava o crescimento. A desburocratização ambiciosa e a simplificação fiscal podem acelerar projetos e atrair capital.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Como risco, destaco a manutenção de um enquadramento regulatório europeu demasiado complexo, lento e conservador. Num contexto em que 80% do financiamento das grandes empresas europeias depende da banca, isso limita a capacidade do setor de apoiar o investimento, enquanto EUA e Reino Unido libertam capital. E como oportunidade, diria que haverá uma maior procura de financiamento para infraestruturas, transição energética, digitalização e segurança. Com uma “regulação inteligente”, ou seja, previsível, proporcional e baseada em princípios, a banca pode financiar projetos estruturantes, reforçar a competitividade e sustentar o crescimento, abrindo um novo ciclo em 2026.

Pedro Cid, CEO da Auchan Retail Portugal
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Em 2026, a principal decisão do Governo deve ser a implementação de uma estratégia económica integrada que reforce o poder de compra das famílias e a competitividade das empresas. Isso exige alívio fiscal direcionado aos rendimentos, simplificação administrativa e incentivos ao investimento e à inovação. Criar um ambiente de previsibilidade e confiança é essencial para atrair investimento, criar emprego e sustentar o crescimento económico.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Em 2026, o retalho será impactado pela instabilidade económica, incerteza geopolítica e pressão regulatória, o que exigirá equipas ágeis e resilientes. Ao mesmo tempo, a adoção prática da digitalização e da IA permitirá aumentar a produtividade, melhorar a tomada de decisão e reforçar o foco nas nossa equipas e, por outro lado, das equipas no cliente, continuando a criar bases sólidas para um crescimento mais eficiente e sustentável.

Pedro Morais Leitão, CEO da Media Capital
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
A Media Capital tem recebido do Governo provas claras da vontade de apoiar os meios de comunicação na luta contra a desinformação e concentração das plataformas globais. Começa também a ver sinais de que a administração da RTP tem consciência da sua obrigação de contenção de custos. Assim, é regulatória a nossa principal preocupação para 2026: a deliberação da ERC sobre o plano de obrigações de acessibilidade no vídeo-a-pedido poderá aumentar os custos do Grupo em 10 milhões de euros ao ano, comprometendo irreversivelmente o atual equilíbrio financeiro do Grupo.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Os principais riscos do setor da comunicação social foram abordados na resposta acima: o de concentração de poder nas plataformas globais, o da desinformação, o da intervenção excessiva dos meios de comunicação de propriedade do Estado. Para 2026, a Media Capital pretende investir em direitos desportivos e na edição digital, e pretende explorar oportunidades de internacionalização.

Rachel Muller, Diretora-Geral da Nestlé Portugal
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Apontaria dois aspetos: o primeiro diz respeito à urgência da implementação de medidas que promovam o aumento da produtividade do país, sejam elas medidas de simplificação administrativa, de redução da carga burocrática ou de natureza fiscal. O segundo respeita a promoção da natalidade, porque é urgente que Portugal comece a inverter a tendência de envelhecimento da população.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Para 2026 a principal oportunidade para indústria alimentar é marcar a diferença, com marcas fortes e relevantes para o consumidor, que contribuem positivamente para o desenvolvimento do país.

Ricardo Mendes, CEO da Tekever
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Portugal deve assegurar previsibilidade nos programas de defesa, respondendo ao contexto europeu que exige maior coordenação e resiliência. Priorizar tecnologia nacional reforça capacidades críticas, fortalece cadeias de valor internas e gera impacto económico duradouro. Uma estratégia estável permite planear com responsabilidade e garantir que o país mantém autonomia e relevância internacional.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Os desafios incluem processos de procurement pouco ágeis, fragmentação do mercado europeu e pressão sobre a capacidade industrial. As oportunidades surgem da crescente necessidade de soluções tecnológicas fiáveis, da valorização de empresas ágeis e da expansão de iniciativas europeias. Em 2026, o sector beneficiará quem conseguir unir inovação responsável, rigor e capacidade de entrega.

Ricardo Pires, CEO da Semapa
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
O Governo deve criar condições reais para que as empresas invistam, cresçam e sejam competitivas. Isso passa por simplificar processos, reduzir a incerteza regulatória e melhorar os factores de competitividade como, por exemplo, a energia a preços competitivos. O país não pode continuar a perder oportunidades por excesso de burocracia, falta de previsibilidade ou atrasos na execução. As empresas e pessoas precisam de um sim ou não, rápido. Num contexto internacional cada vez mais exigente, Portugal tem de escolher se quer liderar este novo ciclo de crescimento ou continuar a reagir tarde às mudanças.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Em 2026, o principal risco para a indústria é a manutenção de um enquadramento pouco competitivo em termos de regulação e burocracia. A isso soma-se a incerteza geopolítica que coloca riscos comerciais e continua a afetar cadeias de abastecimento e decisões de investimento. Ao mesmo tempo, existem oportunidades concretas, como a reindustrialização e a transição energética, que criam espaço para desenvolver capacidade produtiva, atrair investimento, talento, apostar de forma clara na inovação e subir na cadeia de valor. Estamos num momento decisivo em que a Portugal e a Europa se têm de focar na competitividade das suas empresas, criando condições para que ganhem escala e relevância global com um contributo fundamental para a sociedade.

Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Não me cabe definir prioridades governativas. Da nossa experiência resulta que 2026 deveria ser um ano decisivo no combate à burocracia, fator estrutural de competitividade do país. Processos mais simples, previsíveis e enquadramentos regulatórios mais ágeis são essenciais para empresas e cidadãos. Em paralelo, é fundamental reforçar incentivos à poupança de longo prazo, sobretudo para a reforma, como pilar de segurança financeira, qualidade de vida e sustentabilidade social.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O setor segurador enfrenta riscos relevantes associados à incerteza económica e geopolítica, bem como ao impacto crescente das alterações climáticas, com fenómenos extremos mais frequentes e severos. Em simultâneo, existem oportunidades claras no combate ao protection gap, na proteção contra catástrofes naturais, riscos cibernéticos emergentes e poupança para a reforma. Estas exigem inovação, escala e o uso inteligente da tecnologia e da inteligência artificial.

Salvador de Mello, CEO do Grupo José de Mello
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
A prioridade central deve ser consolidar uma agenda de competitividade estrutural que liberte o potencial de crescimento da economia. Para 2026, o Governo deve concretizar uma reforma profunda de simplificação administrativa, generalizando o modelo de fiscalização ex-post a todos os setores, eliminando bloqueios ao investimento. Este esforço de desburocratização deve ser acompanhado por uma estratégia fiscal corajosa: é fundamental reduzir a carga sobre as empresas, não apenas na taxa nominal de IRC, mas também na derrama estadual, que penaliza quem cria valor. Simultaneamente, são cruciais políticas que fomentem a retenção de talento qualificado. Portugal precisa de um ambiente institucional previsível e competitivo para que as empresas nacionais ganhem escala global. A decisão correta será a que combine menos burocracia com um alívio fiscal efetivo e abrangente.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
A oportunidade para a Europa reside na aceleração da construção do Mercado Único Europeu e na concretização do acordo com o Mercosul, fundamentais para a Europa ganhar escala e relevância. Em Portugal, a transição e a competitividade dos custos de energia serão determinantes para a afirmação da indústria, como no caso da indústria química onde o Grupo José de Mello tem vindo a reforçar investimentos, mas também para muitas outras indústrias onde Portugal se quer afirmar. Na Saúde, o desafio crítico é a gestão do talento: é imperativo valorizar, formar e reter profissionais, um recurso essencial e escasso. Do lado dos riscos, a instabilidade geopolítica e a crescente competição oriunda da China exigem da Europa tomadas de decisão corajosas e das empresas europeias maior escala, agilidade e resiliência. O sucesso dependerá da nossa capacidade de inovar, de crescer e de nos afirmarmos internacionalmente e de qualificar as nossas pessoas para enfrentar um mercado global cada vez mais exigente e fragmentado.

Sérgio Barbedo, CEO da Thales em Portugal
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
O Governo deve adotar uma estratégia que valorize empresas e grupos multinacionais com presença ativa no país, alinhando investimento público com capacidades instaladas em Portugal. É fundamental reforçar laços baseados em parcerias de longo prazo que potenciem mais emprego qualificado, maior retenção de talento e reconhecimento da engenharia portuguesa como motor de competitividade.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O principal risco é não serem definidos planos de ação detalhados para os Mega Projetos da Defesa, i.e., aqueles cujo investimento é acima de 500M€ (Fragatas, Caças e Veículos Blindados), com o envolvimento da Indústria Nacional e, previamente, à assinatura dos referidos contratos. Dada a sua elevada dimensão, estes contratos poderão potenciar a introdução de empresas nacionais nas cadeias de valor dos respetivos fornecedores de Plataformas MultiSistema, permitirão atrair novos investimentos, ampliar centros de competência e gerar retorno económico para Portugal baseado no reforço da capacidade exportadora do setor.

Sofia Tenreiro, CEO da Siemens Portugal
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Acelerar de forma decisiva a desburocratização e a digitalização do tecido empresarial, das indústrias nacionais e do Estado são oportunidades estratégicas claras. Processos mais simples e eficientes estimulam o investimento, reforçam a competitividade e impulsionam a inovação, maximizam o valor da Inteligência Artificial e potenciam novas tecnologias. Ao simplificar regras e modernizar os setores de atividade, Portugal atrairá talento, captará investimento, fortalecerá as empresas e afirmar-se-á como uma economia ágil, sustentável e preparada para crescer no contexto europeu e global.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O principal desafio é assegurar o investimento atempado em infraestruturas críticas, nomeadamente aeroportos, hidrogénio, data centres e modernização das redes elétricas, essenciais para a economia digital, transição energética e para a atração de investimento estrangeiro. Ao reforçar estas infraestruturas, Portugal ganha escala e competitividade. Apostar estrategicamente no País como hub tecnológico e energético permitirá captar projetos internacionais, gerar valor, criar emprego qualificado e impulsionar a inovação, mantendo Portugal na linha da frente do desenvolvimento europeu e global.

Teresa Brantuas, CEO da Allianz Portugal
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
O setor segurador está a passar um período muito positivo, cheio de oportunidades e 2026 vai ser um ano próspero com certeza. O mercado segurador português vai continuar a crescer de uma forma sustentável. Um crescimento cada vez mais voltado para um serviço de qualidade que pretendemos oferecer aos nossos clientes. Neste aspeto é também um mercado em transformação, onde a comunicação com o cliente melhorou muito e procura-se interação mesmo antes de ocorrer um sinistro, informando sobre como cada um deve fazer melhor uso da sua apólice incluindo como prevenir e evitar acidentes ou contribuir com literacia financeira. Sendo um setor com elevada resiliência, temos novos desafios como os riscos ligados à cyber segurança, alterações climáticas ou evolução demográfica. Para fazer face a estes desafios teremos que reinventar o modelo de negócio e encontrar soluções onde as parcerias com empresas especializadas, com universidades, etc irão ser de elevada importância. A digitalização e o recurso a novas tecnologias são vistos como grande oportunidade de aumento de produtividade, e mitigação da subida de custos. Mas a grande oportunidade continua a ser os recursos humanos, as nossas equipas e a forma como estão a transformar o setor, aumentando a resiliência financeira e estando cada vez mais próximo dos nossos clientes.

Thomas Hegel Gunther, diretor-geral da Volkswagen Autoeuropa
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Temos de proteger e fortalecer a economia nacional e europeia e a competitividade é um elemento fundamental nesse sentido. Seriam de principal importância decisões que contribuam para o aumento da competitividade nacional. Como exemplo, a simplificação dos processos administrativos e em especial os licenciamentos associados a novos investimentos, novos processos, adaptação a nova legislação, com diminuição dos tempos de resposta de entidades envolvidas. Tendo em conta a rápida transformação em curso na indústria automóvel, as decisões de investimento estrutural não podem ser atrasadas pela burocracia. É necessário adequar o quadro legal e o funcionamento dos serviços à realidade da dinâmica das empresas.
No âmbito da descarbonização dos transportes é importante adotar soluções já implementadas noutros países, tal como Duo-Trailer, implementado em Espanha, assim como promover a implementação do Giga-Trailer transfronteiriço entre Portugal e Espanha. Contudo, a implementação destas inovações no território nacional exige a criação urgente do enquadramento legal adequado pelas entidades competentes, assegurando-se a sua viabilização e uma transição eficiente e sustentável para o setor dos transportes.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Não podemos subestimar a incerteza geopolítica nem a concorrência asiática, fatores com impacto relevante na indústria automóvel. A transformação das cadeias de abastecimento da indústria automóvel, impulsionada pela eletrificação, entre outros diferentes elementos, influenciam significativamente os locais onde os veículos são produzidos. Existem riscos que não estão ao nosso alcance evitar, mas outros podem ser evitados ou mitigados, mesmo neste enquadramento. Uma vez mais, a competitividade – em toda a dimensão da atividade económica – assume um papel determinante na atratividade do país enquanto destino de novos investimentos, não esquecendo que o sector automóvel é um dos mais concorrenciais à escala mundial. Em 2026, é possível identificar oportunidades significativas, desde que Portugal consiga posicionar-se de forma competitiva, incluindo na cadeia de valor da mobilidade elétrica, digital e sustentável. O país reúne condições favoráveis — talento qualificado, estabilidade e capacidade industrial — para captar novos investimentos e consolidar projetos estratégicos. Em última análise, o crescimento e consolidação da indústria automóvel em Portugal em 2026 dependerão da capacidade conjunta, da indústria, do Governo e dos parceiros institucionais para criar e melhorar condições que permitam às empresas investir, inovar e continuar a contribuir de forma decisiva para a economia nacional, num contexto internacional muito exigente e competitivo.

Vitor Ribeirinho, CEO KPMG Portugal e Angola
Qual a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026?
Com a aprovação relativamente tranquila do Orçamento do Estado para 2026, o Governo arranca o ano numa posição de alguma estabilidade, em que a principal decisão deve passar por assumir um compromisso com reformas estruturais que possam garantir um crescimento económico sustentável e previsível, que vá além de ciclos políticos e de respostas de curto prazo. É uma mudança de mentalidade e cultura governativa que considero muito importante para os próximos anos do nosso país.
Este compromisso deverá assentar em três pilares: em primeiro lugar, a desburocratização do Estado, acompanhada de uma verdadeira transformação digital da Administração Pública, cujos primeiros passos já têm sido dados por parte do Ministério da Reforma do Estado. Este é um fator importante uma vez que simplificar processos e digitalizar serviços não é apenas uma questão de eficiência interna, mas um aspeto crítico para o crescimento das empresas e para a vida dos cidadãos.
Em segundo lugar, importa haver um olhar mais aprofundado sobre a realidade das empresas. Como sabemos, temos um tecido empresarial maioritariamente composto por Pequenas e Médias Empresas, que precisam de um ambiente económico estável, previsível e competitivo para poder crescer. Políticas fiscais que incentivem o investimento, a inovação e os ganhos de escala são determinantes para o futuro da nossa economia e serão alavancas importantes no desenvolvimento das empresas.
Em terceiro lugar, é necessária uma aposta estruturada na capacitação e formação transversal da sociedade. O crescimento económico sustentado depende diretamente da preparação das pessoas, pelo que é essencial um investimento claro em programas de requalificação e aprendizagem contínua que acompanhem a evolução tecnológica. Este é um caminho que há muitos anos temos feito na KPMG em Portugal, com um investimento muito relevante e com resultados claros ao nível da eficiência e do bem-estar dos nossos colaboradores. O domínio das novas tecnologias, entre as quais a Inteligência Artificial, não pode ser um fator de exclusão, mas sim uma oportunidade acessível a todos os que tenham interesse nestas áreas.
Que riscos e oportunidades antevê para o seu setor em 2026?
Olhando para 2026 consigo identificar, felizmente, mais oportunidades do que riscos para o setor. A estabilidade governativa nacional que referi no ponto anterior é uma oportunidade relevante para o nosso setor, por permitir às empresas um olhar mais previsível do futuro, pelo menos a nível nacional, e, por isso, mais aberto a estratégias de médio e longo prazo, nas quais as nossas equipas poderão ter um papel importante, numa ótica de end-to-end, desde a definição de diagnósticos à estruturação e implementação de planos de ação que apoiem a competitividade das empresas e, consequentemente, do país.
Também a crescente maturidade das organizações no que respeita à transformação digital é uma oportunidade que gostaria de sublinhar. Houve uma evolução muito grande nos últimos anos neste capítulo e hoje existe uma consciência por parte das empresas de que a digitalização não é opcional, mas um fator crítico de eficiência, crescimento e diferenciação. Neste campo, a Inteligência Artificial tem assumido um papel central sendo que na KPMG temos vindo a fazer crescer as nossas equipas, não só em número, mas também em valências para que possamos ajudar os nossos Clientes a implementar esta tecnologia nos seus processos, com elevados níveis de confiança e ética.
Olhando para os riscos, há um que se tem vindo a repetir ao longo dos anos, mas que, face às notícias dos últimos dias, continua a fazer sentido e que diz respeito à instabilidade geopolítica internacional. É um contexto que não deixa de afetar diretamente os processos de internacionalização das empresas, assim como a definição de cadeias de valor, com impacto nos custos, nos investimentos e no planeamento financeiro. Neste sentido, o setor tem de ter uma maior capacidade de antecipação (sempre que possível), gestão de risco e garantir apoio estratégico aos seus Clientes.

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As decisões do Governo e as oportunidades (e riscos) no novo ano, pela voz de 44 gestores
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