A voz de Greta. O silêncio de Ayesha Tan Jones

Na mesma semana em que Greta se fazia ouvir nas Nações Unidas, também a modelo Ayesha Tan Jones se fez ouvir. Mas em silêncio e com uma mensagem escrita nas mãos: "Mental Health Is Not Fashion".

Na mesma semana em que Greta Thunberg’s se fazia ouvir nas Nações Unidas, em Nova Iorque, com o seu discurso emotivo dirigido aos líderes mundiais: “You have stolen my dreams and my childhood with your empty words. How dare you?”, deste lado do Atlântico decorriam as semanas de moda. E também na Europa a questão da crise climática inspirou algumas das coleções primavera/verão20. Marcas como a Burberry e a Gucci comunicaram que os seus desfiles eram neutros em carbono, a Dior plantou 164 árvores que serviram de cenário à apresentação e a Missoni, por exemplo, usou flores movidas a energia solar.

“Gestos vazios” disseram alguns, continuando a apontar o dedo a uma das indústrias com maior impacto ambiental. Mas se há território fértil em matéria de tendências, com influência para despertar consciências e alcançar – digitalmente – o consumidor, é precisamente o da moda. Do groundbreaking Alexander McQueen à líder em sustentabilidade Stella McCartney, a moda sempre foi visionária, inspiradora, aspiracional e as marcas podem – e devem – ser usadas como uma plataforma para amplificar a mensagem. Neste caso ambiental.

Mas nessa mesma semana e à sua maneira, também a modelo Ayesha Tan Jones se fez ouvir. Em pleno desfile da Gucci, transmitiu uma mensagem à marca e ao mundo, em silêncio, apenas escrita nas suas mãos: “Mental Health Is Not Fashion”. Se há uns anos Karl Lagerfeld encenou um protesto feminino em pleno desfile, desta vez o protesto foi real. E neste caso, a realidade teve mais impacto do que a ficção. Um protesto pacífico com uma mensagem direta para a marca que incluiu na coleção peças que parecem camisas-de-forças. No Instagram, a artista e modelo Ayesha Tan Jones, escreveu que já viveu “com as sua próprias lutas com a saúde mental, que viu amigos e familiares passarem pelo mesmo – depressão, ansiedade, bipolaridade e esquizofrenia “, considerando “insensível e de mau gosto por parte de uma marca como a Gucci usar este imaginário para um desfile de moda”.

No Instagram da Gucci, que tem como diretor criativo Alessandro Michele – que sempre gostou de falar de liberdade, lê-se que “as peças representam a forma como, através da moda, o poder é exercido na vida, eliminando tudo o que é self-expression. Um statement dizem, já que as peças não serão comercializadas. A história continuou nos dias seguintes, com a nova ativista britânica com rosto, mas silenciosa, a agradecer o apoio que recebeu mesmo das colegas com quem desfilou, que diz terem tido o mesmo sentimento em relação à coleção e a anunciar que irá doar o valor do desfile a associações que tratam doentes mentais.

Se a moda é um reflexo dos tempos, hoje os tempos também são os das mensagens virais. A indústria já tem voz em temas como a sustentabilidade, mas está longe de a ter em temas como o da saúde mental. E mesmo na era do capitalismo artístico, metáforas mal explicadas podem ser elas próprias um colete de forças… para qualquer marca. Até porque o ativismo e a revolta podem vir de qualquer lado e a qualquer momento. Não vale a pena prevenir, mas sim estar atento e preparado para reagir e acomodar as críticas.

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