Agilmente digitais… competências “pandémicas”

  • Maria João Ceitil
  • 5 Junho 2020

Ser digital implica desenvolver um novo mindset estratégico e cultural de automatização de processos e de “pensar” digital.

Ser ágil e ser digital são hoje duas das competências mais debatidas, requeridas e desejadas no contexto económico e mercado de trabalho. Sejamos claros… já o eram antes da crise pandémica que vivemos… agora, simplesmente tornaram-se imperativas.

São há muito palavras da “moda”, buzzwords que ouvimos repetidamente e que fazem já parte do léxico organizacional. Mas no momento atual, fortemente marcado pela emergência do trabalho remoto, passaram finalmente do “léxico” para a “realidade operacional” das organizações. E isto porque o sucesso do trabalho remoto subsiste na existência destas duas competências.

É importante antes de mais estabelecer a distinção entre o que é o teletrabalho e o trabalho remoto, que não são, de todo, a mesma coisa. Falar em teletrabalho é falar na mera deslocalização do trabalho de um local para outro; é fazer exatamente o mesmo, seguir os mesmos processos, realizar as mesmas tarefas, com o mesmo tipo de supervisão hierárquica, mas fazê-lo em casa, ou noutro local que não o habitual escritório ou posto de trabalho.

Falar em trabalho remoto é falar de dinâmicas de trabalho completamente diferentes. Falar em trabalho remoto é falar em trabalho inteligente (o agora também muito referido smart working), e trabalho ágil. É uma dinâmica de trabalho que implica maior flexibilidade de local de trabalho, mas também de horários de trabalho, de formas de trabalho e de gestão de resultados. É uma maneira de trabalhar na qual uma organização permite que as pessoas trabalhem onde, quando e como escolherem, com o máximo de flexibilidade e restrições mínimas. E este tipo de trabalho exige, quase obrigatoriamente, uma forte agilidade das organizações, das lideranças e das pessoas, e exige, obrigatoriamente, fortes competências digitais. Ser digital não passa apenas (não passa de todo!) por saber utilizar ferramentas tecnológicas ou disponibilizá-las aos colaboradores e formá-los no seu uso; diria que essa é a parte mais fácil do “ser digital”. Ser digital implica desenvolver um novo mindset estratégico e cultural de automatização de processos e de “pensar” digital.

E isto implica pensar diferente… implica pensar “na nuvem”, reformular todos os processos para garantir que a informação necessária está disponível a todos, estejam onde estiverem, garantindo a segurança da informação, dos dados, mas assegurando que estão documentados os processos de trabalho. Implica repensar a customer experience e a employee experience para um ambiente remoto, assegurar que a cultura da organização não é impactada pela distância física, e que os laços emocionais e as experiências vividas são tão, ou mais, impactantes do que eram. E implica a simplificação dos processos, uma gestão muito mais orientada ao resultado, aos outputs a produzir, e muito menos às tarefas a realizar. E não é por acaso que vemos, tantas vezes, andar “de mãos dadas” a agilidade e o digital. Ser ágil é adotar praticas que assentam na transparência, adaptabilidade, simplicidade e união. Ser ágil é quebrar estereótipos, é focar no resultado final, na satisfação do cliente (seja externo ou interno), e
não ficar agarrado ao processo, mas usar o processo para atingir o objetivo.

Se o processo não dá resposta que se mude o processo, mas não se mude o resultado. Ser ágil é desburocratizar, simplificar os processos de trabalho, minimizar os desperdícios, é focar no que efetivamente traz valor acrescentado para os nossos clientes, os nossos parceiros, as nossas pessoas. É ter sempre o “fim em mente”, mas também é promover união, confiar nas pessoas, dar-lhes autonomia, mas também responsabilidade. É ser transparente na informação, na comunicação, e ser capaz de ajustar e adaptar o que fazemos e como fazemos, e garantir que as nossas equipas estão envolvidas, comprometidas, e felizes.

Muitas serão certamente as barreiras que temos a superar, desde barreiras tecnológicas, sociais, culturais e mesmo legislativas para que o trabalho remoto se torne, de facto, uma realidade profícua, eficaz e de elevado valor acrescentado para as organizações, mas uma coisa é certa, não o conseguiremos fazer se não formos agilmente digitais…e digitalmente ágeis!

  • Maria João Ceitil

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