Caetano é foda

  • Mónica Marques
  • 8 Agosto 2020

Caetano tem-nos ajudado, a nós, intratáveis figuras, a saber conviver com o amontoado de desgraças que vamos deixando no caminho.

Haverá Língua mais viva do que a língua portuguesa na voz de Caetano? Até pode ser, mas que ele está acima de tudo o que é a vida normal, não me parece ser questionável.

Caetano tem-nos ajudado, a nós, intratáveis figuras, a saber conviver com o amontoado de desgraças que vamos deixando no caminho. E se sair de um amor é triste, aborrecido e cafona, e dói em todos os lugares — até naqueles onde não imaginávamos haver nervos disponíveis –, agradeçamos haver Caetano Veloso e com ele toda a “escravidão” adorada, toda a vida explicada, toda a felicidade impossível de voltar, todo o desgraçado estrebuchar, vomitar, viajar até ao deserto e achar a noite lá (no deserto) linda.

Brindemos à genialidade aos seus 78 anos, com a nossa vontade de querer continuar a derrapar, beber muito e beber mais, guerrilhar tristezas em idas à praia para ficar a ver o rastro branco dos aviões.

Brindemos a todas as coisas do mundo explicadas, ao ouvido, nas canções de Caetano Veloso, nesse português tão lindo, ipaneimizado, Dancin Days, livre, bom de ser falado.

Há lá pergunta mais linda do que aquela que todas as pessoas da minha geração se fazem: “Gostas mais de Chico ou de Caetano?” E depois as caras uns dos outros, sem conseguirmos responder. Uns vão de Chico, outros, de Caetano, todo ele poesia concreta, politicamente incorreto, autobiográfico, “Chico já disse várias vezes, as minhas músicas não têm nada a ver com a minha vida, não procurem semelhanças. Elas não têm nada de autobiográfico. As minhas, bem pelo contrário, são todas autobiográficas, até as que não são, são.”

Pela visão acima e além. Pelos pontos de vista, pelas noites mal dormidas, pelas noites de Coliseu, pela Explicação aos pássaros, pelo magistral uso da língua de Luís de Camões. Beijo na Boca, Caetano Veloso!

  • Mónica Marques

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