Diversidade na Tecnologia

A tecnologia está a moldar o futuro e ao estar a ser desenvolvida maioritariamente por homens poderá, naturalmente, ser enviesada por uma lente masculina.

Não é novidade que as mulheres estão sub-representadas em áreas de tecnologia e quem o refere é o Relatório de Ciências da ONU.

Basta ver que, atualmente, apenas 28% dos investigadores mundiais são mulheres e que desde Marie Curie, em 1903, que o prémio Nobel nas áreas de física, química ou medicina apenas foi ganho por 17 mulheres (versus 572 homens).

A falta de representatividade de mulheres nestas áreas vai para além do que tem sido possível observar, o que tem impacto em várias dimensões. Segundo o estudo “The Business Case for More Diversity”, do The Wall Street Journal, equipas diversas são mais inovadoras e contribuem para uma melhor performance. É igualmente importante ter em conta que a tecnologia está a moldar o futuro e ao estar a ser desenvolvida maioritariamente por homens poderá, naturalmente, ser enviesada por uma lente masculina.

Ainda que o tema esteja cada vez mais presente na agenda das organizações e o caminho a percorrer seja mais claro, continua a existir a ideia pré-concebida de que as áreas tecnológicas são para os homens, o que se comprova pela baixa incidência de estudantes mulheres nesta área. Segundo a Forbes, em “Mentors Help Create A Sustainable Pipeline For Women In STEM”, somente 12 em cada 100 mulheres ingressa em áreas STEM para formação.

As organizações têm o dever ético de procurar contrariar esta tendência, quer através do acompanhamento dos indicadores mais relevantes neste campo, nomeadamente admissões, saídas, promoções, assegurando a ausência de preconceito e enviesamentos inconscientes, quer através da criação de condições para que estas funções se adequem a diferentes realidades pessoais e familiares.

Por outro lado, e numa perspetiva de longo prazo, as organizações podem ter um papel relevante na educação da sociedade para o mote “as profissões não têm género”, e ajudar a promover a atração de jovens mulheres para o mundo das STEM antes do momento de escolha de um curso universitário.

Sendo a NOS uma empresa tecnológica, a falta de representatividade de mulheres nestas áreas é sentida de forma próxima. No nosso papel de agentes da mudança temos vindo a partilhar as nossas Role Models, associamo-nos ao programa de mentoria da Portuguese Women in Tech (PWIT) para promover o desenvolvimento pessoal e profissional de estudantes e recém-licenciadas. Mais recentemente, associamo-nos ao PWIT Awards 2021, onde celebramos e destacamos o talento feminino no ecossistema tecnológico português.

Ainda assim, e perante a informação apresentada ao longo do artigo, é possível retirar diversas ilações. As mulheres encontram-se menos representadas em carreiras tecnológicas, quer seja no âmbito académico quer no profissional. A diversidade e a inclusão são impulsionadoras da criatividade, inovação e promoção de novas soluções, o que a médio-longo prazo terá impacto na sustentabilidade e desenvolvimento da própria tecnologia. Por fim, mas não menos importante, as organizações devem ser parte da mudança que é preciso fazer e assumir o papel de agentes ativos para uma sociedade mais diversa e inclusiva.

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