Diversificar é imperativo para a indústria automóvel
O anúncio do acordo entre a União Europeia e a Índia deve ser encarado como uma oportunidade concreta e com elevado potencial.
A indústria europeia — e, em particular o setor automóvel — enfrenta um contexto exigente e desafiante, com menor dinamismo produtivo, investimento mais cauteloso e uma transição tecnológica que exige escala, capital e previsibilidade. Quando a atividade abranda na Europa, o impacto acaba sempre por se fazer sentir nos fornecedores automóveis.
Paralelamente, a desaceleração das exportações para os Estados Unidos e a forte volatilidade deste mercado, mostram-nos que depender de poucos destinos tornam-nos mais frágeis, pelo que um setor tão internacionalizado como o automóvel, tem, obrigatoriamente, que diversificar mercados para se manter competitivo e resiliente.
É precisamente, tendo em consideração este contexto, que o anúncio do acordo entre a União Europeia e a Índia deve ser encarado como uma oportunidade concreta e com elevado potencial. A redução de barreiras de acesso a um mercado com mais de 1,4 mil milhões de consumidores e com ambição comercial/industrial, podem abrir espaço a novas relações comerciais para as empresas portuguesas que competem por qualidade, inovação, retomar o posicionamento em velhos mercados e capacidade de resposta. Aliás, é o mercado de veículos acima de 15 mil euros que representa uma oportunidade, porque é sobre esses que caem os processos de desaceleração de tarifas. No caso dos componentes poderá haver a possibilidade de penetração nas linhas de montagem já instaladas ou a instalar na Índia.
No entanto, para transformar oportunidades em ações reais, exportações e investimento, é preciso combinar esta abertura externa com a ação interna de reforço de competitividade, controlo de custos de energia, financiamento, qualificação e inovação.
"Para os fornecedores, tão importante como abrir portas é garantir regras claras, mecanismos de salvaguarda e condições de igualdade que deem previsibilidade a quem investe e exporta.”
Perante a depreciação das regras do Comércio Internacional a diversificação deve ser intencional e em vários mercados. Para os fornecedores, tão importante como abrir portas é garantir regras claras, mecanismos de salvaguarda e condições de igualdade que deem previsibilidade a quem investe e exporta. Toda esta dinâmica deve, obviamente, orientar a Europa também no que se refere à América do Sul, uma vez que o acordo com o Mercosul pode ajudar a reforçar mais um ponto de diversificação, reduzindo riscos e aumentando
novas oportunidades de parcerias estratégicas.
No que diz respeito à AFIA, o caminho é claro: temos de defender uma Europa mais forte, capaz de produzir e exportar, e apoiar as empresas na internacionalização com cautela, pragmatismo mas, também, com ambição. Num momento em que a produção europeia perde fôlego e os mercados tradicionais oscilam, é imperativo abrir novas portas mas, também, saber atravessá-las.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Diversificar é imperativo para a indústria automóvel
{{ noCommentsLabel }}