Educação e formação: impulsionar para a informática

  • Daniela Matos de Carvalho
  • 8 Outubro 2020

Muitas vezes pensamos que devemos "empurrar" determinados grupos menos representados para áreas específicas, nomeadamente a engenharia informática.

É quase impossível falar de informática sem falar de Ada Lovelace, criadora do primeiro algoritmo computável e considerada a primeira programadora. Poderá ser inspiração para muitos e estar ao lado de figuras relevantes na área como Alan Turing ou Edsger Dijkstra. Todas estas referências têm igual valor, independentemente da religião, género, orientação sexual ou tom de pele.

Muitas vezes pensamos que devemos “empurrar” determinados grupos menos representados para áreas específicas, nomeadamente a engenharia informática. O cerne da questão não está nos fatores acima mencionados mas na educação e nas oportunidades que cada um vai tendo, principalmente, durante a escolaridade obrigatória. Está também na forma como agarramos essas oportunidades e em como a nossa comunidade – família, grupo de amigos, professores ou vizinhos – nos acompanha no processo.

Engana-se também quem pensa que, com as bases do secundário, estamos preparados para um curso de engenharia informática. Embora acredite que só aprendi a programar na universidade, tive a sorte de poder ter escrito as minhas primeiras páginas web por volta dos 10 anos, quando decidi aprender HTML e CSS. Já no secundário, li vários fóruns e construí o meu próprio computador desktop por peças com todas as minhas poupanças. Acredito que muitas pessoas pensariam noutras alternativas para essas poupanças. No meu caso, tudo começou com a simples leitura de partes de uma revista de informática que o meu pai comprava todos os meses. Ao ver o meu interesse, um vizinho até emprestava a revista da ordem dos engenheiros! Tive a felicidade de encontrar alguns professores “fora da caixa” que não se importavam de perder 5 ou 10 minutos a falar sobre tópicos diferentes para motivar os alunos.

Ainda assim, continua a ser um mistério a forma de cativar para a engenharia informática. Como podemos criar mais oportunidades? Mais eventos nas escolas? Mais atividades extra-curriculares?

Existem imensas áreas dentro da informática, e muitas outras ainda por surgir e, com o tempo, todos os trabalhos serão de alguma forma relacionados com informática. Para já, continua a existir demasiada procura e pouca oferta de engenheiros informáticos por todo o mundo. Reconheço grande valor em equipas diversificadas mas acredito que precisamos urgentemente de educar futuros engenheiros, e que a capacidade técnica vai sempre ser o mais importante. Esta é sem dúvida a principal razão pela qual temos de continuar a apostar na educação.

*Daniela Matos de Carvalho é senior software engineer na Dashlane

  • Daniela Matos de Carvalho

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