Este país é para turistas?

  • Mariana de Araújo Barbosa
  • 19 Julho 2019

Pelo terceiro ano consecutivo, Portugal foi eleito o melhor destino turístico europeu. Mas trabalha todos os dias para atrair talento para o setor.

Quem percorre a calçada do Combro, uma das mais íngremes ruas de Lisboa, em dia de semana, percebe o cenário: faça chuva ou faça sol, é preciso pedir licença – ou abdicar do passeio e passar diretamente pela estrada – para conseguir caminhar sem obstáculos. Turistas! Eles estão por todo o lado, todo o ano, sem exceção.

O trabalho de divulgação e atração para Portugal não se resume a Lisboa. Todos os players do setor, apoiados por campanhas em massa feitas com o apoio do Turismo de Portugal e do próprio Governo, têm deitado por terra a ideia de um país onde o turismo é uma atividade sazonal e reforçado o impacto que o setor tem na economia nacional. Pelo terceiro ano consecutivo, Portugal foi eleito o melhor destino turístico europeu nos World Travel Awards, os Óscares do turismo, entregues na Madeira no final de junho. No total, Portugal conquistou prémios europeus em 39 categorias, concorrendo e destronando candidaturas de países como Áustria, Inglaterra, França, Alemanha, Grécia, Itália, Espanha ou Suíça.

Depois de um ligeiro abrandamento nos últimos meses de 2018, as receitas do turismo voltaram a crescer 9,6% em abril, para 331,5 milhões de euros, à boleia dos turistas espanhóis e da Páscoa. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, o alojamento turístico recebeu 2,3 milhões de hóspedes e 5,8 milhões de dormida no quarto mês do ano, valores que representam aumentos de 9,1% e 9,5% face ao período homólogo.

Se, por ano, são criados entre 30 a 40 mil empregos no setor, a falta de profissionais estimada passa pelo mesmo número. E isso faz com que, ainda que muito se fale numa guerra de talento na tecnologia – gigantes tech instalaram-se no país à procura de talento de ponta com salários competitivos -, os profissionais do setor afirmam que esta não é uma ausência de nicho mas generalizada. E isso inclui, no setor turístico, desde profissionais de cargos altos de gestão como quadros mais técnicos para funções como manutenção ou restauração.

Como atrair, gerir e reter talento num dos setores que mais impacta a economia e o país mas que parece a última opção entre as alternativas de trabalho? Estará o setor a “vender-se” tão bem internamente como no mundo inteiro? Como tornar o turismo um setor tão sexy por dentro como por fora? Na Pessoas do verão fomos falar com especialistas para tentar encontrar algumas destas respostas.

  • Mariana de Araújo Barbosa

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