Fenómenos estranhos. E por cá, tudo normal?

Houve os tempos do @dietprada, “fashion’s most powerful critic”, escreveu o Financial Times. Os tempos agora são das @checking_invoices. Já por cá, são de ModaLisboa.

Houve os tempos do @dietprada, “fashion’s most powerful critic”, escreveu o Financial Times. O duo que se manteve anónimo durante algum tempo e que na página do Instagram ia mostrando “as cópias” na indústria da moda. E havia de tudo. Como ainda há de tudo.

Verdadeiros “watchdogs”, com milhares de seguidores e com o respeito dos grandes senhores da indústria. Os post mostram, lado a lado, fotografias originais de designers e peças que parecem autênticos copycats. Sempre com criatividade, humor e crítica na mesma dose. O anonimato foi quebrado com uma entrevista e hoje sabe-se que os rostos da conta pertencem a Tony Liu e Lindsey Schuyler. Grande parte do sucesso vem de uma estratégia que os posiciona como outsiders, uma espécie de ponte entre a indústria propriamente dita e os entusiastas pela moda, que gera conversa, debate – fundamentais na era digital, e que traz uma certa forma de estar inclusiva a uma indústria que sempre se moveu pelo fascínio da primeira fila.

Os tempos agora são das @checking_invoices, outro duo anónimo no Instagram e na vida real, ou como a Vogue já escreveu a “Masked Instagram Account That Makes Fashion Fun Again”. Cada post partilhado mostra os autores da página mascarados, sempre “glammed-up runway”, e em tarefas diárias como… ir às compras. E sim, com milhares de seguidores. A diferença é que também é assim que se apresentam nas primeiras filas das grandes semanas de moda.

O que se sabe para além do que partilham? Que são duas roommates gregas a viver em Milão, uma stylist e uma modelo (com equipa própria de fotógrafo e diretor de moda). E já são convidadas para campanhas digitais e instagramáveis, o lugar onde melhor vive este tipo de comunicação. Uma forma de se sobressair numa blogosfera de moda saturada, e num mundo também saturado da exposição no social media, onde se reclama privacidade. Fenómenos estranhos? Diríamos que a moda também vive desta criatividade ou excentricidade.

Já por cá, os tempos são de ModaLisboa. E para já, tudo normal. Sabemos que temos na cidade a It Girl @evageraldine. O mote é Collective, a pluralidade numa única palavra, porque moda é futuro e o futuro quer-se coletivo. E informado. Nos últimos meses a Augusto Mateus & Associados (EY Parthenon) trabalhou no estudo Novas Tendências da Moda – procurando conhecer os consumidores contemporâneos, o impacto da inovação e da digitalização no aparecimento até de novos modelos de negócio.

A conclusão é que está em curso uma mudança de paradigma nas indústrias da moda, que se repercute na criação e implementação de novos modelos de negócios, focados na concessão de experiências únicas e diferenciadas aos consumidores contemporâneos. Que mensagem fica para as marcas portuguesas? Que o lado da procura está a ser influenciado pela intensificação da urbanização, pelas cidades e pelo crescimento das economias emergentes – com consumidores mais exigentes, que querem respostas rápidas e experiências customizadas, de marcas transparentes e sustentáveis. Depois de os canais digitais terem alterado os padrões quer de compra, quer de comunicação (exigindo-se uma uniformização entre o online e o offline), no dicionário da moda nacional entra definitivamente o termo: budget consciousness.

Com o paradigma a mudar, a aposta das marcas deve passar pela inteligência artificial, sugere o estudo, e aquisição ou parcerias com start-ups ou empresas tecnológicas, com investimentos na automação da produção e na deslocalização para os centros de consumo. E para os novos designers e gestores de marcas fica o conselho: a abordagem ao mercado deve ser centrada nas novas tecnologias, na comunicação e na comercialização, especialmente no segmento affordable luxury. Ideias para que a moda portuguesa Go Global. E deixe de ser um fenómeno estranho nos mercados internacionais.

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