Liderança em tempos de covid-19

  • Manuel Peixoto
  • 1 Junho 2020

O que será "boa" liderança em tempos de crise? O que nos faz sentir seguros, cuidados ou que a situação parece estar sob controlo?

A questão da liderança em tempos de crise é essencial e não surge apenas por ordens da DGS ou do Governo. Afeta também as organizações que atualmente precisam desenvolver estratégias e tomar decisões fundamentais.

Mas o que será “boa” liderança em tempos de crise? O que nos faz sentir seguros, cuidados ou que a situação parece estar sob controlo?

Neste contexto, fica claro que algumas organizações em Portugal estão a sair-se melhor do que outras congéneres, empresas e instituições.

É numa crise que podemos distinguir líderes de seguidores. É numa crise que descobrimos as pessoas de ação, aqueles que compartilham informações, que tranquilizam e encontram formas inovadoras de responder às necessidades daqueles a quem as nossas instituições ou organizações servem.

Emergem líderes que utilizam amiúde técnicas de coaching:

  • A velocidade do contacto com o público em situação de crise: sejam funcionários, clientes, fornecedores e, neste caso, cidadãos, empresas e organizações diretamente afetados.
  • A sinceridade da comunicação transmitida (nos media ou internamente, dentro de uma empresa) e a calma demonstrada, o que tende a sugerir que a situação está controlada.
  • A frequência das comunicações que favorecem uma atualização quase em tempo real e possibilitam informar e envolver o público nas diferentes etapas do protocolo de emergência.
  • Informações credíveis, com base em dados convincentes e o mais transparente possível em questões estratégicas e organizacionais e em que as pessoas devam ser informadas, educadas e geralmente capazes de exercer reflexão crítica.
  • Decisões e mensagens consistentes, explicadas verbalmente e por escrito.
  • Capacidade de explicar mudanças, evolução da situação e, possivelmente, pedir desculpas, se necessário.
  • Consistência no nível de autoridade e tom de comunicação com o público (funcionários, cidadãos, gestores, clientes, etc.).

O que os nossos líderes fizeram, primeiro tranquilizar, depois anunciar que, a situação sobre o controlo da crise, leva tempo e esforço para se controlar. O realce e o destaque em questões de liderança vai para a atual diretora-geral da Saúde. Se alguém revela ponderação, calma e energia à exposição mediática é ela. É uma líder que nos desvanece, a pessoa que melhor transmite serenidade, confiança e esperança, a expor os dados da situação que vivemos.

Nos momentos difíceis e dramáticos emergem pessoas líderes, cuja firmeza e resistência as tornam credoras do respeito e admiração. A voz serena é o lenitivo da ansiedade, na coragem, dedicação e competência. Os líderes são constituídos desta matéria.

Importa aqui ressaltar o papel dos líderes neste percurso. Portugal tem sido um bom aluno, face aos recursos que possui, tem trazido tranquilidade perante os media que, em contraponto, anunciam cada morte com o entusiasmo de uma meta atingida e de um registo ultrapassado, numa competição mórbida da propagação do medo, a competir com um vírus que tão depressa se propaga e de que tão pouco se sabe.

O que faz a diferença são os líderes que fazem a gestão do quotidiano, sendo aí que emergem entre nós líderes que estão a fazer a diferença. Recorrem a processos de coaching para melhor refletirem nas decisões que tomam.

São vários os jornais estrangeiros que falaram do caso português. Desde políticos a empresários que se adaptaram na ajuda à crise. Os grandes líderes foram aqueles que marcaram a ruptura pela sua coragem em assumir posições, a sua honestidade para com o seu público e, lembrando Churchill “sangue, suor e lágrimas”.

Quero pensar que, com melhores líderes, depois da tragédia renasça a esperança e, após a tempestade, venha a bonança.

*Manuel Peixoto é membro da direção da APG.

  • Manuel Peixoto

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