Mercado de trabalho em 2026: para onde estamos a caminhar?

  • Martim de Botton, Miguel Ricardo e Diogo Fabiana
  • 14:00

Flexibilidade, personalização, bem-estar e cultura deverão ser os pilares de 2026.

Entramos em 2026 com a certeza de que o espaço de trabalho já não é um lugar como o conhecíamos. A transformação dos últimos anos, acelerada por uma pandemia que obrigou as pessoas a encontrarem novas formas e locais para trabalharem, fez as pessoas, especialmente das gerações mais jovens, questionarem-se sobre como trabalhavam e veio impor novos desafios às empresas: como criar cultura, coesão e produtividade num mundo onde a flexibilidade deixou de ser benefício e passou a requisito?

Para as organizações, o grande desafio será equilibrar autonomia e proximidade, liberdade e coesão. Criar cultura num contexto distribuído implica pensar em espaços que reforcem ligação, criatividade e propósito comum. Aqui, os espaços flexíveis têm desempenhado um papel decisivo ao oferecer ambientes que se moldam às necessidades das equipas, mantendo viva a colaboração.

Depois, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional deixou de ser um desejo: tornou-se uma exigência. Horários flexíveis, ambientes que promovem serenidade, respeito pelos ritmos individuais e atenção à saúde mental são agora factores centrais na retenção de talento. Nos espaços de coworking, por exemplo, vemos diariamente como a combinação entre áreas comuns, rooftops, zonas de descompressão, luz natural e mobiliário ergonómico inspira criatividade, reduz stress e aumenta a motivação.

Este bem-estar não é um complemento, é um motor de produtividade sustentável. E à medida que as empresas se focam no seu core business, cresce a procura por soluções totalmente integradas. A ideia de que o cliente deve preocupar-se apenas com o seu negócio, enquanto nós asseguramos tudo o que envolve o espaço de trabalho, tornou-se central.

Já o modelo híbrido, presente em algumas empresas nos dias que correm, não deve diminuir a importância do contacto presencial. Pelo contrário, é nos momentos partilhados no mesmo espaço que surgem as ideias espontâneas, as conversas informais que desbloqueiam problemas e a criatividade que mais dificilmente se reproduz através de um ecrã. O trabalho presencial continua a ser essencial para reforçar relações, estimular a colaboração natural, cimentar a cultura e criar oportunidades de aprendizagem entre colegas. É também neste contexto físico que o sentimento de pertença se constrói de forma mais autêntica, num ambiente que favorece a socialização, a confiança e a coesão das equipas.

Temos também a geração Z com um papel cada vez mais central e que tem valorizado sobretudo autenticidade, propósito, comunicação transparente e líderes empáticos. Quer trabalhar num ambiente que respeite a sua individualidade e onde possa aprender, partilhar ideias e sentir-se parte de algo maior. Feedback contínuo, objetivos claros, comunicação genuína e liberdade para expor ideias são, por isso, essenciais para atrair e reter talento. E as empresas que melhor compreenderem esta mudança serão as que terão vantagem competitiva nos próximos anos.

E a inteligência artificial? Continuará, certamente, a transformar profundamente o mercado de trabalho. Assistiremos à eliminação de algumas funções, mas também à criação de novas profissões ligadas a dados, tecnologia, cibersegurança e, paradoxalmente, a competências profundamente humanas: liderança, empatia, inteligência emocional.

Assim, o futuro do trabalho não será definido apenas pela tecnologia. Será definido pela capacidade de as empresas colocarem as pessoas no centro. Flexibilidade, personalização, bem-estar e cultura deverão ser os pilares de 2026.

  • Martim de Botton
  • CEO do LACS
  • Miguel Ricardo
  • General Manager do SITIO
  • Diogo Fabiana
  • CEO do IDEA Spaces

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