Mindset de liderança digital

  • Tânia Baptista
  • 5 Agosto 2019

A grande preocupação neste momento prende-se com o gap das competências, tanto hard como soft, entre o que existe e o que o futuro necessita (achamos nós).

Quando pensamos no aparecimento de novos modelos de negócio como a Uber ou a Netflix, ou na reformulação de outros como a Lego ou o DBS Bank, com novos serviços e/ou produtos e com uma forte componente digital, é fácil imaginar que em qualquer um destes casos foi necessário um trabalho profundo de mudança de mindset junto dos colaboradores nomeadamente junto das lideranças. Os dias que correm necessitam de novas formas de trabalhar.

Mas estarão os líderes preparados para a digitalização? A grande preocupação neste momento prende-se com o gap das competências, tanto hard como soft, entre o que existe e o que o futuro necessita (achamos nós). O mercado pede cada vez mais perfis digitais, ao mesmo tempo que necessita de pessoas empáticas, orientadas para a experiência do cliente, apaixonadas pela aprendizagem, colaborativas e capazes de viver na ambiguidade. As lideranças têm o desafio de preparar para a mudança e desenvolver algumas destas soft skills. Este desenvolvimento representa, per si, um desafio de mindset: trata-se de um desafio de liderança digital, que muito em breve passará a ser um elemento estratégico, de muitos dos negócios que conhecemos.

Em algumas empresas consideradas “digital masters”, como a Nike, Asian Paints ou Starbucks, vai-se muito além do investimento tecnológico, investe-se no desenvolvimento de competências de liderança. No DBS Bank, assistiu-se entre outras coisas a um compromisso e foco no mindset digital, por parte das lideranças, bem como a uma atitude de cooperação muito evidente e chave no processo de mudança (por exemplo com hackathons entre geeks e gestores do banco).

Seguem um conjunto de iniciativas facilitadoras da liderança colaborativa e consequentemente dos próprios projetos de transformação digital:

  • Pensar as funções em rede (à semelhança do que fez a Lego), tornando evidentes as interdependências (competências partilhadas) e respetivos ganhos;
  • Criar mindset de network e feedback no dia a dia, de forma a instituir a abertura como elemento da cultura;
  • Facilitar a criação de parcerias e ligações entre colaboradores;
  • Utilizar a gamificação como forma de reconhecimento entre pares.

Em tempos de mudança importa olhar para o futuro digital com otimismo, curiosidade e vontade de fazer! Se há época onde falar em “experiência” (do cliente ou do colaborador) faz sentido, é agora. Parece-me que esta é a oportunidade dos RH e das lideranças pensarem e valorizarem a experiência das suas pessoas … fica o desafio: mindset e mãos à obra!

Nota: Entenda-se liderança digital como processo de influência, mediado pela AIT [tecnologia da informação avançada], que pode produzir uma mudança nas atitudes, sentimentos, pensamento, comportamento e desempenho (Avolio et al., 2014).

*Tânia Baptista é consultora de RH.

  • Tânia Baptista

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