Os clientes não estão em primeiro lugar

  • Pedro Sá
  • 6 Abril 2020

Não, os clientes não estão em primeiro lugar. Primeiro estão os nossos, os advogados e os colaboradores que se superam e que se ultrapassam. Primeiro estão as nossas pessoas e as suas famílias.

Escrevo em abril, o mês da Liberdade. Em que ainda não vemos a luz ao fundo do túnel, mas já se antevê o comprimento do túnel, assente que está a primeira poeira de desorientação e dissipadas já as nuvens negras do pânico e do desespero iminente, que pairava, sobranceiro, sobre vidas, empresas, nações e civilizações.

Escrevo em abril. No mês que pôs fim à idade das trevas lusitanas, ao meio século obscurantista, ensimesmado, resignado, pequeno, egoísta e invejoso do outro milénio. No mês da esperança e da luz, dos amanhãs que encantam mesmo quando não cantam. Abril marca o princípio do fim da nova ditadura, mais breve mas mais brutal – a do Covid, a tal do monotema público, da mitigação, da quarentena e do flatten the curve. É o mês decisivo, definitivo e definidor – do tempo e do modo da crise, do fim da crise, do início do dia seguinte e das sílabas tónicas dos outros dias, a seguir.

E nós, advogados, fazemos agora o que podemos e sabemos fazer melhor – em teletrabalho, videotrabalho, cibertrabalho e muito trabalho. Todos os dias, a toda a hora, fazendo jus, mais do que nunca, à qualidade de profissionais livres e liberais, que acompanham, esclarecem, explicam, resolvem, aconselham, tranquilizam e constroem a justiça em tempos injustos e invernosos. Sem horas, sem sono, sem quartel. Sobre o alerta e sobre a emergência; sobre a cerca sanitária e sobre as exceções; sobre a contratação pública e os encerramentos privados; sobre a contingência, os voos e os cruzeiros; sobre os restaurantes e os trabalhadores; sobre a segurança social e os apoios; sobre as moratórias e as linhas de crédito; sobre a assistência familiar e as escolas; sobre as fronteiras e o isolamento profilático; sobre a requisição civil e os parques de campismo; sobre as cadeias de abastecimento e as vending machines; sobre os impostos e os serviços públicos; sobre os postos de trabalho e os cidadãos estrangeiros; sobre os lay-offs simples e os complexos; sobre os formulários e as burocracias; sobre as cadeias de abastecimento e as faturações; sobre os pagamentos, os atendimentos e os agendamentos.

Nós, os advogados, pomos em primeiro lugar os nossos colegas, profissionais incansáveis e dedicados e sempre a postos. É a eles que agradeço e que a PRA agradece – às equipas, aos responsáveis, aos mais experientes e aos estagiários, a todos os que nos permitem estar sempre lá e estar aqui. Estando todos juntos, conseguimos estamos presentes e, como um organismo imune ao vírus, vingamos e damos as mãos aos clientes; sem toque, mas como pedra de toque das vidas, do património e dos negócios deles, que acompanhamos sem esmorecer e sem nos distrairmos um minuto.

Escrevo em abril, o mês da primavera. No intervalo entre duas conference-calls com clientes, ao som de Bill Evans, o pianista genial, que acompanhou Miles Davis e que gravou o disco You Must Believe in Spring no rescaldo da sua própria tragédia. Escrevo em abril, porque temos que acreditar na primavera.

Não, os clientes não estão em primeiro lugar. Primeiro estão os nossos, os advogados e os colaboradores que se superam e que se ultrapassam. Primeiro estão as nossas pessoas e as suas famílias. Primeiro estão aqueles que oferecem o seu saber, o seu esforço, o seu sacrifício e a sua abnegação.

Para que os clientes estejam em primeiro lugar.

  • Pedro Sá
  • Sócio da PRA

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