Pre-loved. Quem anda no mercado?

Não só é tendência como cresce, e um pouco por todo o mundo, 21 vezes mais rápido que o restante mercado fast fashion, isto nos últimos três anos.

É admirável a forma como os senhores do marketing têm a capacidade e a criatividade de nomear e renomear mercados, ajustando-se aos tempos e aos consumidores. Na era da sharing e circular economy, Pre-loved é a nova buzzwordpara o conhecido mercado de produtos em segunda-mão.

O que traz de novo? Um prefixo que acrescenta valor, emoção e engage a um mercado que já existia, mas que agora se assume como uma tendência entre as gerações Millennium e Z. Gerações com uma consciência mais verde, nativos digitais que não querem ser vistos nas redes sociais com a mesma peça…duas vezes! Ou simplesmente porque gostam de uma boa “pechincha” e porque são o novo público para o luxo aspiracional. Na verdade, até já se diz que, se numa primeira fase foi um mercado influenciado pelos early adapters, o fenómeno tornou-se rapidamente mainstream.

Não só é tendência como cresce, e um pouco por todo o mundo, 21 vezes mais rápido que o restante mercado fast fashion, isto nos últimos três anos. De acordo com a consultora GlobalData, em 2023 só o mercado norte-americano de luxo pre-loved, deverá duplicar e chegar aos 51 mil milhões de dólares. Quando crescem as plataformas e os marketplace, onde uma simples fotografia e uma descrição, funcionam com eficácia como ferramenta de venda. Casos como a famosa VestiaireCollective.com vão mais longe a acrescentam ao preço, o valor da certificação, assegurada por peritos. Porque é preciso uma garantia que um amor antigo se pode tornar num novo amor, numa relação que não aceita infidelidades, como a contrafação.

Há então uma nova geração de consumidores que passou a olhar, principalmente para a roupa e acessórios, como tradable asset’s, que influenciados pela japonesa Marie Kondo diminuíram e organizam de outra forma o guarda-roupa. Fenómeno que transcende idade e poder de compra, e casos como o therealreal.com mostram que esta nova economia não tem fronteiras. Tal como a plataforma mencionada em cima, trabalha, neste caso de forma gratuita, com gemiologistas, relojoeiros e autenticadores de marcas na oferta de produtos de luxo em segunda mão. Diz que é uma forma de monitorizar e mitigar o risco de reputação das marcas.

A Farfetch foi também uma das recentes empresas a entrar neste mercado a que o Financial Times já chamou “the rise and rise of the designer resale market”. No estudo de mercado “true-luxury global consumer insight 2019” da Boston Consulting Group, o mercado pre-loved já representa 7% do valor do mercado de luxo, sendo que 80% dos inquiridos diz que é através de canais online que se informa e faz a compra.

E a confirmação de que as marcas, principalmente as de luxo, abraçam este mercado de amor é a parceria entre a Burberry e a RealReal, segundo a casa britânica como forma de atrair novos consumidores, aumentar as vendas e a longevidade dos seus produtos. Porque se é luxo, deve perdurar. Uma migração de uma produção linear para a circular e que assinala uma grande mudança no paradigma do luxo: até aqui de acesso restrito, exclusivo e de elites

E porque existe e as marcas não podem ficar indiferentes, a Audemars Piguet anunciou que iria criar uma subsidiária dedicado ao pre-loved, um mercado que a marca acredita que será 10 a 20 vezes superior ao mercado tradicional da alta relojoaria. Sinais dos tempos, ou “the next big thing” para as marcas, e para os consumidores que mais do que termo perdurar preferem o variar.

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