Web Summit: Chique a valer!

Obviamente que qualquer evento que sirva para divulgar Portugal como um potencial destino para investimento e que contribua para aproximar empresas de investidores, clientes e parceiros é positivo.

A Web Summit não tem mal nenhum e não tenho nada contra… Portugal só tem a ganhar por receber milhares de empresas. O problema está, com quase sempre, no aproveitamento político, na retórica de muitos dos intervenientes e principalmente na falta de espírito crítico na avaliação dos prós e contras da organização deste evento. Será esta a melhor forma de ajudar as startups tecnológicas portuguesas e de divulgar a “marca Portugal”? Se não avaliarmos, nunca saberemos.

Antes de mais, obviamente que qualquer evento que sirva para divulgar Portugal como um potencial destino para investimento e que contribua para aproximar empresas de investidores, clientes e parceiros, é positivo. Mesmo que não garanta investimento direto em Portugal, qualquer evento desta dimensão é uma excelente oportunidade para as empresas portuguesas (startups ou não) se encontrarem com potenciais parceiros e clientes – este é pelo menos o feedback das empresas com que falei.

No entanto, daí a achar que é o equivalente aos Descobrimentos no século XXI ou, que é um exemplo do quão avançado está o Estado português é, no mínimo, exagerado. Fazê-lo num ano em que morrem 110 pessoas em fogos – com falhas clamorosas nas comunicações graças à nossa supostamente avançada empresa de comunicações –, menos de um mês depois do fatídico 15 de outubro, depois do episódio caricato de Tancos e, agora, do Panteão –, enquanto se sabe que há uma epidemia de legionella (num hospital público!) está ao nível das caricaturas que Eça de Queiroz fazia n’Os Maias.

E quanto mais se exagera nos autoelogios, como os feitos pelo primeiro-ministro quando anunciava que Portugal é um país com pouca burocracia, pior. Imagine-se o choque que as empresas que, de facto, decidam investir ou deslocalizar-se para Portugal não terão assim que enfrentarem os atrasos em licenciamentos e principalmente na Justiça. Não é por acaso que Portugal não só está ainda longe do topo dos rankings de empreendedorismo e tecnologia como até piorou no último ranking do World Economic Forum.

Mas a grande pecha é mesmo quanto à avaliação: o ministro da Economia fala em 300 milhões de retorno mas, no ano passado, também se falava dos mesmos valores. Na realidade, qual foi o retorno? Quantas empresas fizeram negócios graças à Web Summit e quanto foi investido pelo Estado e pelas empresas? Importava mais ter resposta a estas perguntas do que discutir quem é o responsável pelo jantar do Panteão. Assim poderíamos saber se a Web Summit vale mesmo a pena ou se será melhor encontrar outra alternativa a esta feira.

A Web Summit não tem mal nenhum nem é uma parolice: o que é uma parolice é dizer aos quatro ventos que coloca Portugal no centro do mundo e usá-la como propaganda dum país onde o Estado falha constantemente. Elogiar os avanços tecnológicos de Portugal desta forma e, depois do que se tem passado este ano, é quase como ler a descrição das corridas de cavalos em Belém e os comentários do Dâmaso às modas de Paris: Chique a valer!

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