Aqui, a vacinação é feita só por militares. Fomos visitar a “Casa aberta” do Estádio Universitário

Com capacidade para 1.200 pessoas, a vacinação no pavilhão 3 do Estádio Universitário é feita exclusivamente por militares. Aqui, a palavra-chave é "organização" e tudo é planeado ao milímetro.

Atualmente, há cerca de 300 centros de vacinação espalhados de norte a sul do país, a maioria a serem geridos por civis, apesar de a gestão do processo estar a cabo das Forças Armadas. Não obstante, no pavilhão 3 do Estádio Universitário, a vacinação é feita exclusivamente por militares.

Com capacidade para cerca de 1.200 pessoas, foi neste pavilhão que o centro de vacinação do Estádio Universitário começou por funcionar, contudo, acabou por passar para um outro espaço de maior dimensão no mesmo local. Mas há cerca de duas semanas, este pavilhão foi reativado, tendo em vista a aceleração do processo de vacinação, dada a rápida disseminação da variante Delta.

Centro de Vacinação "Casa Aberta" na Cidade Universitária - 06JUL21

Nesse sentido, o pavilhão 3 está agora a funcionar como “Casa aberta” para os maiores de 45 anos, o que permite a esta faixa etária receber a primeira dose da vacina sem marcação prévia e desde que não tenha contraído a infeção há menos de seis meses, bem como para os utentes com mais de 60 anos que foram vacinados com a primeira dose da vacina da AstraZeneca até 16 de maio e ainda não receberam a segunda dose. Aqui a palavra-chave é “organização” e tudo é planeado ao milímetro para que nada falhe, contado com o apoio de uma equipa de 47 homens e mulheres vestidos “de camuflado” e cinco bombeiros.

Estamos a trabalhar com cintos e suspensórios para não haver falhas”. A garantia é dada ao ECO pelo Capitão médico João Aniceto, chefe de apoio à vacinação do pavilhão 3, do Estádio Universitário, em Lisboa. Assim, junto à entrada do pavilhão, os utentes são imediatamente recebidos por um segurança e um militar. É aquilo a que se chama a pré-triagem, e onde são feitas algumas questões aos utentes, por forma a avaliar se se enquadram nos critérios definidos para serem inoculados naquele espaço, como por exemplo, serem portadores de um cartão de utente, ou serem elegíveis para a “Casa aberta”.

Se receberem “luz verde”, os utentes são “agrupados por grupos” e encaminhados para as bancadas no piso superior do pavilhão, que conta com 80 lugares. Este novo posto é uma das grandes diferenças face ao que acontecia quando o pavilhão recebia utentes por marcação, já que nessa fase as pessoas tinham que aguardar no exterior. A mudança foi feita com o intuito de dar “o maior conforto possível” às pessoas e que estas fiquem “o menor tempo em pé à espera”, explica João Aniceto. Além disso, permite também que estas comecem a “visualizar o processo”, assinala.

Mas o processo vacinal só se inicia a partir do momento em que os utentes voltam a ser encaminhados para uma outra fila, novamente no exterior do pavilhão. Assim, para passarem à triagem, cada pessoa tem que desinfetar as mãos, é-lhes medida a temperatura e, caso, tenham uma máscara comunitária, é-lhes cedida uma máscara cirúrgica. “Só podem entrar assim”, garante o capitão médico.

Passando este procedimento, entram finalmente na triagem, onde são convocados a preencherem um pequeno questionário, fornecido pela equipa médica presente no local e tal como acontece nos restantes centros de vacinação. Aqui os utentes devem indicar se possuem alguma contra-indicação à vacina, como alergias a alguns dos seus componentes ou a outras vacinas já administradas, bem como se têm uma doença crónica, se tomam anticoagulantes, entre outros.

O objetivo é despistar eventuais problemas de saúde que possam afetar a vacinação. Esta etapa conta com o apoio de “três a quatro enfermeiros” prontos a esclarecer qualquer dúvida, sendo que “o número de enfermeiros é variável consoante a afluência”, aponta João Aniceto.

Posteriormente, os utentes têm que aguardar até serem convocados para a triagem, onde este questionário vai ser analisado por outra equipa de enfermeiros, que vão inserir os dados dos pacientes em sistema informático e onde têm acesso a outras plataformas como a TraceCovid, que permite saber, por exemplo, se os utentes já foram infetados pela Covid-19 (sendo que se tiverem estado há mais de seis meses só podem tomar uma dose da vacina, à exceção dos pacientes que apresentem condições de imunossupressão), bem como ao portal Vacinas, onde constam as vacinas que cada utente já tomou, marcando o fim desta etapa.

“Inscritos e elegíveis para vacinação, os utentes aguardam que sejam chamados para a vacinação”, explica o Capitão médico João Aniceto. Com 10 postos de vacinação e três salas de preparação de vacinas, tudo neste local está organizado ao pormenor, havendo, inclusivamente, um gabinete para cada tipo de vacina. Por forma a gerir o tempo da melhor maneira possível, quando se aproxima do momento da vacinação, os utentes são organizados em duas filas, para que sejam chamados ao posto de vacinação, logo que este este livre. “Se cada enfermeiro estiver à procura do utente vai perder tempo”, explica o chefe de apoio à vacinação deste pavilhão, acrescentado que “três minutos à procura de cada pessoa, ao fim de mil pessoas são três mil minutos perdidos”.

Centro de Vacinação "Casa Aberta" na Cidade Universitária - 06JUL21
Hugo Amaral/ECO

Após estarem vacinados, os utentes são encaminhados para o recobro, onde lhes é distribuído uma sacola com água e fruta e onde devem aguardar 30 minutos, por forma a garantir que não desenvolvem efeitos adversos à vacina e se acontecer alguma coisa são imediatamente assistidos. Com capacidade para 78 pessoas, e dispostos por fila, é também neste ponto um dos maiores entraves à aceleração da vacinação, dado que “mesmo que consigamos vacinar mais pessoas, depois não têm onde as sentar”, admite o Capitão médico João Aniceto.

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