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IE Tower. Um campus vertical de 180 metros ao lado de grandes multinacionaispremium

A IE University inaugura esta terça-feira o primeiro campus vertical de Espanha. Entre as torres da KPMG e da PwC, a IE Tower altera a linha do horizonte de Madrid e traz um novo conceito educativo.

As obras estruturais estavam feitas e, quando a Pessoas visitou o novo campus da IE University, só faltavam os últimos detalhes para a IE Tower abrir finalmente portas. À entrada do edifício do primeiro campus vertical em Espanha -- e um dos poucos deste género no mundo --, seis rececionistas aguardam atrás de um balcão a chegada dos milhares de estudantes da IE University e, pela torre de 35 andares em Madrid, deambulam dezenas de técnicos de construção, de capacete na cabeça e bloco de notas na mão, a ultimar os detalhes para a grande abertura.

Sente-se o ambiente de ensaios para a estreia, prevista para outubro, altura em que a escola inaugura oficialmente o edifício que acolhe quatro mil alunos, dos quais mais de 150 portugueses. Localizada no complexo "Cuatro Torres Business Area" (CTBA), no Paseo de la Castellana de Madrid, a IE Tower eleva para cinco as famosas torres da capital espanhola. Precisamente entre as torres da PwC e da KPMG, a IE Tower, que já recebeu a alcunha de Torre Caleido, muda completamente a linha do horizonte de Madrid. Mas altera também o próprio centro empresarial, que passará a ter como vizinhos os alunos da universidade privada e, com eles, mais espaços verdes e uma zona de restauração com múltiplas opções de gastronomia mundial. Com a torre chega também um conceito de ensino a pensar nos novos tempos: um modelo híbrido, que combina o ensino presencial e online.

“Estamos no new business de Madrid, chamado de ‘New Madrid North’. No meio da cidade, mas sem abrir mão de nada. Temos um auditório com capacidade para 600 pessoas, uma zona de restaurantes, salas de aulas, piscinas, zonas verdes para a prática de exercício físico... Para termos um campus no centro da cidade, tinha de ser vertical”, começa por dizer Juan José Güemes, presidente do centro de empreendedorismo e inovação e vice-presidente de assuntos económicos da IE University, numa visita guiada que fez à Pessoas, antes da inauguração do novo campus.

O investimento atingiu os 25 milhões de euros e culminou em 50.000 metros quadrados numa torre de 180 metros de altura, distribuídos ao longo de 35 andares. As obras começaram em 2016, tendo sido atrasadas (mas também melhoradas) com o eclodir da pandemia em Espanha, em março de 2020.

A par da diversidade, sustentabilidade e inovação e empreendedorismo, a tecnologia é um dos pilares da IE Tower e sente-se logo no momento em que se entra na torre. Para aceder ao edifício, os estudantes contam com um passaporte sanitário — uma das alterações feitas devido à pandemia — e, para evitar as filas de espera nos elevadores, a universidade recorreu à inteligência artificial. Cada um dos 22 elevadores, dos quais dez serão utilizados exclusivamente pelos alunos, percorre seis metros por segundo, de maneira a que sejam precisos, no máximo, 40 segundos para subir até ao piso da sala de aula pretendida. E ninguém terá de esperar mais do que um minuto pelo seu elevador. Além disso, não se chama o elevador através de um botão. Em vez disso, o elevador é ativado através de um sistema de reconhecimento facial.

Ligados por elevadores ou escadas — para promover um estilo de vida mais saudável —, pelos mais de 30 pisos não faltam cadeiras, mesas ou sofás ainda por desembalar. No chão ainda são visíveis restos de obras, bem como mobiliário envolto em plásticos, mas já colocados nos seus sítios à espera da chegada de alunos e professores.

O ‘Liquid Learning’ não é um plano de contingência, veio para ficar. O modelo presencial é importantíssimo e nós incentivamos que os estudantes venham para cá, mas, quando alguém não pode estar presente não tem porque interromper as aulas.

Juan José Güemes

Presidente do centro de empreendedorismo e inovação e vice-presidente de assuntos económicos da IE University

Nas salas de aula, a tecnologia está pronta para servir o modelo que nasceu com a pandemia da Covid-19, o "Liquid Learning", e que veio para ficar. Afinal, converter o centro numa "referência de inovação e tecnologia, aplicada à educação", é o objetivo, adianta Juan José Güemes.

A melhor experiência educativa... Na sala de sala ou em casa

“Porque é que um aluno que fica doente, não necessariamente de Covid-19, tem de perder ou dois dias de aulas? Não faz sentido. Já não me imagino num mundo assim”, diz o presidente do centro de empreendedorismo e inovação da IE University. “Este modelo — o ‘Liquid Learning’ — não é um plano de contingência, veio para ficar. O modelo presencial é importantíssimo e incentivamos que os estudantes venham para cá, mas, quando alguém não pode estar presente, por doença, por motivos pessoais ou até porque vive noutro país, não tem porque interromper as aulas.”

Para oferecer as melhores ferramentas e experiência a quem está na sala de aula e também a quem está a assistir através do ecrã, a IE colocou microfones no teto das salas que se ativam com a voz dos alunos. “Quem está a assistir virtualmente pode, assim, não só ouvir o professor, mas também os colegas, e sentir-se parte da turma”, explica Juan José Güemes. O tradicional quadro preto é substituído por um eletrónico, instalado num púlpito de madeira reciclada, no qual o professor escreve e a mensagem é projetada num quadro eletrónico de maiores dimensões, no centro da sala, para que os estudantes vejam e captem o raciocínio. Quem está em casa consegue também acompanhar o que está escrito no quadro, já que o sistema que utiliza para assistir à aula está conectado ao tablet do docente.

“Redefinimos os nossos programas, demos formação aos nossos professores [11 são portugueses] e mudamos completamente as nossas salas de aulas para dar suporte ao ‘Liquid Learning’”, conta, salientando que a comunicação informal é “absolutamente fundamental”, não só no contexto profissional, mas também na educação. “Há 18 meses especulávamos sobre as aulas online, agora sabemos que não funciona, pelo menos a 100%.”

Embora no início do projeto tivessem sido previstos espaços polivalentes, com a Covid-19 essa polivalência e flexibilidade deu um salto quântico. Hoje o edifício conta com 64 salas de aulas de configuração flexível, paredes amovíveis em quase todos os espaços e zonas abertas em vários pisos, onde os estudantes podem beber um café, comer um snack, relaxar e conviver de maneira mais informal uns com os outros.

Tão importantes como as aulas em sala são todos os momentos que complementam a aprendizagem na IE e que a universidade considera cruciais para a formação dos futuros líderes, tanto que criou para esse efeito salas de interação e de network. “Uma das lições que retirámos da pandemia foi que os alunos não aprendem só através dos professores, nem nas salas de aula. Aprendem uns com os outros, noutros espaços, através de atividades lúdicas.”

A nova sede da IE é, por isso mesmo, composta por muito mais do que salas de aulas. Há 7.000 metros quadrados destinados a zonas verdes e instalações desportivas. À medida que descemos aos pisos mais inferiores da torre, já subterrâneos, entre portas e mais portas, que garantem a segurança do edifício, nomeadamente em caso de incêndio, chegamos a um campo de desportos polivalente, onde pode ser jogado basquete, futebol, badminton ou voleibol, por exemplo.

Por cima há salas destinadas a aulas de ioga, pilates, boxe ou crossfit e, do outro lado do campo, passando por um balneário equipado com duches e centenas de cacifos, chegamos às duas piscinas climatizadas, uma de 25 metros e outra de dez metros, pensadas para os alunos que preferem os desportos aquáticos. Facilmente um aluno pode passar todo o dia na IE Tower. Entre aulas, há desporto para todos os gostos, clubes e ateliers de cozinha, arte, tecnologia... De tudo um pouco. Há também lugar para quem está já a montar a sua própria empresa, através de uma aceleradora de startups e de salas que são lhes atribuídas para usarem como escritório da empresa. “É o ambiente perfeito para inovar.”

Diversidade como motor da inovação

Mas não só a própria cultura e o ambiente vivido na IE apelam à criatividade e inovação. A diversidade, um dos principais pilares da universidade, está bem presente e faz toda a diferença na formação dos estudantes. Há mais de 140 nacionalidades na universidade e nenhuma turma tem uma nacionalidade predominante.

“Não se trata apenas de fazer amigos, eles aprendem como lidar com a diversidade”, considera o presidente do centro de empreendedorismo e inovação da IE University. E a diversidade vai muito além das nacionalidades, fomenta-se a diversidade de género (51% dos alunos são mulheres), combinam-se estudantes com diferentes backgrounds, de modo a que a turma seja o mais rica possível e proporcione uma melhor experiência e mais completa no convívio entre alunos.

Juan José Güemes, presidente do centro de empreendedorismo e inovação e vice-presidente de assuntos económicos da IE University.D.R.

Em certos momentos, misturam-se até os vários cursos, para evitar a homogeneidade de conhecimentos e interesses. Todos os cursos, desde arquitetura a business, têm determinados créditos obrigatórios, dedicados às humanidades e onde se misturam os estudantes. “Consideramos esta disciplina fundamental para o desenvolvimentos dos líderes globais e para criar impacto positivo no mundo.”

Ao situar-se no meio de um campus empresarial, a IE também pretende fomentar as relações e o networking entre alunos e profissionais. A zona de restauração, nomeadamente, onde vão estar algumas dezenas de restaurantes, será o ponto de encontro entre um aluno do quarto ano de business e um consultor da KPMG ou da PwC, por exemplo. O espaço de retail está ainda praticamente vazio, mas já é fácil imaginar restaurantes, esplanadas cheias e a agitação das horas de almoço, ainda que o complexo “Cuatro Torres Business Area” esteja muito mais calmo do que animação habitual que se vivia antes da Covid-19 ter deslocado os escritórios de muitos profissionais que ali trabalham para as suas casas. “Vai haver restaurantes de cozinhas de várias partes do mundo, para responder às diferentes nacionalidades que temos aqui” e, mais uma vez, estimular a multiculturalidade.

Percorra a fotogaleria e conheça a IE Tower ao pormenor:

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