Pizza em três minutos não é um pormenor. Como a Mercadona criou o serviço de Pronto a comer

Criado há um ano e lançado primeiro em Espanha, o Pronto a comer da Mercadona tem 200 referências e muito poucos segredos. Está nas cinco lojas que a cadeia de distribuição tem em Portugal.

O ecrã parece saído de um filme de ficção científica. E André Pereira, o cientista que o comanda. Para combater o desperdício nos pratos que vende e que estão prontos a comer, a Mercadona usa um “sistema de âncora” que ajuda a prever e, logo, a não produzir mais comida do que a que realmente cada loja precisa.

“O sistema dá-nos uma previsão a partir da análise do registo de vendas de dias anteriores semelhantes, que nos permite ver o que vendemos nas horas seguintes o que ajuda a fazer a gestão de produção”, explica o coordenador de catedráticos. Na Mercadona desde 2016, André é responsável pela parte de formação de gerentes o que, além de outras responsabilidades, o obriga a estar atento a todas as necessidades dos clientes. E tanto àquilo que dizem como ao que mostram, todos os dias, nas lojas da cadeia de distribuição espanhola que se estreou no nosso país este verão.

Mercadona inaugura a primeira loja em Portugal - 01JUL19
Frango assado é um dos produtos-estrela do Pronto a comer.Hugo Amaral/ECO

“O meu trabalho foi começar a vir para Portugal, ir à concorrência, aos supermercados, ver o tipo de produtos que havia, fazer visitas à casa das pessoas para ver o que compram, o que comem, o que têm na despensa e no frigorífico. Perceber o que compram e porque compram”, conta Catarina Salvado, gestora de categoria e na Mercadona desde outubro de 2016.

O processo de pensar e construir o cabaz do “chefe” português — a denominação que a Mercadona usa para os clientes que são, segundo a cadeia espanhola, quem tudo decide — começou há mais de três anos. Nessa altura, além de todos os produtos de supermercado à venda, a marca decidiu começar a apostar numa área de Pronto a comer, categoria que ainda não existia em Espanha e que foi trabalhada em conjunto para os dois mercados.

“Quando começámos a definir o sortido para Portugal, tínhamos alguns pratos de Espanha, mais internacionais como as pizzas, no total de 12 pratos que trouxemos de Espanha. Depois temos 23 pratos típicos de Portugal: alguns em particular, da zona norte, como as bifanas ou as tripas à moda do Porto”, explica André. Catarina detalha: “Criámos alguns para Portugal, como por exemplo o arroz de pato, que em Espanha não tínhamos, ou o bacalhau com espinafres e broa. Há outros exemplos: trabalhamos o frango assado assim em bolsa, que também foi criado para Portugal: em Espanha também temos um mas aqui mudámos a receita, mais adaptada ao consumo português, que tem molho de limão. (…) Os produtos que também acabámos por incluir de acordo com o ‘chefe’ português foram as sopas, não temos nenhuma destas em Espanha. O que tentamos fazer é levar alguns produtos que temos bons em Portugal, para as nossas lojas de Espanha. Temos os nossos rissóis de leitão, o bacalhau à Brás, coisas que vamos levando”.

Cinco ingredientes e uma pizza em três minutos

Desde o início de setembro, a Mercadona abriu em Portugal cinco lojas. Em todas elas implementou o serviço já existente em cerca de 170 das mais de 1.600 que a cadeia de distribuição tem em Espanha. Lançado em agosto de 2018, o serviço Pronto a comer integra, em Portugal, cerca de 200 referências de produtos, divididos em três categorias: “ambiente”, que inclui produtos à temperatura ambiente, “refrigerado” — a maioria dos produtos desta categoria –, e a dos “congelados”, inclui pratos como pizzas, lasanha, arroz de pato e bacalhau com broa, entre muitos outros.

Além dos produtos já acabados que apenas precisam de ser aquecidos, existem outros que são produzidos todos os dias em cada uma das lojas — para garantir a qualidade dos pratos, a Mercadona tem uma “central de produção” em cada loja que permite, por exemplo, que um cliente escolha o tamanho, os ingredientes e que a sua pizza esteja pronta a comer em apenas três minutos.

“Outro sistema que ajuda bastante na organização é o facto de termos um tablet que agrega todos os pedidos, que aparecem em vários pontos da cozinha, mediante o seu ponto de preparação”, explica André.

Na área de Pronto a comer, para cada loja a Mercadona formou entre 15 a 20 pessoas, cuja gestão depende do fluxo de clientes, adaptado caso a caso. “É um laboratório, estamos ainda a aprender e além disso, em constante mudança porque surgem novas necessidades do ‘chefe’, produtos mais veganos. Decidimos começar por estes produtos”.

Frango assado da Mercadona é servido e transportado nestas caixas de cartão, que permitem que esteja inteiro ou cortado.Mariana de Araújo Barbosa/ECO

Entre os 200 produtos de Pronto a comer à venda nas lojas da Mercadona em Portugal, muitos deles vêm de fornecedores portugueses. Casos como o lombo de porco ou o leitão são alguns dos exemplos, assim como muitos da categoria de congelados, vindos de produtores como a Comifrio, de São Paio, Braga, ou a Frigosto, das Caldas da Rainha, entre outros. Já nas sopas, a Mercadona trabalha com a nacional Hortisopa, de Almargem do Bispo.

Além do surtido, também as lojas foram adaptadas às necessidades dos clientes que, muitas vezes escolhem o mesmo local para comer as suas refeições. Talheres, guardanapos e copos são alguns dos elementos existentes na saída das lojas, que permitem aos “chefes” comer no local onde compram os seus alimentos já prontos a consumir.

No caminho verde

Ainda que, na maioria dos casos, os produtos prontos a comer tenham limitações quanto ao tipo de embalagens para os manter com as características de qualidade e conservação ideais, a Mercadona, tal como tantas outras empresas, continua na busca de soluções mais amigas do ambiente. “Temos estado a trabalhar no que é o impacto ambiental, nas nossas lasanhas incorporámos outras embalagens, por exemplo. Na parte dos plásticos estamos a tentar trabalhar, já incluímos um envase reciclável”, explica Catarina, acrescentando que ainda que esteja na ordem do dia, “há muito para trabalhar e melhorar”. Muitas das embalagens usam o papel e a cana-de-açúcar como principais constituintes.

“Estamos a adaptar às novas tendências e a habituar-nos à ideia. Muitas vezes, nós supermercados, procuramos uma coisa mas ainda não há ninguém que produza. O que nós sabemos, o que captamos, é desde os nossos clientes. Depois vamos à procura de fornecedores que consigam produzir”, acrescenta Catarina.

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