BCE compra mais de mil milhões em dívida portuguesa em setembro

As compras de dívida pública portuguesa por parte do banco central voltaram a acelerar no mês passado, aliviando dúvidas dos mercados quanto a eventual falta de liquidez no mercado nacional.

O Banco Central Europeu (BCE) voltou a acelerar o ritmo de compra de dívida portuguesa. No total, a autoridade monetária do euro adquiriu obrigações do Tesouro nacionais com um valor nominal de 1.022 milhões de euros em setembro no âmbito do seu programa de compra de títulos do setor público (PSPP).

As compras registadas no mês passado vieram acalmar os mercados e dissipar algumas dúvidas em relação a uma eventual escassez de títulos elegíveis para o plano de compra do BCE. O banco central não pode deter mais de 33% de uma linha de obrigações e os investidores sinalizaram com preocupação o facto de as aquisições de dívida da parte do BCE terem desacelerado durante junho e agosto, meses em que o total de compras ficou nos 958 milhões e 722 milhões de euros, respetivamente. Na atualização dos dados relativa ao último mês, o BCE indicou que aumentou a sua carteira de dívida portuguesa para um total de 21,84 mil milhões de euros.

Alguns analistas colocaram a hipótese de o BCE poder vir a enfrentar dificuldades em comprar títulos até final do ano, um cenário que o Banco de Portugal afastou. Em declarações à agência Reuters, a instituição liderada por Carlos Costa adiantou que “a disponibilidade de dívida portuguesa para compra está longe de alcançar o seu limite”, assegurando que o BCE vai continuar a comprar títulos portugueses até, pelo menos, março de 2017, quando termina o atual plano de compra de dívida.

"A disponibilidade de dívida portuguesa para compra está longe de alcançar o seu limite.”

Banco de Portugal

Reuters

Foi neste cenário de alguma incerteza que a percepção de risco da parte dos investidores em relação a Portugal atingiu máximos de sete meses no final de setembro, uma evolução que motivou a preocupação da DBRS, a agência canadiana que mantém Portugal elegível para o programa de compras do BCE e que a 21 de outubro revê o rating da dívida portuguesa. Atualmente, a taxa de juro associada às obrigações a 10 anos, a referência no mercado, descia cerca de cinco pontos base até aos 3,34%.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

BCE compra mais de mil milhões em dívida portuguesa em setembro

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião