TAP quer crescer em Lisboa. Moreira contesta

Perante os apelos de Neeleman em crescer para além da Portela, Rui Moreira ironiza, "Não estávamos nada à espera disto".

“Não estávamos nada à espera disto”. É com esta declaração irónica que Rui Moreira, no Facebook, reage às afirmações de David Neeleman de que é necessário aumentar o aeroporto de Lisboa — já que a TAP está a crescer mais depressa do que a infraestrutura — e sugeriu a utilização do Montijo. Um processo que, do seu ponto de vista, deve avançar rapidamente, porque a TAP não pode esperar.

Em declarações aos jornalistas, após uma intervenção na Web Summit, o empresário disse: “Não podemos crescer se nos dizem que está limitado, temos de abrir outro aeroporto. O Montijo está lá, não podemos esperar três anos para que isso aconteça, as ‘low cost’ [companhias aéreas de baixo custo] podem ir para lá e nós ficamos aqui [no aeroporto Humberto Delgado], mas tem de acontecer mais rápido do que está a ser feito”, afirmou, citado pela Lusa, salientando que, atualmente, a maior preocupação da TAP é que o aeroporto não cresça ao mesmo ritmo que a companhia aérea.

“Até ao ano que vem temos muitas coisas que queremos fazer, que podíamos fazer, mas não vamos poder fazer”, afirmou o responsável, na sua intervenção no Web Summit, e à margem defendeu aos jornalistas, explicitamente, a solução Portela + 1, referindo que no Montijo poderiam ficar companhias low cost, como Easyjet e Ryanair, enquanto a TAP (incluindo TAP Express) ficaria com o usufruto do terminal 2 do aeroporto da Portela, refere o Diário de Notícias.

Governo aguarda estudo técnicos para a Portela

O alargamento do aeroporto está inscrito nas Grandes Opções do Plano para 2017. Mas o Governo ainda espera os estudos técnicos. Ainda assim, reconhece que na opção Portela +1, o Montijo é aquela que está mais estudada. “Ainda não está disponível para entrega qualquer estudo sobre a capacidade do aeroporto”, disse Pedro Marques, na sua audição no Parlamento no âmbito da discussão do Orçamento do Estado na especialidade.

O ministro do Planeamento e Infraestruturas frisou que ainda aguarda os “estudos técnicos que estão a ser realizados”.

Pedro Marques ironizou que no Executivo anterior “parecia haver muita vontade de usar a pista do Montijo sem quaisquer estudos”. Agora, a decisão será tomada com base em estudos sobre a procura e a complementaridade de pistas, nomeadamente o Montijo. Mas admitiu que numa possibilidade de avançar com uma pista complementar, “a solução mais estuda é usar a pista do Montijo”.

Recorde-se que o presidente da Câmara do Porto tem uma posição muito crítica em relação à TAP. Rui Moreira escreveu mesmo um livro sobre a TAP e a “polémica estratégia de abandono do aeroporto do Porto”. Este livro foi escrito em “tempo recorde”. Ao longo de 250 páginas, “TAP – Caixa Negra” desvenda “os bastidores do diferendo” do autarca independente contra a transportadora, avançando com “pormenores desconhecidos acerca da vinda da Ryanair para Portugal, de jantares secretos e cartas a vários primeiros-ministros”, refere Nuno Santos, adjunto do autarca e coautor da publicação.

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Moreira tem criticado a estratégia da TAP para o Porto e admitiu “apelar ao boicote da região” à transportadora, acusando-a de ter em curso uma estratégia para “destruir o aeroporto Francisco Sá Carneiro”, no Porto, e construir, em Lisboa, “um novo aeroporto e uma nova ponte”.

A “guerra séria” que Rui Moreira disse ter em curso contra a TAP deve-se, em parte, à ligação aérea entre Vigo e Lisboa e à suspensão de quatro rotas europeias que a TAP diz representarem um prejuízo de 8,02 milhões de euros, ao passo que a autarquia do Porto garante terem uma “ocupação média de 90%”, representando “o transporte de perto de 190 mil passageiros, em 1.867 voos de ida e volta”.

Pedro Marques também aproveitou a sua audição no Parlamento esta semana para responder a esta polémica. O ministro destacou o crescimento “muito importante” — 86% — com a ponte aérea Lisboa/Porto. A utilização desta rota cresceu 86%, de 200 mil para 373 mil passageiros”, disse o ministro, em resposta ao deputado socialista João Paulo Correia, que solicitou um balanço da operação da ponte aérea da TAP lançada em março deste ano. O responsável pela pasta das Infraestruturas realçou que “três quartos dos bilhetes não foram vendidos no Porto, mas em Lisboa e em Faro. Ao contrário do receio de que a ponte aérea fosse para trazer passageiros para ligações internacionais a partir de Lisboa, a ponte aérea tem sido efetiva a deslocar passageiros a partir de Lisboa para o Porto”.

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