Economia de Fillon ou de Juppé? Direita escolhe adversário de Le Pen

  • Marta Santos Silva
  • 27 Novembro 2016

Um quer eliminar completamente o défice, o outro quer eliminar completamente o limite de horas semanais de trabalho. Conheça as propostas económicas dos candidatos da direita francesa.

Com Nicolas Sarkozy fora da corrida, é este domingo que os eleitores franceses do centro-direita escolhem quem vão querer para enfrentar Marine Le Pen da Frente Nacional: o antigo primeiro-ministro e ministro do Trabalho François Fillon ou o também ex-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros Alain Juppé.

Fillon afigura-se mais reformador e surpreendeu na primeira volta das primárias ao empurrar Sarkozy para fora da corrida. Já Juppé, que era o favorito até à entrada súbita de Fillon, mostra-se mais conciliador e conservador. No entanto, ambos defendem mudanças que certamente vão ser pouco populares junto de alguns dos eleitores: adiar a idade da reforma para mais tarde, acabar com o limite de 35 horas de trabalho semanal e cortar o subsídio de desemprego são algumas delas.

Qual das duas visões económicas vão os franceses escolher para liderar a direita nas eleições de 2017? Este domingo saber-se-á a resposta. Entretanto, conheça aqui as posições dos dois candidatos relativamente a seis questões centrais.

Défice: Fillon é menos ambicioso

Ambos os candidatos prometem reduzir o défice francês a longo prazo, mas François Fillon prevê que este se mantenha acima das metas da União Europeia em 2017, entre os 3,5% e os 4%. Antecipa que só em 2020 o défice desça para níveis inferiores aos 3% exigidos por Bruxelas.

Alain Juppé, por seu lado, antecipa 3,5% em 2017 e que já em 2018 o défice seja inferior a 3%. O candidato admite ainda erradicar totalmente o défice público até ao final do mandato de cinco anos, se for eleito Presidente.

De acordo numa coisa: 35 horas já eram

Tanto François Fillon como Alain Juppé concordam: o limite legal de 35 horas de trabalho semanal tem de acabar. Só não estão de acordo acerca da regra que deve substituir este regime. Enquanto Juppé, mais moderado, quer voltar ao limite anterior de 39 horas de trabalho semanais, embora tencione, antes disso, abrir a discussão com os parceiros sociais, Fillon é rígido: pretende acabar com todas as limitações além da fixada pelo Direito Europeu nas 48 horas semanais.

Subsídio de desemprego

Ambos preveem reduzir esta prestação social, mas mais uma vez a proposta de Fillon, assumido Thatcherista, é mais drástica do que a de Juppé. François Fillon prevê que após seis meses, o subsídio de desemprego seja cortado em 75%. A proposta de Juppé é outra: uma diminuição progressiva de 25% ao fim de um ano e outros 25% ao fim de 18 meses, sem que a prestação desça abaixo de 870 euros mensais.

Sistema de pensões: ambos poupam o mesmo

O jornal francês Le Figaro fez as contas para perceber qual dos programas dos dois candidatos da direita seria melhor para fortalecer o sistema de pensões e mantê-lo sustentável a longo prazo.

Com base na proposta de Fillon de aumentar progressivamente a idade da reforma até aos 65 anos até 2022 e de equiparar as reformas do público às do privado, assim como a de Juppé, que é em tudo semelhante com o acréscimo de prever pleno emprego em 2022 (o que significa uma taxa de desemprego de 5% segundo as definições da Organização Internacional do Trabalho), o Le Figaro concluiu que ambos os candidatos manteriam as caixas das pensões no positivo para lá de 2040.

Impostos: Fillon sempre mais reformador

François Fillon quer aumentar o IVA em dois pontos: a taxa normal passaria para os 22% e a taxa intermédia para os 12%. Não mexe no IRS mas corta a taxa de impostos sobre os rendimentos das sociedades de 33,3% para 23%.

Juppé é bem menos drástico, com a intenção de reduzir os impostos das empresas, mas em três pontos percentuais para as maiores empresas, que passariam a pagar 30%. Quem sai favorecido são as pequenas e médias empresas, que pagariam apenas 22% de imposto. Também o IVA subiria, mas apenas na taxa normal e apenas um ponto percentual, para 21%.

Função Pública: Fillon quer o dobro dos cortes de Juppé

François Fillon, num combate acérrimo à despesa do Estado, quer cortar meio milhão de empregos na Função Pública ao longo do seu mandato de cinco anos, sem substituir os funcionários que se reformem ou cujo contrato termine. Como? O aumento das horas semanais de trabalho para 39 compensaria as 500 mil saídas, afirma Fillon.

Já Juppé quer cortar metade dos postos de trabalho que Fillon propõe: até ao fim do mandato, o candidato sugere suprimir 250 mil postos de trabalho. “Não vou aplicar com brutalidade nem em todo o lado o método conhecido como ‘um por cada dois'”, afirmou num dos debates das eleições primárias.

 

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