Altice está às compras (também) em França. A missão? Criar um império europeu

A dona da PT Portugal quer investir nos conteúdos próprios e oferecer oito novos canais aos seus clientes em França. O anúncio veio colocar pressão sobre o principal rival francês, a Vivendi.

Depois das notícias que davam conta do interesse da Altice pela Media Capital, dona da TVI, a multinacional volta agora a concentrar-se no mercado francês, onde é um dos maiores players. Tudo como parte de uma missão maior: criar um império europeu do setor das telecomunicações.

Desta vez, escreve o Financial Times, o grupo liderado por Patrick Drahi, que por cá já controla a PT Portugal, quer oferecer oito novos canais aos clientes da operadora francesa SFR, também detida pela Altice. Segundo o jornal financeiro, a ideia passa por criar canais próprios e distribuir canais de outros estúdios, de forma exclusiva.

A Altice vem, assim, colocar pressão sobre outro grande grupo francês das telecomunicações — a Vivendi, dona do Canal Plus, que tem perdido clientes e enfrentado dificuldades financeiras que já obrigaram a adiar o plano de se tornar na “Netflix da Europa”. Este ano, os prejuízos da Vivendi podem ascender a 400 milhões de euros.

O anúncio da Altice “criou um campo de batalha em França entre a Vivendi e a Altice, e traz publicidade negativa para a Vivendi e o Canal Plus”, considera um analista do BNP Paribas, citado pelo Financial Times. A pressão, aponta outro analista, surge, sobretudo, por uma mudança de paradigma: ao apostar em conteúdo próprio, a Altice deixa de estar refém da guerra de preços. “Estão a mudar as regras do jogo”, refere o analista.

Mas nem tudo são rosas para a Altice. A investida do grupo na área dos conteúdos próprios já levou a que a sua dívida líquida subisse para 49,3 mil milhões de euros, aponta ainda o jornal britânico.

Campos de batalha há muitos

Não é só em França que a guerra pelo domínio nas telecomunicações está ao rubro. O caso paradigmático é o da AT&T, que quer comprar a Time Warner por mais de 78 mil milhões de euros e posicionar-se, o mais rapidamente possível, como líder no mercado de streaming de vídeos, atualmente dominado pela Netflix.

A uma escala mais pequena, em Portugal, a guerra também está aberta, ainda que os analistas tenham dúvidas sobre o espaço que há para eventuais fusões no mercado português das telecom. Depois do interesse manifestado pela Altice na Media Capital, a Nos chegou-se à frente e assegurou estar disposta a ripostar com as mesmas armas.

“Se se confirmar que a Altice compra a TVI, e se os reguladores não fizerem nada, aceitando essa aquisição, haverá guerra, defenderemos os interesses dos nossos clientes”, disse o CEO da operadora, Miguel Almeida, em entrevista ao Expresso. Quer isso dizer, acreditam os analistas, que a Nos poderá estar interessada em comprar a Impresa.

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