O que vai na cabeça de Janet Yellen? Vá ao Twitter

Janet Yellen deverá anunciar uma subida de 0,25 pontos na taxa de juro, um ano depois da primeira. Mas o que vai acontecer a seguir? Vá ao Twitter.

Podem apenas 140 carateres ajudar o investidor a antecipar como os mercados vão reagir à Reserva Federal norte-americana? Sem dúvida. Quando o Comité Federal do Mercado Aberto anunciar esta quarta-feira um aumento da taxa de juro em 0,25 pontos, já as redes sociais terão abordado do tema até à exaustão. E, apesar do aparente excesso de informação de qualidade duvidosa que se pode encontrar nestes meios de comunicação menos convencionais, no caso do Twitter, cada pequeno tweet detém o poder de antever o que vai acontecer a seguir nos mercados financeiros. Quer uma sugestão para o dia de hoje? Cole-se ao Twitter.

Para os investidores, é praticamente certo que Janet Yellen avance com uma nova subida de juros — a primeira foi em dezembro de 2015 –, reforçando a inversão definitiva dos estímulos monetários na maior economia do mundo já esta quarta-feira. Isto depois de um longo período de juros historicamente baixos na sequência da crise do subprime, em 2008.

Num cenário em que o mercado há muito que descontou a subida da taxa diretora, o maior desafio da Fed passará pela sua capacidade de incorporar nos agentes económicos as expectativas em relação à sua política monetária em função das suas previsões económicas. Ao aumentar a taxa de juro diretora, a autoridade vai aumentar o preço do dinheiro, restringindo a atividade económica — pedir dinheiro ao banco vai ficar mais caro, por exemplo. Sendo assim, os investidores vão querer saber se há mais subidas das taxas em perspetiva ao longo do próximo ano, porque isso representa muito da confiança da Fed em relação à evolução da economia norte-americana.

janet-yelen

O comunicado do banco central norte-americano só será divulgado ao final da tarde, hora de Lisboa. Mas para perceber o que vai na mente de Janet Yellen poderá sempre recorrer ao Twitter. Sim, ao Twitter.

Pablo Azar e Andrew Lo estudaram perto de quatro milhões de tweets relacionados com a Fed, entre 2007 e 2014. E concluíram que, apesar de a natureza dessa fonte de informação levantar dúvidas sérias acerca da sua qualidade — por exemplo, Donald Trump tem sido um frequente utilizador do Twitter para criticar a ação de Yellen –, quando se analisa um acontecimento tão recorrente como as reuniões do Comité Federal do Mercado Aberto, os tweets revelam uma tremenda capacidade preditiva nos mercados financeiros nos dias em que há anúncio de decisão.

“Exploramos um conjunto de tweets com referências à Fed que demonstrou que o seu conteúdo pode ser usado para prever retornos futuros, mesmo após controlar outros fatores de fixação de preços de ativos”, lê-se no resumo do estudo “The Wisdom of Twitter Crowds: Predicting Stock Market Reactions to FOMC Meetings via Twitter Feeds”.

“Os dados mostraram que uma estratégia de alocação de ativos com base nos tweets apresentou um melhor desempenho que muitos benchmarks, incluindo estratégias de compra e venda de um índice de mercado ou uma estratégia dinâmica de alocação de ativos que não use informação do Twitter”, concluíram aqueles autores.

"Os dados mostraram que uma estratégia de alocação de ativos com base nos tweets apresentou um melhor desempenho que muitos benchmarks, incluindo estratégias de compra e venda de um índice de mercado ou uma estratégia dinâmica de alocação de ativos que não use informação do Twitter.”

Pablo Azar e Andrew Lo, investigadores norte-americano

The Wisdom of Twitter Crowds

Salientaram, contudo, que o estudo foi realizado num período em que a Fed baixou continuamente os juros até níveis perto de zero, tendo ficado sem se perceber se o mesmo modelo de previsão que construíram se pode aplicar num cenário de expectativa de subida dos juros e descida das ações.

Com o S&P 500 a avançar há sete dias dias seguidos e Yellen a apontar um aumento das taxas, o cenário de poder antecipar à Fed está completamente invertido. Prevalece o ditado do mercado norte-americano: “Don’t fight the Fed” — não lute contra a Fed.

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