Facebook contra-ataca notícias falsas. E em força

A rede social vai confiar a tarefa de verificar notícias falsas a organizações externas, como a ABC News e a Associated Press. Desinformação será despromovida nos feeds.

Quando se tem algum tipo de influência na vida de 1,8 mil milhões de pessoas, é bom que não se dê nenhum passo em falso. E também é bom que se tomem as decisões certas. Por isso, o Facebook FB 0,00% irá finalmente tomar medidas para combater “o pior do pior” da desinformação que por lá circula.

Segundo o The Wall Street Journal, a rede social vai passar a fazer alterações no algoritmo para retirar relevância a alguns sites de notícias falsas. A tarefa de os identificar ficará adjudicada a organizações externas, que passarão a ter um papel de relevo na ordem pela qual as publicações surgem nos feeds dos utilizadores. É uma decisão pouco comum por parte da empresa.

Entre os parceiros, a ABC News e a Associated Press e sites de fact checking como Snopes.com, PolitiFact e FactCheck.org. De forma independente, estes serviços poderão verificar uma notícia que esteja assinalada como potencialmente falsa e comunicar a conclusão ao Facebook. A confirmar-se a ausência de factos, o Facebook despromove as publicações que estejam afetas a essa notícia.

As alterações já estão a ser testadas nos Estados Unidos. No Facebook em português também já há a possibilidade de denunciar notícias falsas. “Estamo-nos a tentar focar no pior do pior”, disse Adam Mosseri, do Facebook, que está responsável pela execução medidas.

Isto surge na sequência da discussão sobre o papel que as notícias falsas tiveram nos resultados das eleições norte-americanas. Em causa, publicações virais com falsas declarações de Donald Trump ou insinuações de que Hillary Clinton estaria envolvida num caso de homicídio, entre muitas outras. Mark Zuckerberg, presidente executivo do Facebook, chegou mesmo a desvalorizar a situação, mas voltou atrás mais tarde.

Ainda assim, no pós-eleições, a Google e o próprio Facebook decidiram retirar os espaços publicitários em sites de informação falsa, uma das principais fontes de rendimento (e motivação) de quem se dedica a esta atividade. Chegou mesmo a surgir um grupo não oficial de trabalhadores, preocupados com o assunto.

Dar à rede social o poder de decidir o que é verdadeiro do que é falso foi a justificação de Zuckerberg para não terem sido tomadas medidas mais cedo — o receio era o de que o Facebook tornasse numa espécie de árbitro da verdade. Ao confiar em organizações externas e especializadas em verificação de factos, Mark Zuckerberg espera contornar esse problema.

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