Passos Coelho: “Já desperdiçamos demasiado tempo”

O PSD lançou uma nova newsletter diária e o líder foi o primeiro a assinar um artigo de opinião. Apesar de reconhecer que "2016 também trouxe boas notícias", Passos deixa avisos para o futuro.

O PSD entrou em 2017 com uma nova newsletter, lançada esta segunda-feira, assinada por Pedro Passos Coelho. O ex-primeiro-ministro avisa que já se desperdiçou “demasiado tempo” e pediu “coragem para lutar pelo que pode ser difícil mas que vale a pena”. “O tempo começa a não estar tanto a nosso favor como já esteve”, avisa.

No texto de opinião — “A necessidade de uma Agenda Reformista” — Passos Coelho identifica as prioridades: “precisávamos de intensificar o ritmo de crescimento da nossa economia, de melhorar significativamente o nível de emprego e de geração de rendimento e também de consolidar e acelerar um caminho de desendividamento sem o qual não se garante um nível de financiamento externo compatível com as possibilidades da nossa economia”. Para o ex-primeiro-ministro isso não tem sido alcançado uma vez que “o país tem vindo a desaproveitar as vantagens da política monetária europeia”.

Entre o otimismo e o pessimismo — “estados de espírito que nem sempre ajudam a encontrar as melhores soluções”, escreve –, Pedro Passos Coelho afirma que é “preciso aumentar a sua [a de Portugal] resiliência às incertezas políticas externas”. O líder da oposição critica a governação atual por não “tirar partido suficiente das oportunidades associadas a um regime de petróleo mais barato, aproveitando termos de troca mais favoráveis para suportar um aumento das importações dirigidas para o investimento produtivo ou para impulsionar ganhos de quota de mercado no exterior”.

O tempo, esse, “não volta para trás”, e aquilo que diz serem oportunidades desperdiçadas já não regressam. “Cada vez temos menos tempo para tirar partido das referidas vantagens”, avisa. Urge, por isso, “criar espaço adequado para lidar com essas alterações [eventuais crises] sem ter de pagar um preço muito elevado pelos ajustamentos que tenham de fazer“, argumenta. E é neste ponto que critica diretamente o atual Governo: “A nossa agenda nacional esteve mais voltada para o cumprimento dos equilíbrios internos da maioria de governo do que para a prevenção de riscos futuros”, escreve o líder do PSD.

Passos Coelho pede, por isso, uma estratégia a médio e longo prazo e para o Governo “enterrar as políticas de reversão”, “deixando de lado a encenação mediática e o eleitoralismo, e apostando na transformação séria e mobilizadora da estrutura social e económica”. A terminar o texto, o líder do PSD compromete-se em fazer uma oposição coerente.

Editado por Pedro Sousa Carvalho

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