Confederação Europeia de Sindicatos reclama saída imediata de Dijsselbloem

  • Lusa
  • 23 Março 2017

O cerco à volta do presidente do Eurogrupo está cada vez mais apertado. Desta vez é a Confederação Europeia de Sindicatos a pedir a demissão de Jeroen Dijsselbloem.

A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) reclamou esta quinta-feira a demissão imediata do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e a sua substituição por alguém com “uma mente mais aberta”, capaz de construir consensos entre os países da zona euro. “Os seus insultos acerca de países gastarem dinheiro em mulheres e álcool são suficientemente maus, mas o verdadeiro problema é que ele já não será ministro no novo Governo holandês. Ele deve demitir-se imediatamente. O seu partido perdeu as eleições, e ele tem que sair”, defendeu o secretário-geral da CES, em comunicado divulgado em Bruxelas.

Ele deve demitir-se imediatamente. O seu partido perdeu as eleições, e ele tem que sair.

Confederação Europeia de Sindicatos

Luca Visentini, secretário-geral

De acordo com Luca Visentini, “a Europa necessita de um presidente do Eurogrupo com uma mente mais aberta, que seja capaz de construir consensos entre os ministros, de forma a conseguir dar à Europa aquilo que ela desesperadamente necessita: uma forma de aumentar o investimento público, uma reforma do pacto de estabilidade e crescimento e um aumento da procura através de aumentos salariais nos setores público e privado”.

A Europa necessita de políticas genuinamente amigas do crescimento, muito diferentes das políticas conservadoras e neoliberais que o senhor Dijsselbloem praticou durante o seu mandato”, conclui o secretário-geral da Confederação Europeia de Sindicatos.

O Governo português pediu o afastamento de Dijsselbloem da presidência do fórum de ministros das Finanças da zona euro, na sequência da entrevista da passada segunda-feira ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, na qual o político holandês observou que “durante a crise do euro, os países do norte mostraram solidariedade com os países afetados pela crise”, mas “também deve haver obrigações” e “não se pode gastar todo o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir ajuda”.

“A Europa só será credível com um projeto comum no dia em que o senhor Djisselblom deixe de ser presidente do Eurogrupo e haja um pedido de desculpas claro, relativamente a todos os países e povos que foram profundamente ofendidos por estas declarações”, disse na quarta-feira o primeiro-ministro António Costa.

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