Comissão também já critica Dijsselbloem

  • Margarida Peixoto
  • 22 Março 2017

A comissária para a Concorrência Margrethe Vestager já criticou as declarações de Jeroen Dijsselbloem. E Portugal também já não está sozinho a defender o afastamento do presidente do Eurogrupo.

A Comissão Europeia já se juntou ao coro de críticas às declarações do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, sobre os países do sul da Europa. E Portugal também já não está sozinho a defender o afastamento do líder europeu: Matteo Renzi, ministro das Finanças italiano, defendeu que quanto mais depressa Dijsselbloem sair do cargo, melhor.

“Eu não o teria dito e penso que é errado”, disse esta quarta-feira a comissária para a Concorrência, Margrethe Vestager, numa conferência de imprensa em Bruxelas, citada pela Bloomberg.

Vestager referia-se aos comentários de Dijsselbloem numa entrevista a um jornal alemão, sobre os países em crise, do sul da Europa. “Como social-democrata, atribuo excecional importância à solidariedade. [Mas] também há obrigações. Não se pode gastar o dinheiro todo em álcool e mulheres e depois pedir ajuda”, disse Dijsselbloem.

"O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem perdeu uma ótima oportunidade para estar calado (…) Quanto mais depressa sair, melhor.”

Matteo Renzi

Ministro das Finanças italiano

“O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem perdeu uma ótima oportunidade para estar calado“, escreveu Matteo Renzi, ministro das Finanças italiano, no Facebook. O governante italiano considerou “estúpidas” as “piadas” de Dijsselbloem e defendeu que o presidente do Eurogrupo “não merece ocupar o cargo que ocupa”. E rematou: “Quanto mais depressa sair, melhor”. Renzi aproveitou ainda para recordar a sua proposta de introduzir primárias nos cargos de responsabilidade na Europa, um caminho para, no seu ponto de vista, reforçar a democracia.

O presidente do Partido Socialista Europeu, Sergei Stanishev, também foi duro nas críticas. “Com uma só frase, Dijsselbloem conseguiu insultar e desacreditar tantas pessoas e aumentar as divisões. As suas palavras são ofensivas tanto para os países do sul como do norte da Europa, mulheres e homens“, disse, numa declaração escrita, citado pela Lusa.

“É realmente uma vergonha que um representante da nossa família política contradiga a essência dos valores da unidade, respeito e solidariedade que são as fundações do projeto europeu”, frisou ainda, lembrando a celebração do 60º aniversário dos Tratados de Roma, agendada já para o próximo sábado, numa cimeira considerada determinante para o futuro da União Europeia.

Esta manhã, um porta-voz de Jeroen Dijsselbloem veio repetir parte do que o presidente do Eurogrupo já tinha dito ontem no Parlamento Europeu. Recordou que o comentário do ainda ministro das Finanças holandês (o seu partido sofreu uma pesada derrota nas eleições da semana passada) não se referia a nenhum grupo específico de países e que a mensagem “para todos os países da Zona Euro era que a solidariedade vem com obrigações”, disse, citado pelo Financial Times.

Ontem, quando foi confrontado pelo eurodeputados com as suas declarações na entrevista, o próprio Jeroen Dijsselbloem manteve o sentido do que tinha dito na entrevista. Como conta o EUobserver, questionado sobre se queria aproveitar para pedir desculpa, o ministro das Finanças holandês respondeu: “Não, certamente que não. Isso não foi o que eu disse”.

Um eurodeputado catalão, Ernest Urtasun, leu as suas declarações. Dijsselbloem respondeu: “Eu conheço as minhas declarações, saíram desta boca”. E continuou: “O que eu tornei muito explícito é que a solidariedade vem com fortes compromissos e responsabilidades, de outra forma a solidariedade não se mantém”.

“Não fiquem ofendidos, não se trata apenas um país mas todos os países. A Holanda também falhou em cumprir aquilo que tinha acordado. Não vejo [um conflito entre] regiões do Eurogrupo”, disse ainda, conforme acrescenta o Financial Times.

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