Grandes investidores avançam com processo para bloquear venda do Novo Banco

A gestora de ativos BlackRock anunciou que, em conjunto com outros grandes investidores, vai avançar com um processo para bloquear a venda do Novo Banco.

Um grupo de grandes investidores do Novo Banco vai avançar com um processo para travar a venda do banco. O anúncio foi feito, esta segunda-feira, pela gestora de ativos BlackRock, que faz parte deste grupo. Em causa está a transferência de cinco linhas de obrigações do Novo Banco para a massa falida do BES, ou o chamado “banco mau”. Estas obrigações totalizam, no seu conjunto, 2,2 mil milhões de euros.

O grupo de grandes investidores que agora quer avançar para a justiça, liderado pela BlackRock e pela Pimco, representa dois terços do total de 2,2 mil milhões de euros investidos. Ao todo, estes investidores terão perdido 1,5 mil milhões de euros quando o Banco de Portugal decidiu transferir estes títulos de dívida sénior do Novo Banco para a massa insolvente do BES.

Esta disputa tem envolvido o próprio Governo nas negociações. Na semana passada, Portugal apresentou um acordo a estes investidores que previa uma compensação de 600 milhões de euros, mas o grupo já tinha feito saber que nunca aceitará este acordo.

Perante uma ação tão discriminatória e prejudicial, o grupo que representa mais de dois terços dos títulos no valor de 2,2 mil milhões de euros não tem alternativa se não avançar com procedimentos legais contra o Banco de Portugal, numa tentativa de recuperar as perdas dos seus clientes“, refere a BlackRock, em comunicado enviado às redações.

“Vários membros do grupo vão procurar uma injunção para bloquear a venda do Novo Banco durante a semana que começa a 3 de abril de 2017. As regras que governam o processo de venda são discriminatórias e violam as leis europeias e portuguesas”, acrescenta a gestora de ativos. Isto porque fechar a venda “afetaria a capacidade dos seus clientes de recuperar as perdas”.

A BlackRock critica ainda o “mecanismo de capital contingente”, no valor de 3,98 mil milhões de euros, o modelo de garantia encontrado para cobrir uma eventual desvalorização dos ativos do Novo Banco. “Isto demonstra que o Banco de Portugal tem os meios, mas não a vontade, para resolver a disputa em curso”.

O grupo de grandes investidores volta a defender que o melhor para Portugal seria chegar a acordo, assegurando que este resultaria num custo de financiamento mais baixo, além de beneficiar a reputação do setor financeiro. “As autoridades portuguesas são fortemente encorajadas a procurar uma conclusão construtiva e atempada para esta questão”, conclui a BlackRock.

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