Governo e privados discutem solução para o malparado em Bruxelas

  • ECO
  • 27 Abril 2017

Governo e privados reuniram com a Direção-Geral da Concorrência, em Bruxelas, para discutir com as autoridades europeias uma solução para o crédito malparado.

Em meados de fevereiro, o Governo e consórcio privado chefiado por António Esteves, o ex-partner do Goldman Sachs reuniram com a Direção-Geral da Concorrência em Bruxelas para discutir com as autoridades europeias uma solução pública e privada para resolver o problema do crédito malparado que não seja considerada uma ajuda de Estado, avança o Público (acesso condicionado).

Em Portugal, a banca tem cerca de 30 mil milhões de euros em crédito malparado e desde 2016 que o Executivo está a estudar uma solução para o problema dos ativos tóxicos. Mas o processo já falhou o prazo apontado pelo primeiro-ministro para estar concluído — dezembro de 2016. A problema é não só encontrar capital para financiar um mecanismo que adquira estes ativos, ainda que com uma forte desvalorização, mas também a resistência do Governo em entregar a limpeza do sistema a fundos especulativos, avança o Público.

Depois do encontro exploratório na DGComp houve algumas conversas informais com os principais grupos portugueses cujos balanços são penalizados pelo malparado (non performing loans, NPL, na sigla em inglês). CGD, o BCP, o Novo Banco e o Montepio concentram a maior parte do crédito problemático e por isso revelaram interesse, segundo o Público, em aderir à solução que está ser desenhada.

Segundo o Público, o ministro das Finanças fez-se representar no encontro pelo seu adjunto Rodrigo Castro e Nunes — o ex-diretor adjunto do Departamento de Tesouraria e Financeiro do BES foi nomeado adjunto de Mário Centeno num despacho de 13 de março, mas com efeitos a partir de fevereiro de 2017. E com António Esteves foi Jorge Marrão, da Deloitte, Miguel Mendes Pereira e Paula Gomes Freire, advogados da Vieira de Almeida, que apoiam o consórcio internacional. Na reunião, participaram também dois técnicos da Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER), acrescenta o jornal.

Recorde-se que a Vieira de Almeida, a Deloitte, em conjunto com António Esteves, antigo partner do Goldman Sachs, estão dispostos a pagar 15 milhões de euros para resolver os cerca de 30 mil milhões de euros de crédito malparado que a banca nacional detém, avançou o Público em janeiro. Em outubro do ano passado, com base em informação prestada na altura por fontes próximas do processo, o ECO já tinha apurado que este mesmo consórcio tinha avançado com uma proposta ao Governo e ao Banco de Portugal para retirar a carteira de malparado do sistema bancário português.

O Público sublinha ainda que no encontro não esteve nenhum membro do grupo liderado por Vítor Escária, encarregue pelo primeiro-ministro de “desenhar o mecanismo político para fechar o dossiê do crédito malparado”,e do qual também fazem parte Diogo Lacerda Machado, Esmeralda Dourado e Pedro Siza.

 

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