Portugal volta ao exame da Moody’s. E o trabalho de casa?

A agência volta atualizar rating da dívida portuguesa esta sexta-feira. Não se esperam grandes novidades na notação "lixo", mas Portugal tem feito o seu trabalho de casa nos últimos meses.

A Moody’s volta esta sexta-feira a pronunciar-se sobre o rating de Portugal, depois de falhar a avaliação que estava prevista para janeiro. O outlook estável atribuído pela agência deixa antever a manutenção do nível Ba1, considerado lixo e que se mantém desde julho de 2014. Mas pode haver novidades, quanto mais não seja por aquilo que terá a dizer em relação às mudanças (visíveis) que deverá encontrar face à última vez em que colocou o país em exame.

Na última avaliação a Portugal, emitida a 15 de dezembro, a Moody’s deixou bem claro o que a preocupava na altura. Os maiores desafios de crédito que o país enfrentava no final do ano passada estavam sobretudo relacionados com os seguintes aspetos:

  • O elevado fardo da dívida do governo;
  • As perspetivas de crescimento moderadas num cenário de elevado endividamento do setor privado;
  • Fraqueza do setor financeiro.

Em relação ao primeiro ponto, os receios quanto ao endividamento público deverão voltar a merecer reparos da parte da agência norte-americana. De acordo com os últimos dados, a dívida pública aumentou em março para 243,5 milhões de euros.

Ainda assim, no Programa de Estabilidade apresentado em abril pelo Executivo de António Costa, 2017 deverá terminar com a dívida pública nos 127,8% do Produto Interno Bruto (PIB), descendo de forma acentuada para 109,4% do PIB em 2021. Até aqui nada de novo.

É no plano económico onde Portugal guarda os maiores trunfos. A economia vai continuar a crescer nos próximos anos, estimam tanto Governo como Fundo Monetário Internacional (FMI). E o brilharete alcançado no défice orçamental de 2016, que ficou nos 2% e deverá permitir ao país sair do Procedimento por Défices Excessivos (PDE), argumenta em favor do Governo que tem insistido nas reclamações quanto à inação das agências em relação a uma melhoria do rating nacional.

No último ponto, sobre o setor financeiro, o cenário da banca nacional mudou de forma visível. A Caixa Geral de Depósitos concluiu a sua recapitalização e avança agora com o plano de reestruturação. O BPI e BCP registaram fortes mudanças nas respetivas estruturas acionistas que vieram dar solidez a ambas instituições. E o Novo Banco, que a Moody’s alertava para os riscos de nacionalização, está praticamente vendido ao fundo norte-americano Lone Star.

Em todo o caso, tal como outras agências como a DBRS já notaram, as fraquezas do sistema financeira concentra-se agora na montanha de crédito malparado que tem castigado a rentabilidade da banca nacional. O tema não deverá escapar à análise da Moody’s.

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