DBRS vê risco de “incumprimento seletivo” na troca de obrigações do Novo Banco

Agência canadiana vê risco de incumprimento seletivo na troca de obrigações séniores do Novo Banco. Coloca rating sob revisão com implicações negativas.

A agência de notação financeira DBRS colocou esta sexta-feira as obrigações seniores do Novo Banco sob revisão com implicações negativas, “ameaçando” baixar ainda mais o rating de ‘CCC’ que atribui àqueles títulos de dívida. Para os canadianos, a troca de obrigações seniores que serve como uma das condições para fechar a venda do Novo Banco ao Lone Star pode representar um “incumprimento seletivo” da instituição.

“Durante o período de revisão, que poderá durar mais de três meses, a DBRS irá focar-se nos termos e condições da operação de troca de obrigações seniores, que ainda são desconhecidos neste momento. A DBRS irá possivelmente considerar qualquer operação como problemática se os termos da troca forem desfavoráveis para os obrigacionistas”, diz a agência canadiana num comunicado publicado esta quinta-feira.

“Num acontecimento como este, a DBRS antecipa que os ratings da dívida sénior do Novo Banco sejam reduzidos para o nível ‘D’ para refletir (…) uma oferta coerciva para os obrigacionistas seniores e um incumprimento dos títulos“, justifica ainda.

Neste sentido, os analistas concluem que o rating do Novo Banco deverá ser considerado como estando em “incumprimento seletivo” na medida que consideram que o Novo Banco falhou em cumprir uma obrigação em torno da dívida emitida.

"A DBRS antecipa que os ratings da dívida sénior do Novo Banco sejam reduzidos para o nível ‘D’ para refletir (…) uma oferta coerciva para os obrigacionistas seniores e um incumprimento dos títulos.”

DBRS

Em causa está uma das condições para o Lone Star injetar mil milhões de euros no Novo Banco e que passa pela troca “voluntária” de obrigações seniores por outros títulos de dívida que permitam ao banco liderado por António Ramalho reforçar a sua posição de capital em 500 milhões de euros.

Na conferência de anúncio de venda do Novo Banco, no dia 31 de março, o governador Carlos Costa sublinhou que “a solução desenhada não envolve uma ação não voluntária” e “não afetará o capital” dos obrigacionistas.

A venda está ainda dependente da aprovação do Banco Central Europeu (BCE) e da Comissão Europeia.

Nas últimas duas semanas, o risco associado à dívida sénior do Novo Banco disparou. A taxa de juro exigida pelos investidores chegou a disparar dos 9% para os 17%, assim como os Credit Default Swaps (CDS), os seguros desta dívida.

(Notícia atualizada às 17h31)

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