Venda da Comporta na reta final. Empresário Pedro Almeida é o principal candidato

O empresário Pedro Almeida, ligado ao setor petrolífero, é o principal candidato à compra da Herdade da Comporta, negócio da área não financeira do GES avaliada pela CBRE em 420 milhões de euros.

A Herdade da Comporta está prestes a ser vendida. Depois de o primeiro processo de venda ter falhado, a herdade que pertencia ao Grupo Espírito Santo (GES) deverá agora ser comprada pelo empresário Pedro Almeida e a expectativa é que a venda fique fechada até ao final do primeiro semestre deste ano, apurou o ECO.

Esta é a segunda vez que a herdade está à venda. Em abril de 2015, segundo avançava na altura o Jornal de Negócios, os norte-americanos Asher Edelman e David Storper, da gestora de private equity Armory Merchant, mostravam interesse pela propriedade, oferecendo um total de 400 milhões de euros. O negócio implicava a compra de duas unidades da Comporta por 100 milhões de euros, outros 200 milhões para assumir a dívida da Comporta e outros 100 milhões para relançar a atividade da herdade.

Contudo, em maio de 2015, o Ministério Público português arrestou o património imobiliário de vários membros da família Espírito Santo, incluindo o património da Herdade da Comporta, o que acabou por travar esta primeira tentativa de compra.

em outubro do ano passado, a herdade voltou a ser colocada no mercado, depois de o Tribunal do Luxemburgo ter autorizado o início de um novo processo de venda, que está a ser assessorado pelo Haitong (antigo BESI). É este tribunal que gere o processo de venda da Herdade da Comporta, uma vez que a Rioforte, empresa do universo Espírito Santo, que detinha a herdade e que entretanto faliu, estava sediada no Luxemburgo.

Agora, quase três anos depois do colapso do GES, este processo está prestes a ficar concluído. O principal candidato é Pedro Almeida, presidente da Ardma SGPS, um grupo que tem participações na área do trading de petróleo bruto e de produtos derivados do petróleo. Hoje com 70 anos, Pedro Almeida está ligado ao setor petrolífero desde a década de 1970.

Ao ECO, o empresário refere que as negociações estão no bom caminho. “Fiz uma proposta dentro do processo de venda que decorre há cerca de nove meses. A proposta está a ser considerada pelo Haitong e pela Caixa Geral de Depósitos [junto de quem a Herdade tem uma dívida de 108 milhões]. O processo está bem encaminhado, mas o Haitong e a CGD pediram mais dias. Estamos a discutir alguns pontos do contrato”, detalha.

O empresário quer comprar os dois negócios da Comporta que estão à venda: a Herdade da Comporta FEIIF, o fundo de investimento imobiliário que gere os projetos turísticos e imobiliários daquela zona, e a Herdade da Comporta — Atividades Agrosilvícolas e Turísticas, que gere os arrozais.

Para já, a proposta que fez é apenas pelo fundo de investimento imobiliário, uma vez que a parte agrícola ainda não está à venda. “Penso que, logo a seguir, a este negócio ficar fechado, a parte agrícola será posta à venda. Diria que, nos próximos dois meses, o processo de venda da parte agrícola irá começar“, antecipa. “A intenção de quem vende é resolver este processo o mais rapidamente possível”, diz ainda.

No fim, o objetivo de Pedro Almeida é comprar ambos os negócios para, posteriormente, vender a parte imobiliária e ficar apenas com a parte agrícola. “O meu objetivo final é a parte agrícola, ou seja, a Herdade da Comporta. O meu objetivo é evitar que isto vá para mãos estrangeiras e preservar o valor da herdade. Quanto à parte imobiliária, é ir vendendo à medida que as condições imobiliárias o permitirem”.

O empresário não revela o valor que está a oferecer. Quando o processo de venda foi relançado, a consultora imobiliária CBRE avaliou a Herdade em cerca de 420 milhões de euros.

Por resolver está ainda uma dívida de 108 milhões de euros, referente a um empréstimo que a Herdade da Comporta contraiu junto da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Esta dívida aumentou em 57,6 milhões de euros entre 2007 e setembro de 2016. Isto porque, na sequência da falência do GES, o grupo deixou de pagar à CGD a amortização e os juros desse crédito.

Assim, quem ficar com a Herdade da Comporta tem este problema por resolver: quem paga, e como paga, a dívida ao banco público. “Quem comprar o fundo assume a dívida e vai ter de renegociar com a Caixa como é que vai reembolsar. É o que eu estou a fazer. Fiz uma proposta e estou à espera que a Caixa reaja”, conclui Pedro Almeida.

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