Carlos Costa: BCE foi o grande responsável pela estabilização dos rendimentos em Portugal

  • ECO
  • 8 Maio 2017

O governador do Banco de Portugal diz que foi o BCE e a sua política monetária quem mais ajudaram a estabilizar os rendimentos das famílias portuguesas durante a crise. Como? Com juros mais baixos.

Para Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, foi a política monetária seguida pelo Banco Central Europeu (BCE) quem mais contribuiu para o equilibrar do rendimento das famílias portuguesas na sequência da crise da dívida que culminou com o programa de assistência da troika.

“No caso da economia portuguesa, o grande estabilizador do rendimento disponível foi a política monetária. Com as taxas de juro indexadas às taxas Euribor, as famílias portuguesas beneficiaram durante a crie de uma redução significativa das prestações mensais da casa, que correspondiam a uma parte importante do rendimento”, referiu Costa esta segunda-feira numa intervenção na Faculdade de Direito na Universidade de Lisboa, citado pela Bloomberg.

"O grande estabilizador do rendimento disponível foi a política monetária. Com as taxas de juro indexadas às taxas Euribor, as famílias portuguesas beneficiaram durante a crie de uma redução significativa das prestações mensais da casa, que correspondiam a uma parte importante do rendimento.”

Carlos Costa

Governador do Banco de Portugal

O governador considerou mesmo que o BCE foi crítico e decisivo na garantia da estabilização da economia da união monetária. “Substitui os mercados financeiros ao fornecer liquidez aos sistemas bancários dos países que dependiam dos mercados de capitais e, de um momento para o outro, perderam acesso a esses mercados”, declarou.

Modelos de supervisão são prioridade para Banco de Portugal

Na mesma intervenção, Carlos Costa optou por destacar ainda como o Banco de Portugal está “profundamente empenhado” na discussão de modelos de regulação e supervisão do setor financeiro, tanto a nível europeu como nacional, numa altura em que o Ministério das Finanças antevê criar uma nova autoridade para gerir certas funções. “Os próprios modelos de regulação e supervisão nacionais precisam de ajustamentos que corrijam deficiências e os adequem às novas realidades”, afirmou Carlos Costa.

Em linha com o que escrevia o ECO na semana passada a partir de um documento do Banco de Portugal que tinha sido já transmitido ao Ministério das Finanças, Carlos Costa sublinhou a reflexão acerca deste tema como uma prioridade. Fazendo a comparação entre os vários modelos de supervisão e regulação europeus, Carlos Costa conclui que as possibilidades são muitas tanto na supervisão microprudencial (das instituições financeiras individuais) como na macroprudencial (do sistema financeiro como um todo) assim como no caso da resolução.

 

De acordo com a recomendação do banco central que chegou ao ministro das Finanças, sabe o ECO, o Banco de Portugal pretende manter consigo a supervisão microprudencial e macroprudencial, embora esteja disposto a abdicar da resolução bancária, que poderia ser gerida por outra entidade, especialmente numa fase posterior à tomada da decisão de que a instituição precisa de entrar em processo de resolução.

 

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