Portugal exportou 14 mil milhões. O quê e para onde?

Espanha, EUA, França, Alemanha e Angola foram os países com as maiores subidas homólogas das exportações. Aumento de 17,1% no primeiro trimestre significou mais 2 mil milhões de euros para Portugal.

Portugal já exportou 13.991 milhões de euros em 2017, o que compara com os 11.950 milhões de euros no primeiro trimestre do ano passado. No total as exportações aumentaram 17,1%, o que se traduz em mais 2.041 milhões de euros de bens exportados. Mas quais são os países que estão a contribuir para esta subida? Os Estados Unidos e Angola são as surpresas.

A maior parte das exportações continua a ter como destino os países da moeda única, mas existem surpresa fora da União Europeia: o mercado externo cresceu 28,4% nos primeiros três meses deste ano, face ao período homólogo, o que se traduziu em maios 889 milhões de euros.

Já o aumento das exportações para os Estados-membros da Zona Euro subiu 12,8%, o que se traduziu em mais 994 milhões de euros. Os dados constam do destaque do Comércio Internacional de Bens de março divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística.

Entre os principais parceiros económicos de Portugal não há surpresas: Espanha, França, Alemanha e Reino Unido consolidaram sua posição com subidas ligeiras em termos percentuais, mas significativas em termos absolutos.

EUA, Angola e Marrocos são os destinos que mais crescem

Fonte: INE

O melhor exemplo são as exportações portugueses com destino ao país vizinho que aumentaram 14,7% nos primeiros três meses do ano, mas como o volume é elevado, essa evolução traduziu-se em mais 466 milhões de euros em exportações face ao mesmo período do ano passado. França e Alemanha adquiriram mais 158 milhões e 155 milhões, respetivamente, de bens portugueses.

Mapa Mundo.Pixabay

Angola e Estados Unidos surpreendem

Depois de uma fase negra nas exportações para Angola, os números começam a recuperar. Nos primeiros três meses de 2016, Portugal exportou mais 48,3% de bens para os angolanos, em comparação homóloga. Os dados têm de ser olhados com cautela uma vez que, nos últimos dois anos, as exportações com destino a Angola caíram a pique.

Contudo, ao mesmo tempo, o crescimento de quase 50% não deve ser menosprezado uma vez que significaram mais 146 milhões de euros em exportações no primeiro trimestre do ano face ao mesmo período de 2016.

Já os norte-americanos têm um novo presidente que, em campanha, defendeu o protecionismo, mas no primeiro trimestre do seu mandato os EUA importaram mais produtos portugueses. Segundo os dados do INE, registou-se um crescimento de 51,6%, o que se traduziu em mais 262 milhões de euros.

O setor têxtil e do vestuário foi um dos que conseguiu exportar mais bens para os Estados Unidos no primeiro trimestre: a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal revelou, em comunicado, que o setor registou um aumento de 10 milhões de euros, cerca de 16%, para o outro lado do Atlântico.

A fechar o top 10 dos principais clientes de Portugal está Marrocos. Os valores absolutos são mais pequenos, mas com uma subida de 17,6%, as exportações portuguesas para os marroquinos já atingiram os 164 milhões de euros em três meses.

Máquinas, aparelhos e combustíveis são o que mais voa para fora da UE

Também há vida para lá do mercado interno da União Europeia: as exportações Extra-UE de Portugal representam quase um terço do total. Os Estados Unidos, Angola e Marrocos são os principais destinos, mas resta uma pergunta: quais são os bens mais transacionados?

O maior montante provém das máquinas e aparelhos que o país exporta para os mercados externos, um grupo de bens que atingiu os 572 milhões de euros nos primeiros três meses. Este número representa uma subida de 29,2%.

A seguir bem de perto estão os combustíveis minerais, categoria que representou um montante de exportações de 491,2 milhões de euros. Esta foi a categoria de bens que mais aumentou, em termos percentuais, face ao primeiro trimestre do ano passado: Portugal exportou mais 81,3% de combustíveis minerais para o mercado Extra-UE nos primeiros três meses deste ano.

Também relevantes mas com menos peso estão bens como os agrícolas, os metais comuns, os veículos (e outro material de transportes) e os químicos. Tudo bens que Portugal exporta significativamente para os países que estão fora do mercado único da União Europeia. No total estas exportações representaram 3.570 milhões de euros no primeiro trimestre de 2017, um aumento face a 2.681 milhões de euros no primeiro trimestre de 2016.

Gelpeixe nota crescimento em França, Espanha e Angola

O fundador da Gelpeixe, empresa do setor alimentar, confessa ao ECO que tem notado um crescimento nas exportações para França, Espanha e Angola. Contudo, Manuel Tarré explica que não existe um trabalho diferenciado para esses mercados. Ou seja, tem existido um trabalho consistente e persistente em todos os mercados, mas estes três mercados têm respondido melhor a esses estímulos.

“Todos os mercados são importantes para nós”, assegura Tarré, referindo que “não se pode dizer que há uma linha constante de crescimento, mas a tendência é de facto de crescimento“. Mas há um mercado especial onde existe uma tendência clara: o de Angola. Os angolanos precisam de bens essenciais, argumenta, referindo que a empresa, apesar das dificuldades, tem tentado “criar sinergias com os clientes” de modo a mantê-los.

Além de França, Espanha e Angola, a Gelpeixe tem como um dos mercados principais o da Polónia. Em 2016, a empresa familiar atingiu os oito milhões de euros em vendas ao exterior. A expectativa para este ano é aumentar para os 10 milhões de euros, um crescimento de 25%.

Riopele também cresce em Espanha

José Alexandre Oliveira, presidente da Riopele, empresa portuguesa de referência no setor têxtil e uma das grandes exportadoras nacionais, adianta ao ECO que “as exportações para Espanha têm vindo a aumentar”. Para além do trabalho normal desenvolvido nos mercados de exportação, o presidente da Riopele, imputa este crescimento das vendas para o país vizinho “com o crescimento da própria economia espanhola”.

A crise na Europa levou-nos a procurar outras regiões e hoje podemos dizer que o crescimento dessa zona económica mais que compensa o declínio da Europa.

Fortunato Frederico

Presidente do grupo Kyaia

A Riopele cujas exportações, em 2016, atingiram os 74 milhões de euros, tem como principais mercados, Espanha, França, Estados Unidos a que se junta ainda a Alemanha. José Alexandre Oliveira adianta que “para além de Espanha, o crescimento nos restantes mercados está estabilizado”.

Kyaia apostou nos Estados Unidos para compensar crise na Europa

É com a marca Fly London que o grupo Kyaia marca presença no mercado norte-americano. É lá que tem uma loja, em Nova Iorque, e onde vai marcando presença em várias feiras do setor, privilegiando as parcerias. O proprietário da empresa, Fortunato Frederico, refere que pode fazer dez feiras num ano. Mas a aposta não é inocente: aquela zona económica já vale cerca de 25 a 30% nas contas da Fly London.

Além dos Estados Unidos, a aposta de Fortunato Frederico aposta num espaço comercial com “grande potencial de crescimento”, onde se inclui o Canadá, a Nova Zelândia e a Austrália. “A crise na Europa levou-nos a procurar outras regiões e hoje podemos dizer que o crescimento dessa zona económica mais que compensa o declínio da Europa”, justifica o proprietário.

Também presente nos mercados de França e Espanha. Fortunato Frederico refere que “o país vizinho está também a crescer a bom ritmo“, o que resulta do trabalho que a empresa tem feito e da própria conjuntura espanhola.

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