Marcelo diz que trazer Agência Europeia do Medicamento para Portugal “é muito difícil”

  • Cristina Oliveira da Silva
  • 14 Junho 2017

Presidente da República apontou o dedo à divisão interna sobre "uma realidade que verdadeiramente é difícil".

O Presidente da República entende que trazer a Agência Europeia do Medicamento (EMA) para Portugal “é muito difícil” e diz não ter a certeza de que a divisão interna que este assunto está a gerar “fortaleça a posição de Portugal”.

“O nosso objetivo é tentar, que é muito difícil”, trazer “para Portugal essa agência”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa em declarações durante a visita do Presidente à Feira do Livro e transmitidas pela SIC Notícias. Isto porque há 20 países, em 27, com a mesma intenção: “Alguns deles muito fortes, como a Alemanha, outros que não têm uma única agência, como países de leste”, indicou ainda o Chefe de Estado durante uma visita à Feira do Livro.

Salientando que “é uma luta muito grande”, Marcelo apontou o dedo à divisão interna sobre “uma realidade que verdadeiramente é difícil”. “Não tenho a certeza que essa divisão fortaleça a posição de Portugal neste sentido”, adiantou ainda o Presidente, referindo depois uma das condições exigidas, que passa por um “edifício” com determinados requisitos. “Apesar de tudo, preferiria que as polémicas sobre o local e, dentro do local, o edifício, fossem anteriores à formalização desta pretensão lá fora. Olhando de fora não sei se facilita muito a pretensão mas Deus queira que sim”, notou.

Marcelo defende uma “clarificação com base numa escolha concreta de um edifício”. Questionado sobre se o Governo está a falhar, o Presidente diz que o Executivo está a fazer “o que deve fazer”. “O que me parece é que, visto de fora, ainda dá a sensação de que pode haver várias hipóteses ou alternativas e isso não sei se é muito bom para a proposta portuguesa”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa na Feira do Livro, a 14 de junho de 2017.Paula Nunes/ECO

O primeiro-ministro decidiu candidatar Lisboa para acolher a EMA por “ser fator de preferência a existência de Escola Europeia, que só Lisboa poderá vir a ter”, de acordo com uma carta a que a Lusa teve acesso, dirigida ao presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira. António Costa diz ser “o primeiro a lamentar não ter sido possível candidatar o Porto porque muito gostaria de também, por esta via, contribuir para reforçar a crescente internacionalização da cidade”.

Marcelo não quer dizer se apoiaria a candidatura de outra cidade além de Lisboa, salientando que a decisão não lhe pertence e que há requisitos específicos a considerar. “Aquilo que preencher melhor os critérios de candidatura é preferível a quem preencher menos bem”, rematou.

Porto disponível para apresentar candidatura

Já Rui Moreira, também em declarações à SIC Notícias, fala numa “luta muito difícil” e diz que, por isso, é preciso escolher os melhores argumentos. No que toca ao invocado por Marcelo — o edifício — “o Porto tem edifícios e tem por onde construir edifícios”, disse o presidente da autarquia, salientando que “o edificado não é propriamente um problema”. Mas afirma concordar com o Chefe de Estado quando “diz que o assunto devia ter sido tratado muito antes”.

Se António Costa mudar de ideias, Rui Moreira garante que apresentará um caderno de encargos. “Se o Primeiro-Ministro responder rapidamente, nós tudo faremos para até 31 de julho apresentarmos uma candidatura ao Governo português“, reforçou.

“Em Portugal não houve de facto discussão“, houve uma decisão “política” de dizer “que tem que ser em Lisboa”, criticou Moreira. Isso fortalece a candidatura portuguesa? “Considero que não faz mais fortes na candidatura, creio que nos faz mais fracos”, salientou. “Se isso é a melhor solução para o país, eu aí tenho a certeza que não”, concluiu.

Rui Moreira diz que não houve critérios para as candidaturas e acusa os ministros de dizer “coisas diferentes todos os dias”. Por seu turno, aponta os argumentos do Porto: desde a “melhor faculdade de farmácia” do país, ao cluster da saúde, passando por uma cidade que “tem todas as condições de atração que Lisboa tem e provavelmente é mais barata”.

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