Sem o JPMorgan da bitcoin, as bolsas têm poucas transações

  • Bloomberg
  • 13 Agosto 2017

Embora os investidores sejam atraídos pelos ganhos registados e pela volatilidade, as maiores instituições estão renitentes em entrar, o que gera mais preocupações em relação à liquidez.

A bitcoin precisa de Josh Brown “Downtown” mais do que ele precisa da bitcoin. Brown, CEO da Ritholtz Wealth Management e autor de um blog financeiro famoso, há muito que tem vindo a mostrar ceticismo em relação à moeda digital. É verdade que comprou alguma, reconheceu, “porque essa coisa maldita não vai desaparecer”, justificou.

Ainda assim, Brown, que ajuda a administrar 500 milhões de dólares, ainda não é um convertido, especialmente no que diz respeito às medidas de segurança das bolsas de bitcoins. Ele estudou várias antes de comprar as suas bitcoins com a Coinbase e não ficou impressionado, disse em entrevista. “Não acho que exista algum serviço mais seguro que o outro. É muito cedo para declarar qualquer uma delas como o JPMorgan da bitcoin. Não acho que exista.”

Estas preocupações são o maior obstáculo ao crescimento do mercado de moedas criptografadas como a bitcoin ou o ether, a segunda maior moeda. Embora os investidores sejam atraídos pelos ganhos registados e pela volatilidade, as maiores instituições estão renitentes em entrar, o que gera mais preocupações em relação à liquidez. O desafio para casas de câmbio como a Coinbase e a Gemini Trust é convencer os grandes atores financeiros de que o mercado de 121 mil milhões de dólares para ativos digitais cumpre os padrões do século XXI.

Os perigos são evidentes. A 21 de junho, o ether caiu de 17,81 dólares para 0,10 dólares nas negociações na Coinbase. O motivo foi uma única negociação de 12,5 milhões de dólares — uma das maiores já realizadas — que desencadeou mais vendas. Tudo aconteceu em apenas 45 milissegundos e depois desse período os algoritmos de computador começaram a comprar, o que elevou os preços novamente para 300 dólares em dez segundos. Algumas casas de câmbio de moedas digitais entraram em colapso e os recursos de alguns clientes desapareceram. Tudo isso assusta e afasta os mesmos investidores que essas casas de câmbio precisam para ter sucesso.

A Cumberland Mining, uma unidade da empresa de negociação de alta frequência DRW Holdings, com sede em Chicago, administra vários pedidos grandes de forma privada “porque as casas de câmbio e outros mercados não conseguem gerir esse tipo de liquidez ou não possuem esse tipo de liquidez”, afirmou Bobby Cho, trader de moedas criptografadas da Cumberland. “O mercado é tão fragmentado que a liquidez é fragmentada.”

No coração do comércio de bitcoin está o blockchain, uma espécie de livro-razão distribuído que também é promovido, alto e bom som e com frequência, como a cura para os mercados que aceleraria as compensações, eliminaria atrasos onerosos por operações contestadas e reduziria os custos de capital para os bancos.

Quando Brown comprou as suas bitcoins não sabia que a compra não era garantida pelo blockchain, e sim realizada apenas internamente na Coinbase. Isso gera uma pressão extra sobre os mercados para manter a segurança contra hackers e ladrões. Depois de Brown escrever sobre a compra de bitcoins no seu blog, “as pessoas começaram a gritar que a ‘Coinbase não é para armazenamento!’”, disse ele. Em resposta, um amigo ajudou-o a montar uma carteira para manter as suas bitcoins que é garantida pelo blockchain.

É como o Velho Oeste, isto ainda é muito incipiente”, disse Richard Johnson, analista de estrutura de mercado da Greenwich Associates especialista em blockchain. Johnson concordou que o tempo necessário e a complexidade da transferência das moedas digitais de uma casa de câmbio para outra “não são aceitáveis” considerando a forma em que os investidores modernos operam, e que embora a Gemini, a GDAX da Coinbase e outras casas de câmbio dos EUA possuam procedimentos sólidos de verificação do cliente, é preciso fazer mais. “Se as pessoas quiserem tornar isto sério para ter transações bancárias reais é preciso que seja melhor e mais fácil de usar.”

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Sem o JPMorgan da bitcoin, as bolsas têm poucas transações

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião