China investe cada vez menos no estrangeiro. E a culpa é do futebol

  • Lusa
  • 14 Setembro 2017

O Governo chinês diz que o investimento do país no estrangeiro caiu 41,8% este ano devido ao aumento nas restrições, que visa desencorajar investimentos desnecessários.

O Ministério do Comércio da China disse esta quinta-feira que o investimento chinês além-fronteiras caiu devido ao aumento nas restrições, criadas para desencorajar a compra de clubes de futebol e outros ativos considerados desnecessários ao desenvolvimento do país.

Segundo os dados anunciados, o investimento chinês no estrangeirou recuou 41,8%, nos primeiros oito meses do ano, face ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e agosto, as empresas chinesas investiram 68,7 mil milhões de dólares (57,7 mil milhões de euros) no exterior.

Encorajadas pelo Governo, as empresas chinesas aumentaram nos últimos anos os investimentos além-fronteiras, como forma de assegurarem fontes confiáveis de retornos e adquirirem tecnologia avançada.

Os reguladores chineses emitiram este ano, no entanto, um raro comunicado conjunto, no qual advertem para investimentos “irracionais” além-fronteiras, nos setores imobiliário, entretenimento e desporto, nos quais abundam “riscos e perigos ocultos”.

As autoridades afirmaram que querem que as empresas se foquem em ativos necessários à economia chinesa.

O Ministério chinês do Comércio anunciou que os investimentos feitos este ano foram sobretudo no setor manufatureiro, vendas por atacado, retalho e tecnologias de informação.

Algumas das empresas chinesas cujas aquisições no exterior praticamente pararam nos últimos meses detêm participações em importantes empresas portuguesas, como a Fosun e o HNA Group.

A Fosun é a maior acionista do banco Millennium BCP com 25,1% do capital, também detém 85% da seguradora Fidelidade (os restantes 15% do capital são da CGD) — que, por sua vez, é ‘dona’ do Grupo Luz Saúde — e ainda conta com uma participação de 5,3% na Redes Energéticas Nacionais (REN).

A HNA é acionista da TAP através do consórcio Atlantic Gateway e da companhia brasileira Azul.

Segundo dados oficiais portugueses, desde que a China Three Gorges comprou 21,3% da EDP, em 2012, o montante do investimento chinês em Portugal já ultrapassou os 10.000 milhões de euros.

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