? Este ano está muito perto de ser o pior de sempre em área ardida

Há números para todos os os gostos, mas a conclusão é sempre a mesma — 2017 foi o pior dos últimos dez anos, em termos de área ardida. Foram cerca de 336 mil hectares consumidos pelas chamas, sendo que só no domingo arderam 120 mil, de acordo com os valores provisórios avançados pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Ainda antes da catástrofe do fim de semana, 2017 já tinha entrado para as estatísticas como um ano negro, tendo em conta a dimensão das áreas ardidas no centro do país, que resultaram na morte de 64 pessoas. Também aqui o recorde é funesto. Os incêndios deste ano já fizeram mais vítimas mortais do que qualquer outra catástrofe no país. A tragédia de Entre-os-Rios, que vitimou 59 pessoas em março de 2001, foi suplantada.

Os 335.988 hectares ardidos este ano aproximam-se perigosamente dos 339 mil que se registaram em 2005, o ano recorde em Portugal.

Os dados assumem uma expressão mais alarmante se for considerada a imagem de satélite do Sistema do Centro de Investigação Comum da Comissão Europeia (EFFIS) que revela que só na zona do Pinhal Litoral, que abrange o Pinhal de Leiria, arderam no domingo e na segunda-feira 11.394 hectares.

O país da União Europeia que mais se aproxima de Portugal em área ardida é a Itália, que apresenta um total de 133.526 hectares ardidos, menos de metade do território português. Itália, assim como Espanha, França e Grécia, juntamente com Portugal, seriam dos países mais beneficiados com a criação de uma bolsa permanente de combate aos fogos a nível europeu, que foi discutida esta quinta-feira no Conselho Europeu.

Politicamente o tema vai ganhado escala com o Presidente da República a pedir que, a haver folga orçamental, esta seja direcionada para as florestas, a ministra da Administração Interna acabou por não aguentar a pressão e demitiu-se e, na próxima terça-feira, o Governo vai ser alvo de uma moção de censura apresentada pelo CDS. Este sábado há um conselho de ministros extraordinário para avaliar a problemática dos incêndios e além de medidas de ajuda imediata, seja para as vítimas, os agricultores ou as empresas, se espera uma visão estratégica para o problema.

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