Corte de custos leva Montepio para lucros de 20,4 milhões

  • Rita Atalaia
  • 24 Outubro 2017

O banco liderado por Félix Morgado registou uma melhoria dos resultados nos primeiros nove meses do ano. Uma recuperação que se baseia no aumento do produto bancário e redução dos custos.

A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) continua a apresentar lucros. Registou um resultado líquido de 20,4 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Isto em comparação com um prejuízo no mesmo período do ano passado. Uma recuperação que se baseia no aumento do produto bancário e redução dos custos operacionais. Mas também graças ao aumento das comissões.

“A CEMG atingiu um resultado líquido positivo de 20,4 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017, que compara com o resultado negativo de 67,5 milhões de euros relevado no período homólogo de 2016”, afirma o banco liderado por Félix Morgado na apresentação dos resultados do Montepio até setembro deste ano. “É o terceiro trimestre consecutivo em que a Caixa Económica tem resultados positivos”, destaca o presidente do Montepio.

Para este resultado, a instituição financeira aponta três motivos: melhoria da margem financeira, aumento das comissões e queda dos custos operacionais. Desde dezembro do ano passado, o Montepio duplicou as comissões associadas ao crédito à habitação. Neste sentido, as comissões líquidas subiram 19,3% para 83,9 milhões de euros, “traduzindo o impacto favorável da adequação do preçário à proposta oferecida pelo grupo CEMG e da maior dinâmica do negócio”, explica o Montepio.

O presidente do Montepio, Félix Morgado, diz que este aumento das comissões não está a afastar os clientes. “Os nossos clientes sentem-se confortáveis com o preço que pagam”, o que se reflete no aumento dos depósitos, explica.

"A CEMG atingiu um resultado líquido positivo de 20,4 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017, que compara com o resultado negativo de 67,5 milhões de euros relevado no período homólogo de 2016.”

Montepio

A margem financeira aumentou 13,3% para 202,1 milhões. “Para este desempenho contribuiu a redução dos custos de financiamento”, refere o banco. Mas a redução dos custos também contribuiu para este resultado. “Para este desempenho contribuiu a redução dos custos de financiamento, nomeadamente do custo dos depósitos a prazo e da dívida emitida, que foi superior ao decréscimo dos juros e rendimentos das carteiras de crédito, num contexto da redução das taxas de juro de referência no mercado”, nota.

Os resultados de operações financeiras também se destacaram pela positiva. Esta rubrica registou ganhos de 66,7 milhões de euros. Por outro lado, o produto bancário cresceu 15% nos primeiros nove meses do ano, “alavancado no desempenho positivo do negócio core“.

Rácio de capital melhora. Vai subir mais

Olhando para os rácios de capital, houve igualmente uma melhoria da posição de capital. O rácio CET1 do banco liderado por Félix Morgado subiu para 13% e o rácio de capital total para os 13,2%.

“O reforço da posição de capital incorpora os efeitos positivos do aumento do capital institucional em 250 milhões de euros, da geração orgânica de capital e da descida dos ativos ponderados pelo risco em 1.278 milhões de euros para 11.965 milhões de euros”, diz o banco.

Contudo, “os rácios de capital não incluem os efeitos positivos, estimados em 48 pontos base, associados à adesão ao regime dos ativos por impostos diferidos“, salienta.

Porta aberta a investidores

Estes foram os primeiros resultados apresentados depois de concluída a OPA da Associação Mutualista Montepio Geral ao Montepio, através da qual a entidade liderada por Tomás Correia ficou com 99,7% do capital do banco. Esta operação serviu, segundo o presidente da Associação Mutualista, para “transformar o Montepio num banco social”. Foi em julho que a Associação anunciou uma parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, mantendo, contudo, a porta aberta a outros investidores.

Sobre a entrada de um novo acionista no banco, Félix Morgado refere que essa questão deve ser colocada à Associação Mutualista. “O conselho de administração executivo está a trabalhar dia a dia para gerar valor para os acionistas”, diz, sem adiantar mais detalhes. Em relação à possibilidade de o acionista vir a fazer alterações na equipa, o presidente do Montepio diz “não comentar rumores ou especulações”.

(Notícia atualizada às 18h32 com mais detalhes)

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