Universidade do Minho lança campanha de fundraising

A Universidade do Minho lançou uma campanha de angariação de verbas. O objetivo é financiar projetos de uma universidade que se quer reposicionar a nível tecnológico.

Sob o lema “UMinho F2020 – Um compromisso com a sociedade”, a Universidade do Minho (UM) lançou, esta sexta-feira, uma campanha de fundraising. O objetivo é financiar projetos de uma universidade que se quer reposicionar a nível tecnológico.

É “uma estratégia complementar de angariação verbas provenientes da sociedade, para o desenvolvimento específico de projetos estratégicos da UMinho, num quadro de efetivo envolvimento de personalidades e empresas comprometidas com a academia”, diz a UMinho. E é complementar ao plano estratégico 2020 onde é prevista a diversificação de fontes de financiamento da universidade.

O lançamento da campanha foi feito durante o evento “Um compromisso com a sociedade – a A UMinho comprometida com o desenvolvimento e com a construção do futuro”, durante o qual o reitor da Universidade do Minho, que está prestes a cessar funções, destacou que “a Universidade do Minho tem uma interação muito forte com a sociedade, desde a economia à cultura”.

Ainda assim, António Cunha alertou para as mudanças que se registam no mundo, sobretudo a nível tecnológico, o que obriga a um reposicionamento da Universidade. “O século XXI poderá ser o século das Universidades mas poderá também ser o tempo em que as Universidades se tornem irrelevantes”, afirmou o Reitor.

Já o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior afirmou que: “o caminho da Universidade do Minho é exemplar, mas há ainda muito a ser feito”. O ministro referiu que para se diferenciar a UMinho tem que na próxima década, atrair talentos, atrair empreendedores e atrair empregadores. Manuel Heitor aproveitou para referir que “existe um défice de especialização” nas Universidades e que isso exige “reformular a oferta do ensino de pós-especialização”.

Manuel Heitor falou ainda em derrubar os muros da Universidade porque: “a falácia de que o conhecimento é transferido das Universidades para as empresas tem que ser derrubado”.

A Fernando Alexandre, pró-reitor da Universidade do Minho, coube demonstrar o impacto da Universidade no desenvolvimento, que considerou como um “caminho exemplar“.

Na apresentação que fez para uma plateia onde sobressaiam para além de outros, Artur Santos Silva, Valente de Oliveira, Freire de Sousa, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Fernando Alexandre relembrou que a Universidade já atribuiu 66 mil graus, entre o período compreendido entre 1908 e 2016, e que só no último ano foram formadas quatro mil pessoas, o que demonstra “a escala de transformação”.

No que respeita à interação com a sociedade, Fernando Alexandre relembrou que a Universidade tem mil docentes e tem 320 parcerias estratégicas, das quais 196 na região e 58 entidades participadas, entre associações e fundações. Já no concerne à relação entre a investigação e as empresas, Fernando Alexandre diz que: “da instituição sai investigação com qualidade que depois vai passando para a economia e a sociedade através de interfaces tecnológicos”. A referência são instituições como o Instituto Design Guimarães, o piep, o TecMinho, o Centro de Computação Gráfica, entre outros. A outro nível surgem as incubadoras e as aceleradoras, como a Startup Braga, destacando o economista a grande ligação da Universidade com os spin-offs.

Desde 2000, a Universidade deu origem a 48 spin-offs, responsáveis por um volume de negócios que em 2016, atingiu os oito milhões de euros. A nível de recursos humanos desses spin-offs mais de 80% (de um total de 162 pessoas) têm o ensino superior. A nível de áreas, estes spin-offs estão maioritariamente ligado à biotecnologia e a maior parte (76%) estão sediados em Braga e Guimarães.

Investimento de 170 milhões

Ao nível da colaboração entre a Universidade e a Indústria, nos últimos dez anos foram investidos 170 milhões de euros, repartidos por 165 projetos sobretudo ao nível das engenharias, sendo que o investimento da UMinho é de 67,5 milhões de euros.

A última década deu origem, em termos de projetos de I&D, a 377 parceiros, dos quais 313 empresas, 168 em Portugal e 145 no estrangeiro. As principais entidades financiadoras são a Agência Nacional de Inovação com 75% ou 127 milhões de euros, seguida pela Comissão Europeia com 21% ou 36 milhões de euros. De registar que deste número de parceiros, 64% são empresas sediadas em Portugal e 36% empresas no estrangeiro. Já o investimento em projetos de I&D conta com 130 empresas em Portugal e 39 em empresas no estrangeiro.

Quanto à distribuição geográfica das empresas estrangeiras parceiras, o Reino Unido domina com 17%, seguida pela Alemanha com 14%. Em Portugal, a distribuição geográfica das empresas parceiras dá conta de que 50,3% estão no norte, 35,33% no centro e 11,38% na área metropolitana de Lisboa.

A Bosch, pela sua dimensão e pela parceria estabelecida com a Universidade do Minho é catalogada, por Fernando Alexandre como um “novo paradigma do que deve ser a economia portuguesa“. O Made In Braga dá lugar ao Invented Braga. No total, estamos a falar de um investimento total de 74 milhões de euros, envolvendo 393 recursos humanos (172 Bosch e 221 da Universidade do Minho) e 34 patentes.

As empresas Alumni UMinho

Na apresentação que fez, Fernando Alexandre dá conta da existência de 530 empresas, com um volume de negócios de 1200 milhões de euros (volume negócios médio de 2,2 milhões) e 13700 colaboradores. Deste número de colaboradores, 27% tem o ensino superior, um valor muito superior aos 17% registados em Portugal. Fernando Alexandre enaltece o facto da maioria destas empresas (88%) se sediar no norte.

Universidade em números:

  • 20 mil estudantes distribuídos por 3 campos
  • 1300 docentes
  • 55 cursos de licenciatura e mestrado integrado
  • 110 cursos de mestrado
  • 62 mil graduados
  • 57 mil programas de doutoramento

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